Há um autor, do qual eu gosto muitíssimo, que diz: “Um número grande demais de cristãos vive na casa do temor e não na casa do amor”. Brennan Manning talvez seja um dos poucos cristãos que tenha ousado essa mudança de casa.
Deixar a casa do medo, imposto por uma visão deturpada do Evangelho já é em si, um ato de amor. O amor é corajoso e não se permite amordaçar pelo medo. Talvez a saída da casa do medo se compare à saída de uma mansão, repleta de luxos e confortos, mas na qual a alma se sente aprisionada e infeliz. A entrada no casebre do amor é tão mais humilde e pobre, que deixa a alma em estado de êxtase, ainda que ao corpo, lhe seja oferecido o conforto inexistente do chão duro. Estamos em processo de mudança...
E esse caminhar errante o mais divertido dessa aventura. Aceitar-se imperfeito e repleto de falhas como somos, não é tarefa pra qualquer um. As pessoas se cobram demais, ferem demais umas às outras, quando se esquecem que somos um e compartilhamos das mesmas angústias.
Esquecemos que a doçura é sempre um bálsamo para esses dias maus. Que a gentileza ainda gera, se não, gentileza, ao menos um sentimento de paz em quem ousou o ato. E que somos seres capazes do mais incrível e poderoso sentimento: o amor. E é uma pena que a maioria de nós nem sequer suspeite da grandeza e do poder desse sentimento, é uma pena que, por vezes, nos neguemos a assumir nossa missão de amar.
E a vida se torna tão incrivelmente mais bela, quando assim, vista sob a ótica do amor e do cuidado...
A vida vista e vivida na simplicidade desse amor é o que sempre sugeriu o Mestre. Uma vida ousadamente tranquila, porque para se chegar a ela, há de se percorrer o exigente caminho do desapego, da libertação. Uma vida vivida em renúncia a tudo aquilo que muitos ousam chamar de vida, mas que não é, se não apenas uma ilusão, um conglomerado de paliativos para a dor de nossa existência.
Será que estamos mesmo preparados para tal aventura? Talvez a questão crucial não seja estar preparado, mas fazer-se preparado dia após dias, forçando as dores excomunais do parto de si mesmo. Afinal, aquele que não nasce de novo não pode ver o Reino de Deus. O Reino manifesto em nós, agora, já, o Reino do Amor.
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