Na manhã de quarta-feira, 18, a reportagem do Jornal Em Dia procurou o prefeito João Afonso Sólis (Jango) e a secretária municipal de Educação, Marilene Scardilhi de Aguirre, a fim de que eles prestassem suas versões para o caso da denúncia de um vereador sobre o descarte de livros didáticos de escolas da Prefeitura de Bragança, flagrado em uma indústria de reciclagem.
Enquanto o prefeito Jango explicou todo o ocorrido, de acordo com seu entendimento, a secretária preferiu aguardar o término de uma sindicância para falar sobre o polêmico caso.
Segundo Jango, na tarde de terça-feira, 17, a Prefeitura recebeu informação que havia livros de três escolas no ponto de reciclagem. Foi determinado, então, pelo próprio prefeito, que a Guarda Municipal, o secretário de Meio Ambiente e funcionários da Secretaria de Educação fossem ao local para verificar o que era. Os funcionários da Prefeitura presenciaram, então, 155 livros, de 1ª a 8ª séries, sendo que parte deste material não pertence ao município. (A Educação do município é responsável pelo Ensino Infantil e Fundamental, até o 5º ano).
De acordo com o prefeito: “a perícia fez um levantamento do material que já havia sido reciclado, mostrado pela mídia, mas naquele material não havia nenhum livro. Os livros encontrados foram os 155”.
Uma sindicância foi aberta na própria terça-feira, sendo nomeadas quatro pessoas, e em cinco dias um relatório preliminar deve ser emitido sobre o fato.
Questionado pelo Jornal Em Dia sobre a informação de que os livros foram levados à reciclagem por um funcionário da Secretaria de Educação, Jango disse que a informação consta no boletim de ocorrência registrado, mas ele não tem a informação do porquê. “Conversamos com a secretária de Educação, ela conversou com ele (o funcionário que teria levado os livros), e ele disse que esse material estava realmente no depósito, já há algum tempo e precisava ser descartado”, contou o prefeito.
Sobre as três escolas apontadas por etiquetas nos livros, Jango declarou que duas delas, a Haidee Marçal Serbin e a Padre Donato Vaglio estão desativadas. Já a Francisco Murilo Pinto teria passado por um furto no ano passado.
Porém, pelo que consta, a E. M. Padre Donato Vaglio continua em pleno funcionamento. A escola funcionava no prédio do antigo SESI 012, atrás da Igreja São Benedito, mas foi transferida para a Escola Técnica Madre Paulina, próximo à Fesb (Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista).
Sobre as imagens captadas pela equipe da 102 FM, em que aparece quantidade superior a 155 livros, isso antes da chegada do vereador Toninho Monteiro e dos demais veículos de comunicação ao local, João Afonso Sólis rebateu e disse que não havia mais livros.
Para terminar, Jango disse que não houve nenhum prejuízo ao município, pois nenhum livro foi comprado pela Prefeitura. Entretanto, conclui-se que esse prejuízo ficará para a União, já que o material foi enviado ao município pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE).
“Vamos averiguar quem é que autorizou a saída desse material para reciclagem”, finalizou o prefeito.
A secretária de Educação, Marilene Aguirre, confirmou a informação da abertura da sindicância e declarou que só falará sobre o assunto após o término desta. “Estamos aguardando, estamos sabendo pouco e fomos tomados de surpresa”, declarou ao Jornal Em Dia. O prazo para conclusão da sindicância não é de conhecimento da secretária.
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