O caminho

Caminhava a passos leves, alegres, certos de o estarem conduzindo a seu destino: o coração do outro, onde o seu também pulsava e fazia morada; do qual ele mesmo era o maestro e cujas batidas obedeciam diligentemente sua doce voz e soberana vontade.

Caminhava ofegante, com certa dificuldade para respirar o ar carregado dos mais diversos anseios das multidões castigadas e aflitas que o oprimiam. Era um Deus oprimido pelas necessidades dos seus amados. Um Deus perto, de quem o povo podia aproximar-se, e de cuja presença ninguém jamais saía sem levar na alma algum conforto, quando não também no corpo, as marcas visíveis do encontro com o nazareno Todo-Poderoso.

Caminhava atento, o olhar treinado em amor, dirigindo-se o tempo todo às minorias, aos marginalizados. O coração transbordante de compaixão por eles, seus amigos e amigas, irmãos e irmãs, filhos e filhas de seu Aba amoroso.

Caminhava resoluto de sua missão e seus passos traduziam a beleza de uma alma completamente ligada ao Eterno. Cada passo seu revelava um pouco da essência daquele que o havia enviado.

Caminhava irrequieto, a mente aflita pelas constantes ameaças, que lhe afligiam o corpo e a alma. Caminhava só e para um só destino: a cruz.

Só, se sentiu ridicularizado nela, moído no corpo e ultrajado na alma pelas mãos daqueles a quem amava. Só, se sentiu quando abandonado por seu Pai.

Só ele nos conhecia como realmente somos, com nossos medos e angústias, culpas e sofrimentos. Era um Deus ultrajado, miserável, derrotado. Quem mais podia identificar-se tão bem conosco?

Caminhava apaixonado, movido por um amor insano, infinitamente maior e melhor que aquele que por vezes ousamos dizer sentir. Era um Deus apaixonado, que já não podia mais viver longe de seus amados.

Caminhava tranquilo, as vestes brancas refletindo a luz que era ele mesmo. Caminhava livre, a pedra que o aprisionara já não estava mais. Afinal, qual pedra e qual sepulcro e qual morte poderiam impedir o caminhar do Senhor dos senhores?

Senhor também sobre a morte, ainda hoje caminha entre guetos e esquinas mal frequentadas, entre gente suja e indigna, gente maculada pela existência; entre eu e vocês.

Entre nós, o Caminho caminha, e o Universo todo segue a cadência miraculosa de seus passos, todos sob a mesma promessa fidedigna de que ainda haverá muitos passos, e estes, serão dados em AMOR eterno!

FELIZ PÁSCOA!

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