O Jornal Em Dia dá sequência às entrevistas com os candidatos a prefeito em Bragança Paulista.
Neste domingo, 23, os leitores acompanham as propostas dos postulantes ao cargo majoritário para áreas prioritárias do município, como a habitação e a geração de empregos.
Confira:
Jornal Em Dia – Bragança viu muito pouca realização, nos últimos anos, na área habitacional, no que diz respeito a casas populares. O que se vê bastante são novos loteamentos particulares. Quais são seus planos para a moradia popular?
Fernão Dias – Bragança está sem terra para construir casas populares. Então, vamos ter que desapropriar um grande terreno e fomentar o projeto Minha Casa, Minha Vida, que em Bragança está parado também por falta de vontade política. Fomentar o Minha Casa, Minha Vida e dar pelo menos mil habitações, num primeiro momento, para a população bragantina, após a desapropriação de uma área porque a Prefeitura não tem mais um metro de terreno para construir casa.
Fred Zenorini – Uma das coisas que a gente defende no programa de governo e vai refletir na especulação imobiliária é o projeto de IPTU progressivo, que é: aquele trabalhador, que já tem sua casa própria, só o imóvel onde reside, ele deve pagar uma alíquota de IPTU. Já aquele cidadão que possui mais de um imóvel, de repente 5, 10 casas de aluguel, acreditamos que esse é um cidadão que tem condições de pagar uma alíquota maior. Seria uma forma de cobrar uma taxa maior, desfavorecer a especulação imobiliária e, quem sabe, assim, o cidadão bragantino que precisa pagar aluguel possa ser favorecido. E no caso dos programas habitacionais, teríamos que pensar em parceria com os governos estadual e federal, mas priorizar a população bragantina, aquele cidadão de Bragança e que não tem sua casa própria.
Renato Frangini – Nosso plano de governo põe uma meta de construção de quatro mil moradias populares em convênio com o governo estadual e o governo federal. Infelizmente, o governante atual não atendeu essas pessoas que necessitam de moradias, as quais hoje estão pagando aluguel caro, estão pagando alguns imóveis muito acima do valor que seria se fosse feito pelo poder público. Hoje, está mais fácil. Antigamente, a Prefeitura tinha que comprar o terreno, tinha que fazer a rede de esgoto, de água, iluminação, arruamento. Hoje, a Prefeitura entra só com o terreno. O governo estadual e o governo federal fazem o resto. Então, a captação de recursos é mais rápida, a execução é mais rápida e o preço é infinitamente inferior ao que é praticado quando você faz isso por meio de contratos particulares. Então, a nossa meta é trazer quatro mil moradias populares nos próximos anos para Bragança.
Gustavo Sartori – Hoje, temos um déficit de aproximadamente sete mil famílias na Divisão de Habitação aqui do nosso município. O que deve acontecer na nossa gestão e que foi implantado pelo ex-prefeito Nicola Cortez? O sistema de mutirão. Nós estamos fazendo um levantamento de áreas para já fazer esse projeto de sistema de mutirão, chamar a população, dar condições a eles, fazer casas de tamanho bom para as famílias, de preferência não geminada, não vamos fazer dessa forma, porque temos que dar uma casa de qualidade para essas pessoas. Mas, vamos ter critérios rigorosos para essas casas, sendo pessoas moradoras do município, sendo pessoas trabalhadoras dessa cidade, até pessoas desempregadas, pela situação que vive hoje o município, mas tem que ser pessoas da cidade, mostrar que tem residência fixa, pois percebemos que em diversas situações as pessoas estão na fila há cinco, dez, 15 anos, batalhando, correndo atrás do sonho da casa própria, o que nunca se realizou, por diversas situações, de políticos prometerem, de gente de fora, de pessoas que ganham a casa, mas já têm outra, pessoas que ganham a casa e a alugam. Isso nós vamos rever e vamos aplicar para pessoas da nossa cidade. Vamos resolver também a questão das famílias da Austin. Tem 36 famílias lá, a nossa prioridade vai ser construir algum lugar para eles, para podermos resolver definitivamente a situação da Austin.
João Carlos Carvalho – Um dos grandes projetos que tenho falado em minhas reuniões é que vamos trazer habitação popular para o nosso município. Primeiro critério: proibido passar para frente, vender e fazer contrato de gaveta. O sujeito que fizer isso vai perder para o suplente. Senão, não tem finalidade social nenhuma essa gastança de dinheiro. A finalidade do projeto social é dar casa para quem não tem casa, mas para ir morar e não para ficar dois meses, ficar vendendo e aumentar a especulação imobiliária. Vamos implantar, aproximadamente, que é compromisso do governador Geraldo Alckmin com minha gestão, 1.800 casas e eu vou, dentro de um projeto de minha autoria, na Câmara Municipal, produzir 1.500 lotes urbanizados, inclusive com a planta e o kit social de material de construção. Vamos trabalhar intensamente e dar casas populares e lotes urbanizados para a população.
Jornal Em Dia – De acordo com reportagem do Jornal Em Dia, de 23 de agosto, o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) aponta que Bragança é a segunda que menos empregou neste ano em comparação com municípios da região. Você tem planos para a geração de empregos? Quais são eles?
Fernão Dias – É outro problema. Nós precisamos criar o quinto distrito industrial em Bragança Paulista. Esse quinto distrito tem que ficar fora do perímetro urbano para não dificultar mais a mobilidade urbana, talvez às margens da Rodovia Fernão Dias. Aí sim, com incentivos fiscais, trazer mais indústrias, inclusive de tecnologia de ponta para Bragança a fim de melhorar a qualidade do emprego. Então, nossos trabalhadores poderão deixar de ir para Extrema e para Atibaia para trabalharem lá, pois vão poder trabalhar aqui. Mas isso também depende da desapropriação de uma área, da infraestrutura total dessa área, para aí, sim, trazer as empresas que interessam para a gente na área de tecnologia, principalmente.
Fred Zenorini – Pensamos que é muito fácil fazer promessas de campanha, falando em mega programa de industrialização para a cidade, que vai fazer isso e aquilo... Pensamos que uma das formas a curto e médio prazo é trabalhar com as pequenas e microempresas. Para que essas pessoas tenham ao lado delas o auxílio da Prefeitura, para que mantenham seus negócios abertos, gerando renda e alguns empregos. Claro que se pudermos dar incentivos para que se instalem novas indústrias, vamos dar, mas é preciso ser discutido com todo critério, porque eu vi, pessoalmente, doações de terrenos serem votadas na Câmara Municipal, serem aprovadas, e semanas depois precisarem votar a revogação da doação do terreno, porque aquilo foi feito sem o menor critério. Tem que se discutir quantos empregos serão gerados, a qualidade desses empregos, se essas vagas vão ser efetivamente para a população bragantina, senão não adianta nada. Outra coisa que não aproveitamos são as duas instituições de ensino públicas, gratuitas, que existem na cidade, que trabalham com ensino técnico e superior, a FATEC e o IF-SP, instalados em Bragança. A Prefeitura não auxilia sequer na divulgação da existência desses cursos. A população ainda tem pouco conhecimento de que aqui existem instituições públicas de ensino. É uma parceria que pode inclusive fomentar a qualificação da mão de obra, que a cidade tanto precisa, para que se uma indústria se instalar, a população tenha condições de assumir essas vagas.
Renato Frangini – Nós temos hoje entre quatro e cinco mil desempregados, pelas estatísticas. E outros tantos empregados em outras cidades, como Extrema, Atibaia, Itatiba e Jundiaí. Nós queremos lançar o Pró Indústria, que é o maior programa industrial que Bragança Paulista já teve. Vamos oferecer, por meio deste programa, incentivos fiscais para que os empresários construam a sua empresa em Bragança e aqueles que desejem ampliar a sua empresa também vão receber esses incentivos. Quais são esses incentivos? Nós podemos abrir mão por até 20 anos da cobrança do IPTU, do ISS, ITBI, escrituras, alvarás. E vamos também devolver para o empresário que vier se instalar no município uma parte do ICMS a que o município tem direito. 50% é um direito do estado, não podemos mexer, mas uma parte, que é o direito do município, nós vamos abrir mão para incentivar esse industrial a recuperar em parte o capital que ele investiu. Então, o Pró Indústria é isso. É uma forma de você oferecer incentivos para que o industrial se instale aqui. Com isso, nós esperamos gerar mais empregos, queremos gerar de imediato cinco mil novos empregos, com expectativa de muito mais. Esse programa já deu certo em outras cidades que nós visitamos e elas estão prosperando, criando renda, emprego e, com isso, melhora o comércio, melhora toda a vida da cidade.
Gustavo Sartori – Infelizmente, tenho que concordar com o que foi demonstrado pelo CAGED e dizer que fiquei chateado com isso. Conversei com o Dr. Antônio Ricardo, que é o nosso vice, e infelizmente a nossa cidade foi a segunda que menos empregou na nossa região porque aqui não tem uma política de geração de emprego. Posso demonstrar por dados que o turismo emprega muita gente em Socorro, em Nazaré, em Atibaia, e por que em Bragança não é utilizado o turismo para gerar emprego e renda? A nossa cidade tem um potencial turístico muito grande, contando a represa, os museus, a pedra do Leite Sol, enfim, podemos fazer várias modalidades, inclusive o turismo rural. Na parte da industrialização, nós vamos incentivar o empresário local a expandir o seu negócio, a crescer, gerando emprego e renda, e vamos trazer novas indústrias para Bragança. Não temos grandes indústrias na nossa cidade há mais de 15 anos, perdemos a ampliação da Santher, que iria gerar 400 empregos diretos, quase perdemos a Tyco, com 1.200 empregos diretos. Na nossa administração, jamais isso vai acontecer. Nós temos que estender tapete vermelho para o empresário, abrir as portas, dar incentivos aos empresários que queiram investir no nosso município. Mas, ele vai ter que ter uma contrapartida bem simples com a gente. O empresário vai receber o terreno em doação, vai receber incentivos fiscais, vamos incentivar a construção de condomínios empresariais, mas a única contrapartida do empresário vai ser contratar pessoas do nosso município. A dificuldade na mão de obra será resolvida com a Prefeitura, em parceria com cursos profissionalizantes, com o SENAI, capacitando as pessoas para trabalharem nas empresas. Se os empresários levarem seis meses para construir a sua fábrica ou um ano, durante esse período, o município vai dar o curso de capacitação. Quando ele acabar a construção do seu prédio físico, a hora que ele inaugurar, ele vai ter a mão de obra qualificada da sua cidade. É essa contrapartida que nós vamos querer e vamos também querer um percentual para pessoas portadoras de necessidades especiais, que já é lei. Vamos querer ainda um percentual para jovens, para o primeiro emprego, porque o jovem hoje vai pedir o emprego e ele não tem oportunidade. O empresário pede experiência e como ter experiência se ele nunca teve a oportunidade de trabalhar? Na nossa administração, esse jovem vai ter a oportunidade de trabalhar.
João Carlos Carvalho – Vamos criar a Escola de Capacitação Profissional (ECAP), que vai trabalhar em pesquisa de mercado, dados estatísticos, o que precisamos para atender a demanda, o que falta na mão de obra, no que podemos qualificar a população. Vamos dar o curso, promover o estágio e vamos dar o primeiro emprego. Vamos criar uma central de monitoramento dentro da Prefeitura, para monitorar todas as vagas de mercado de trabalho de todo o município. O município vai fazer todo esse gerenciamento. Senão, eu dou o diploma, a pessoa sai bater perna pela cidade e acaba guardando o diploma em casa, dinheiro do município jogado no ralo, pois a Prefeitura paga professor, equipamento, hora/máquina. Não é justo o município só fazer o curso e largar nas ruas aqueles que fizeram o curso, tem que finalizar o projeto social. Vamos produzir dois novos distritos industriais, com toda infra-estrutura que hoje um grande empresário e grandes indústrias necessitam. Os incentivos que eles necessitem, o município precisa ter, que é a terraplanagem, isenção de IPTU, uma parte do ICMS, que em troca disso, eles consigam gerar o maior número possível de empregos. Esse é o objetivo, vamos colocar Bragança na rota das indústrias.
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