Nesta terça-feira, às 19h30, o Cineclube Edith Cultura exibirá o longa “A Culpa é do Fidel”, na sede da Ases (Associação dos Escritores de Bragança Paulista).
Esse foi o primeiro filme de ficção dirigido por Julie Gavras, filha do cineasta grego Costa-Gavras. A história retrata a vida de Anna de la Mesa (Nina Kervel-Bey), uma menina de nove anos que é uma perfeita lady. Seu pequeno universo é formado pelo colégio católico habitado por várias outras pequenas damas como ela, pela escola de natação e pela linda casa ajardinada onde mora com os pais, o irmão mais novo e a babá, que fugiu de Cuba após a revolução perpetrada por Fidel.
Mas toda essa harmonia é quebrada com a chegada da tia e da prima de Anna, que fugiram da Espanha após o assassinato do tio, um militante contra a ditadura de Franco. O pai, vivido por Stefano Accorsi, é um advogado espanhol que vive na França desde jovem. A morte do cunhado e a efervescência política da época (o filme se passa entre 1970 e 1971) levam-no a rever seus princípios.
Ele deixa o emprego, troca a casa por um pequeno apartamento e passa a atuar como intermediário do movimento para eleger Allende presidente do Chile. A mãe, interpretada por Julie Depardieu (filha de Gerard Depardieu), deixa seu posto como jornalista da revista Marie-Claire para escrever um livro-reportagem em prol do direito feminino à contracepção. O novo apartamento vive cheio de pessoas estranhas: os “barbudos” chilenos amigos de seu pai e um monte de mulheres chorosas, que dão depoimentos para o livro que a mãe irá escrever. Além disso, a garota passa a dividir um beliche com o irmão François. Dividida entre a realidade conservadora da escola e a complexidade das mudanças que, acima de tudo, afastam os pais de seu dia a dia, Anna se rebela.
Os pais se desdobram para lhe mostrar a importância do momento histórico, ao mesmo tempo em que tentam se convencer de estarem no caminho certo. O tempo todo a pequena desafia as convicções dos militantes e, com a convivência, amplia sua visão de mundo. Adaptado livremente do romance Tutta Colpa di Fidel, da jornalista italiana Domitilla Calamai que, assim como a diretora do filme, cresceu num lar comunista.
“A Culpa é do Fidel” é um filme bem-humorado, com tiradas inteligentes e engraçadíssimas. Mas o grande feito de Julie é retratar uma trajetória pessoal emocionante sem jamais ser piegas.
Após a sessão acontecerá o habitual bate-papo com os espectadores. O Cineclube Edith Cultura acontece de maneira independente, em parceria com a Ases. Todas as sessões são gratuitas. As colaborações ficam a critério do público presente.
O endereço é Rua Coronel Leme, 35.
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