SOBRE A VIDA QUE NOS LEVA

No texto dessa semana, opto por abordar um assunto, que foi muitíssimo comentado durante essa semana, e que por sua gravidade, acabou ganhando repercussão nacional. É óbvio que eu estou me referindo ao “crime da mala bragantino”. Ao corpo que foi encontrado dilacerado dentro de uma mala no Lago do Orfeu.

Mas, ao contrário do que já possam estar supondo alguns, não pretendo concentrar meus esforços argumentativos no horror de tal situação, nem no asco, ou medo, ou sentimento de insegurança que ela possa vir a causar na maioria das pessoas, até porque essa discussão já tem ocupado muito espaço em muitas mentes, que por sinal têm se utilizado até mesmo das redes sociais para exteriorizarem-se. Tenho acompanhado algumas dessas discussões, muito lúcidas, reflexivas e proveitosas, por sinal. Mas confesso que ainda não disponho de informações suficientes para exteriorizar minha opinião a respeito de tal caso.

Claro que compartilho desse sentimento coletivo de horror, mas não, não vou me deter a essa faceta do comportamento humano, nem tão pouco vou eu aqui redigir um tratado sobre a face do mal. Não, eu quero propor a você, leitor, exatamente o oposto. Gostaria que refletíssemos juntos sobre a VIDA.

Eu confesso que me pego vez por outra pensando sobre a VIDA, e não apenas quando de acontecimentos como o citado. É uma mania e uma necessidade minha pensar sobre a VIDA. Restam-me sempre mais perguntas que propriamente respostas, e acho que é por esse motivo mesmo que não me canso de investigá-la. O que é afinal a nossa VIDA?

Muito do que observo e experiencio me leva à constatação tétrica de que nossa vida, ou a vida da maioria das pessoas, tem se resumido a um condicionamento doentio e aprisionador, a um vazio imenso de significado. Fazemos sempre as mesmas coisas e pelos mesmos motivos. Buscamos a ascensão social e econômica, ao passo que retrocedemos enquanto seres espirituais. Tais como máquinas, nos colocamos a serviço daquilo que, ilusoriamente seria progresso e realização, mas no fundo não passa de uma farsa. Compactuamos com essa farsa, toda vez que nos negamos VIVER  e gozar de forma plena e consciente dessa VIDA. Com rotinas intermináveis, cansaços intermináveis, buscas intermináveis por satisfação. Buscas essas que parecem encontrar algum paliativo no consumismo exacerbado, quanta ilusão! O que nos falta não pode ser comprado.

Temos nos negado amores, sorrisos, passeios aos fins de tarde, conversas, risos e tudo isso em nome da segurança e da estabilidade de um futuro que nem ao menos sabemos se haverá, e ainda que houvesse, seria muito limitado imaginar que nossa vida se resume a isso e apenas a esse plano. Acho que Jesus não se referia a essa vida quando afirmou que nele teríamos VIDA e vida em abundância. Duvido muito que ele estivesse se referindo a essa nossa frenética e ilusória vida pós-moderna, tão cheia e tão vazia. A essas nossas relações tão frias e distantes, que já não conseguem nos afetar como seria normal que fizessem. A essa nossa ansiedade por TER em detrimento ao SER. A essa burra obsessão por acumular riquezas materiais. Não, isso não é vida, muito menos vida abundante.

O Deus encarnado tinha um projeto muitíssimo superior ao qual atribuía o nome de vida. Nesse projeto, palavras como AMOR, COMPAIXÃO e FRATERNIDADE tinham significado vivo. Daí eu concluí que muitos de nós vêm se iludindo, pensando estar vivendo, quando na verdade, nem se quer têm existido.

Basta pensar, e esse é um exercício dos melhores pra quem quer ter consciência, na vida que ele mesmo levou. Uma vida marcada por uma intensa doação ao outro, seu semelhante, como ele mesmo gostava de chamar. Uma vida de simplicidade absoluta e sabedoria na mesma proporção. Uma vida que não se limitava a esse plano e por isso mesmo não se prendia a valores e ambições temporais, ou a vaidades e pequenos ódios. Uma vida plena, plenamente voltada para o exercício do amor.

Nossa vida, em comparação a essa, como tem sido? Você tem consciência do porquê de estar aqui?

Ele tinha, e o tempo todo. Consciência plena de sua missão. Talvez seja essa consciência, o que nos falte e só uma busca constante por autoconhecimento nos conduzirá a alguma resposta, que por sua vez, é quase certo, nos conduzirá a Ele. Andamos nos esquecendo de que somos prioritariamente seres espirituais, como diria C. S. Lewis “Você não tem alma. Você é uma alma. Você tem um corpo”.

E assim sendo, não se amedronte, que sua alma jamais poderá ser encerrada em uma mala.

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