Em entrevista ao Jornal Em Dia Bragança, vereadora rebateu “mentalidade de desvalorização imobiliária” e destacou que dignidade humana é o verdadeiro motor do desenvolvimento urbano
A tribuna da Câmara Municipal de Bragança Paulista foi palco de um contundente discurso em defesa da justiça social na última terça-feira, 10. Durante a 2ª Sessão Ordinária de 2026, a vereadora Soninha da Saúde (PP) posicionou-se firmemente contra a resistência de setores da sociedade à construção de 400 novas unidades habitacionais nos bairros Vila Romana e Jardim Vista Alegre.
O projeto, que integra o programa federal Minha Casa, Minha Vida em parceria com a gestão do prefeito Edmir Chedid, prevê a edificação dos conjuntos habitacionais Tarquínio Tomazzeto e Tóquio Kitami. Ao todo, serão 400 apartamentos de 45 metros quadrados destinados a famílias com renda de até dois salários-mínimos.
Para a parlamentar, o argumento de que a chegada de moradias populares desvaloriza o entorno carece de fundamento técnico e revela uma visão segregacionista. “É um pensamento medíocre de quem não possui visão de crescimento. O que realmente desvaloriza um bairro é o abandono, a existência de áreas de risco e a falta de saneamento básico, não a oferta de moradia regular e digna”, afirmou Soninha.
A vereadora utilizou o exemplo histórico do Bairro Jardim da Fraternidade – antigo mutirão – para ilustrar como a ocupação organizada transforma regiões em potências comerciais e sociais. Segundo ela, o planejamento urbano deve servir para integrar e não para excluir aqueles que movem a economia da cidade, mas não possuem acesso ao crédito bancário tradicional.
Em conversa com a reportagem do Jornal Em Dia Bragança, Soninha reforçou que as áreas escolhidas já são classificadas legalmente como Áreas de Interesse Social (AIS) no Plano Diretor. Ela ressaltou que os locais já contam com infraestrutura de escolas, unidades de saúde e transporte público, o que garante que o projeto não seja um “improviso”, mas uma execução técnica responsável.
“A gente que é pobre muitas vezes não consegue planejar o amanhã porque a prioridade é o gás, o aluguel e a comida na mesa. Dar a essas famílias o direito ao seu canto é permitir que elas planejem a vida e tenham ascensão social”, declarou a parlamentar
Ela encerrou sua fala fazendo um apelo à empatia dos moradores que hoje se opõem aos empreendimentos, lembrando que muitos dos que hoje vivem em áreas consolidadas também se beneficiaram, no passado, de políticas públicas de incentivo.
“Defender moradia digna não é ideologia, é compromisso com o ser humano. Uma cidade justa é aquela que oferece oportunidade para todos, valorizando não apenas o metro quadrado, mas a dignidade de quem trabalha e ajuda Bragança a crescer”, finalizou.
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