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SUB-VERSÃO

Sigamos!

“Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente”.

Paulo Freire

         Quando pisei pela primeira vez o solo sagrado da sala de aula, nem ao menos o reconhecia assim. Era só uma menina de 21 anos e algumas idealizações. Não conhecia as regras do jogo, as burocracias burras do sistema, nem mesmo a importância do que estava prestes a realizar ali.

         Sobre as regras, um aluno dos mais rebeldes que conheci, logo me alertou: -Se você não sabe as regras, só vou respeitar quando souber. De fato, eu não sabia, ninguém me orientou sobre essa necessidade de listar atitudes e comportamentos esperados, nem o quanto isso era essencial quando se tratando de alunos do Ensino Fundamental II.

         Na minha cabecinha avoada de menina idealista, bastava chegar com minha paixão por ensinar, e pronto! Ledo engano! A sala de aula e seus personagens eram e são ainda muito mais complexos que essa minha inocente pretensão. E o fato é que aprendo muito mais do que ensino.

         Logo me dei conta de que ser professora não era assim tão fácil como eu pensava ou como me fizeram acreditar as aulas na universidade. Entendi que a educação era sim, meu desejo e também o desafio que moveria minha vida. A sala de aula é composta por seres humanos, cada um com suas particularidades, universos inteiros diante dos meus olhões curiosos.

         Desde aquele primeiro dia, já se passaram vinte anos... Não sou mais a menina de 21 anos e muitas expectativas; sou hoje uma mulher de 41 anos e muita, muita paixão ainda pela educação. Mas ainda não conheço todas as regras, confesso; as crio diariamente com o auxílio de seres humanos incríveis com quem a educação tem me presenteado.

         Já entendo, apesar de ainda não aceitar, as imposições do sistema. É, a menina idealista ainda vive em mim. Compreendo com pesar as inúmeras tentativas de desmonte de nossa classe, as investidas cruéis contra os seres humanos, que, por vocação e vontade, escolheram lidar diariamente com outros seres humanos em constante formação. Luto para que um dia esse quadro se modifique, afinal, ser professor e não lutar é uma contradição pedagógica.

         Lutamos todos os dias contra o sistema e as mazelas que invadem nossas salas de aula Brasil afora. Mas por que somos professores, e o que nos move é a gana por transformação, seguimos!

         Neste Dia dos Professores, peço a Deus que nos conceda o privilégio do encanto, apesar das dificuldades todas; do amor, apesar do descaso; da persistência, a despeito das forças contrárias; da ousadia de seguir fazendo da sala de aula um palco de transformações sociais, apesar da predileção política pela manutenção do status quo.

         Que eu siga, apesar dos meus 41 anos, com o assombro e o encanto daquela jovem diante do universo incrivelmente belo e contraditório da sala de aula! Que sigamos todos nós, professores!

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