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Crônicas de um Sol Nascente

Os harukistas

Na semana passada, houve o anúncio do vencedor do almejadíssimo Prêmio Nobel de Literatura, que, desta vez, foi para o escritor húngaro László (soletrem comigo) Krasznahorkai.

E, antes do anúncio, claro, houve as tradicionais apostas que, neste ano, tiveram até mesmo um brasileiro bem-posicionado na lista. Não, não sou eu (ainda). Refiro-me ao grande Milton Hatoum, eleito recentemente para a Academia Brasileira de Letras, e que agora tem o seu nome cogitado no maior prêmio da literatura mundial. E merecidamente, diga-se de passagem: pois Hatoum é, de fato, um escritor de mão cheia. Tive o prazer de conhecê-lo, ainda adolescente, numa ocasião em que visitou nossa escola em Manaus – recebi inclusive de suas mãos o maravilhoso “Relato de um certo Oriente”, que viria a se tornar um verdadeiro clássico da literatura nacional.

Mas seguindo com o tema do Nobel 2025. Para além de Hatoum – e outros grandes nomes como Margaret Atwood e Salman Rushdie – também figurava muito bem na lista dos possíveis vencedores o escritor japonês Haruki Murakami. E isso pela enésima vez.

Sim, todo ano é a mesma história: Murakami é um dos favoritos para o Nobel! Não que sua obra não mereça, faço questão de deixar claro – li, entre outros, seu livro “Do que eu falo quando falo de corrida”, que simplesmente adorei. E isso sem falar, claro, de seus cebradíssimos romances, entre os quais “1Q84” e “Norwegian Wood”.

Que Murakami é, portanto, um ás da literatura, isso ninguém nega. Mas, talvez, toda essa campanha para que ele leve o Nobel esteja se tornando chata e até desnecessária.

Pois, sinceramente, Murakami não precisa de um Nobel para ser mais do que já é: um dos escritores mais lidos e admirados do planeta.

Tanto que tem até mesmo uma legião de fãs conhecidos como... harukistas.

É isso mesmo, amigos da Globo. Os harukistas – que, no Japão, reúnem-se todos os anos para torcer, em clima de Copa do Mundo, pelo “Nobel de Murakami”.

Sim, senhor. Todo santo mês de outubro, nos muitos bares de Tóquio, lá estão eles, os harukistas, enchendo a cara enquanto esperam pelo anúncio do prêmio. E o mais legal disso tudo é que, quando descobrem que mais uma vez não deu para o nosso bravo Haruki, é que a festa fica mais animada. Algo do tipo: “Mais cerveja, seu garçom!”. Reginaldo Rossi, aliás, ficaria orgulhoso...

Assim como eu também ficaria. Pois, como escritor, sonho com isto: ter uma legião de bebuns fãs de minha obra, independentemente se ganho prêmios ou não.

Essa, aliás, deveria ser a essência de toda a Literatura: chegar aos corações humanos e lá permanecer – criando, assim, um grupo de leitores que sejam fiéis ao escritor em qualquer situação.

Ou, pelo menos, até que a cerveja acabe.

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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residindo no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2024, seu livro obteve o Primeiro Lugar no Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) da UBE-RJ. Também em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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