Sem discussões, vereadores realizam sessão de cerca de meia hora

Nada como a campanha eleitoral para promover uma mudança de hábitos na Câmara Municipal. Com quase a totalidade dos vereadores envolvidos nas Eleições 2012, a sessão da última terça-feira, 10, também foi realizada rapidamente, em cerca de meia hora, a exemplo do que havia ocorrido no dia 3 de julho, quando a sessão durou pouco mais de uma hora.

Outra mudança que se percebe é o atraso no início dos trabalhos. Há algum tempo que a sessão é iniciada com quase 30 minutos de atraso.

Apenas dois vereadores usaram o espaço destinado a manifestações na terça-feira.

Toninho Monteiro falou sobre o IML (Instituto Médico Legal). De acordo com ele, o órgão não está funcionando na cidade por falta de profissionais, conforme havia sido alertado pelo vereador há cerca de 10 dias. Toninho considerou a situação uma falta de respeito com a população, que agora precisa enviar os corpos de entes queridos ao IML de Jundiaí. Ele observou ainda que nem todos têm condições financeiras para isso e apontou que as funerárias vão acabar lucrando ainda mais.

O vereador afirmou que Bragança Paulista está perdendo as características de sede da região e citou que órgãos como a Polícia Ambiental, CETESB e o AME (Ambulatório Médico de Especialidades), em vez de se instalarem aqui, foram para Atibaia.

Toninho declarou que recebeu informações de que o IML de Bragança não vai funcionar por cerca de três meses, até que profissionais concursados sejam chamados. Por fim, ele cobrou também melhores condições aos funcionários que trabalham no local.

Em seguida, o vereador Marcus Valle usou a palavra e considerou o caso da paralisação do atendimento no IML local um absurdo. Depois, ele contou que continua recebendo muitas reclamações sobre a demora no atendimento na Unidade de Pronto-atendimento (UPA) Bom Jesus. Segundo ele, os relatos dão conta de que é preciso esperar de cinco a seis horas por atendimento. “Deve ser uma terapia alternativa para curar ansiedade”, brincou o vereador, cobrando solução da Prefeitura.

Marcus comentou também que o prédio da Câmara foi apedrejado, uma prova de que realmente não está havendo cuidado com o patrimônio público por parte da administração.

Além disso, o vereador afirmou que recebeu denúncia de que no ribeirão dos Araras dos Leme está havendo despejo de dejetos de suinocultura. Luiz Sperendio, que é morador da região, confirmou o fato e disse que a ação está ocorrendo de madrugada, mas que antes era feita à luz do dia. Marcus contou que já avisou a Secretaria do Meio Ambiente (SMA) sobre o caso e que representantes dela foram ao local. Aparentemente, os dejetos estão sendo jogados em área do município de Pedra Bela e, assim, a SMA não poderia agir. Marcus disse então que denunciou o caso à CETESB.

Outro assunto tratado pelo vereador Marcus Valle foi o projeto do novo contrato entre o município e a Sabesp. Segundo ele, o projeto que deu entrada na Câmara é diferente daquele disponibilizado no site da Prefeitura e distribuído há cerca de um ano aos vereadores. Em comparação com o contrato apresentado no município de Taubaté, também há alguns problemas. De acordo com Marcus, constava naquele projeto investimento de R$ 60 milhões mais 4% da arrecadação bruta mensal. Mesmo assim, a Câmara de Taubaté rejeitou a proposta. No projeto apresentado em Bragança, segundo o vereador, não consta investimento algum.

Além disso, outras questões que Marcus acha importante discutir e constar em contrato são a instalação de uma agência da Sabesp em Bragança, a fim de solucionar problemas de forma mais rápida; a comunicação prévia de obras no pavimento e, quando as obras ocorrerem, que o asfalto seja refeito com qualidade, o que não tem acontecido.

O vereador apontou ainda que consta na minuta do contrato anexado ao projeto que tramita na Câmara a isenção total de impostos à Sabesp por 30 anos, o que ele não acha que deva constar.

Com a concordância dos vereadores, ficou definido que representantes da Prefeitura participarão da reunião da Comissão de Justiça na próxima terça-feira, 17, às 18h30, para debater o projeto.

Foram aprovados os três projetos mencionados na pauta. Eles dizem respeito à criação, estruturação e funcionamento do Conselho Municipal sobre Álcool e Drogas (COMAD); proibição do uso de aparelhos de celular, games, ipod, mp3 em salas de aula; e  declaração de utilidade pública à Associação Beneficente Cultural Educacional e Social Bragantina.

A sessão terminou por volta das 21h05 e foi realizada com apenas dez vereadores. Isso porque Régis Lemos já teve decretada a perda de seu mandato de vereador e a suplente Maria de Lima ainda não assumiu a cadeira.

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