“Vamos fazer nosso dever de casa,
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis,
Fazer comédia no cinema com as suas leis...”
(Geração Coca-Cola, Legião Urbana)
Escolas invadidas? Não, escolas ocupadas!
Como professora de Língua Portuguesa, sinto que cabe a mim diferenciar os termos: invadir e ocupar, já que a mídia vem usando os dois indistintamente, como se significassem a mesma coisa. Alunos não invadem escolas, as escolas lhes pertencem, alunos ocupam as escolas quando Excelentíssimo governador do estado resolve, sem prévio diálogo, remanejá-los, pouco importando-se com o transtorno que isso possa causar na vida de cada um deles.
É fato que esse governo vem sucateando a educação de nosso estado há anos, então, não me surpreende o fato de que siga tratando seus alunos como números e usando a educação como meio de obter lucro. O que me surpreendeu foi a reação desses alunos, muitas vezes, vistos pela sociedade como seres alienados.
Eles estão nos ensinando algumas lições, a primeira delas é nunca subestimar o poder de ação dos jovens, a segunda talvez além de uma lição, seja um chamamento, um chamamento à mobilização. Há tempos que eu sonho com o dia em que esse país reconheça o valor da educação e lute por ela, tal qual estão fazendo os alunos nas escolas ocupadas por todo o estado de São Paulo. Obviamente que há aqueles que pouco preocupados estão com a situação, que sequer abrem o caderno durante todo um ano letivo, mas quero crer que sejam eles minoria.
O Brasil tem me surpreendido muito. E eu sempre adorei surpresas. São golpes que não acabam mais. Andam ferindo a democracia, mas é exatamente quando ela se sente mais ferida que seus filhos autênticos entram em ação. Aqueles que sabem do horror dos regimes não-democráticos, que sentiram e sentem ainda na pele as dores de uma ditadura, ou simplesmente têm conhecimento acerca dessa página sangrenta de nossa História, esses hão de defendê-la, e seus filhos e seus netos, a qualquer custo. Seja enfrentando um governador-ditador, com carteiras na rua e escolas ocupadas, seja fazendo ouvir suas vozes contra um golpe.
E se eu pudesse, deixaria um recado aos estudantes valentes desse nosso estado: Não se enganem, não desocupem as escolas, permaneçam firmes, Alckmin está fazendo só uma manobra, ele apenas suspendeu a reorganização, não desistiu de seu plano ainda.
E sobre aquela escola destruída... assunto para reportagem global, fiquem tranquilos, nós sabemos quem são os verdadeiros vândalos.
E mais, quando forem votar, por favor, lembrem-se disso tudo, e reorganizem o governo do estado de São Paulo!
Ana Raquel Fernandes
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