A polêmica da vez, caro leitor, é o subsídio do transporte público em Bragança Paulista. O assunto é bastante complexo.
Por um lado, a administração quer implantar o subsídio para cumprir uma promessa de campanha. Afinal, este foi o primeiro compromisso anunciado por Renato Frangini, assim que foi declarado candidato a prefeito pelo Grupo Chedid, na convenção realizada no final de junho do ano passado.
O argumento principal do prefeito é de que o subsídio vai deixar a tarifa mais barata e que isso vai influenciar diretamente no orçamento da população mais carente.
Isso é verdade. Porém, a população tem que estar ciente de que estará pagando o valor subsidiado de outra maneira, por meio dos impostos que ela já tem de pagar, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). O que vai mudar é que a Prefeitura deixará de aplicar recursos, ou aplicará menos recursos, em algumas áreas para subsidiar o transporte.
Só para este ano, serão R$ 6 milhões que deixarão de ser aplicados em Cultura, Desenvolvimento Econômico, Assistência Social, Finanças, Serviços, Trânsito e Segurança. É uma troca viável?
Há quem diga que o subsídio é ainda uma forma de beneficiar as empresas. Pode ser também. Quem fornece vale-transporte a seus funcionários, por exemplo, passará a ter menos gastos, já que parte da tarifa será subsidiada pelo município. Imaginem o impacto da medida em empresas de grande porte, com centenas, milhares de funcionários.
E, por mais incrível que pareça, a empresa concessionária do transporte público na cidade está contra a proposta, como o leitor pode acompanhar em reportagem sobre a audiência pública que discutiu o tema. Representante da empresa chegou a sinalizar que a empresa pode quebrar se passar a receber parte da tarifa em longos prazos.
Seria então o subsídio uma tentativa de repelir a Nossa Senhora de Fátima da cidade para dar espaço a outra ou outras empresas mais convenientes, já que é de conhecimento público que os mandatários do grupo que governa Bragança atualmente são proprietários de empresas desse setor?
Enfim, o subsídio pode ser algo a se pensar em benefício da população mais carente, mas é preciso avaliar se a forma como ele está sendo implantado é a melhor, a mais coerente. A luta para que a verba de vários setores aumente é árdua, especialmente no setor de Cultura. Não é justo retirar R$ 1 milhão dessa pasta, em hipótese alguma.
Mas, infelizmente, essa é uma batalha praticamente perdida porque o projeto do subsídio ao transporte público depende de maioria simples para ser aprovado e a base aliada ao prefeito tinha dez e hoje tem 12 vereadores, a julgar pela votação da presidência da Câmara. Vereadores, a exceção de Jorge do Proerd, que sequer se manifestaram durante a audiência pública, e que não votarão contra seu grupo político por razões óbvias. Resta saber se é esse tipo de representação que os eleitores esperavam dos nobres edis.
0 Comentários