news-details
Meio Ambiente

Nossos bosques têm mais vida

Há mais de trinta anos, o médico Drauzio Varella navega com sua “Escola da Natureza” pela bacia do Rio Negro, um dos três maiores rios do mundo, afluente do Rio Amazonas, o sétimo do mundo em volume de água, entre outras singularidades.

Tudo é desmesurado nessa região esquecida, ou melhor, desconhecida, do mundo. Drauzio estuda plantas que desconhece e faz conhecer uma riqueza vegetal intocada que deve ser preservada.

No livro “O Sentido das Águas histórias do Rio Negro” o médico conta enfeitiçado os mistérios, riquezas e tristezas que foi descobrindo ao longo do rio.

“A observação mais atenta me mostrou uma dimensão da floresta que eu desconhecia, um organismo vivo formado por infinitos nichos ecológicos de características diversificadas: árvores, arbustos, cipós, samambaias, bromélias, orquídeas, fungos, microflorestas de briófitas agarradas aos troncos e uma miríade de insetos polinizadores. No decorrer de milhões de anos, a seleção natural ensinou esses seres a cooperar uns com os outros para construírem o conjunto exuberante que chegou até nós”. E não só.

Faz parte desse ecossistema a presença das populações originárias que habitam a região há mais de doze mil anos cultivando determinadas plantas e eliminando outras de acordo com seus interesses, enfatiza Varella. Só nessa região, vivem vinte e três etnias. E é desse frágil equilíbrio e sentido de cooperação que depende, no final, o futuro do planeta Terra... se deixarmos. Pois no mundo amazônico, o real e o imaginário andam por ali de mãos dadas pelo cotidiano. E nada está dado de antemão.

E foi assim que o jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira perderam a vida em 2022 às margens do Rio Itaquaí. Dom queria entender o porquê das coisas e procurava divulgar as boas soluções que encontrava e não só no Brasil. Acabou mexendo em vespeiros inesperados ao entender os ciclos da destruição planejada... invasão de terras, desmatamento, incêndios, grilagem, assassinatos, garimpo ilegal... e mais recentemente, entre outros, uma acelerada abertura de novas pastagens para o gado, segundo levantamento mais recente da rede MapBiomas.

A interrompida pesquisa-reportagem de Dom foi concluída por colaboradores que publicaram “Como salvar a Amazônia: uma busca mortal por respostas”, pela Companhia das Letras.

No ano passado, 88% do desmatamento da Amazônia ocorreu em áreas de vegetação primária e apenas 12% em áreas de vegetação secundária, aquelas em processo de regeneração: projetos para a produção de biocombustíveis a partir de milho e soja, por exemplo, recebem subsídios destinados à recuperação de terras degradadas. Torna-se imperativo, avaliam estudiosos, controlar a expansão da pecuária e da monocultura extensiva que “pressionam a floresta” e comprometem ao mesmo tempo a segurança alimentar das populações locais.

A forma de produzir, distribuir, consumir e descartar alimentos é a outra ponta da mesma problemática de viés ambiental – a emissão de gases de efeito estufa. O grande desafio é aliar novos arranjos produtivos para, segundo Lívia Pagotto, da rede “Uma concertação pela Amazônia”, melhorar a qualidade de vida dos amazônidas, o equilíbrio climático e o uso da terra.

Os desafios são grandes: manter a floresta de pé significa “buscar um novo modelo de desenvolvimento que articule justiça social, segurança alimentar e integridade”, afirma a diretora do Instituto Clima e Sociedade. A recuperação para a lavoura de áreas abandonadas pela pecuária, a arborização de pastos e o uso de bioinsumos são algumas das técnicas já em uso para aumentar a produtividade, reduzir as emissões de carbono, restaurar o solo e “aumentar a resiliência dos sistemas produtivos”, segundo o pesquisador Paulo Barreto do Imazon, que há 15 anos estuda os sistemas de produção na região.

Agora, mais de trinta anos depois da ECO 92, realizada no Rio de Janeiro, a COP 30 – Cúpula do Clima, conferência mundial das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, acontece em novembro, em Belém.  

Em discussão, estão a redução de gases de efeito estufa, adaptação às mudanças climáticas, financiamento para projetos de energia renovável, preservação das florestas, justiça climática e impactos sociais das mudanças climáticas, entre outros temas urgentes. 

Espera-se a presença de mais de 40 mil pessoas.

Teresa Montero Otondo

Integrante do Coletivo Socioambiental Bragança Mais

***

Siga o JORNAL EM DIA BRAGANÇA no Instagram: https://instagram.com/jornalemdia_braganca e no Facebook: Jornal Em Dia

Receba as notícias no seu WhatsApp pelo link: https://chat.whatsapp.com/Bo0bb5NSBxg5XOpC5ypb9D

 

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image