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SUB-VERSÃO

O melhor dia da minha vida

A Sub-versão desta semana traz um texto comovente, escrito por duas alunas minhas a respeito da morte da menina Ágatha Vitória Sales Félix.

A proposta que lhes fiz pedia que escrevessem, de forma imaginativa e empática, como teria sido o decorrer do fatídico dia 20 de setembro na vida da pequena Ágatha, até o momento em que um disparo a levaria à morte.

Eu ainda acredito na necessidade de se educar almas. Por isso, essa proposta: colocar-se no lugar de Ágatha. Os resultados foram surpreendentes e só me motivam ainda mais a perseverar na profissão que escolhi e me escolheu. Com vocês, o texto:                                                  

O melhor dia da minha vida

Oi, pessoal! Meu nome é Ágatha e tenho 8 anos. Hoje, vou contar o dia da minha morte.

Em uma manhã de sexta-feira, minha mãe me acordou às 7h30 para eu ir ao balé. Chegando lá, encontrei minha amiguinha chamada Manu. Nossa professora estava ensinando passos para nossa apresentação no final do ano, ocasião em que eu serei a bailarina principal.

Saímos de lá e fomos direto para a lanchonete do meu tio Danilo. Ele combinou com minha mãe de darmos um passeio no centro da cidade depois da minha aula.

Logo depois, chegamos em casa e fui direto pro meu quarto escolher minha fantasia e meu brinquedo, pois seria dia do brinquedo na escola.

Fui tomar banho e me arrumar, depois fui para a sala mostrar o resultado para minha mamãe. Ela deu um sorriso orgulhoso, dizendo “Minha menina...”. Então, mamãe pegou o celular e tirou uma foto minha usando minha fantasia de mulher-maravilha.

Enquanto eu almoçava, ela arrumava minha lancheira. Eu estava pronta, então fomos para o portão esperar minha van.

Chegando na escola, encontrei minhas amigas Manu e Teté.

Assim que minha aula acabou, fui para a biblioteca, pegar o livro para fazer a lição de casa.

Cheguei em casa e meu tio estava à minha espera para irmos ao centro da cidade fazer compras. Depois de um tempo, a Kombi chegou para nos levar ao nosso destino.

Quando chegamos lá, foi a melhor tarde da minha vida! Meu tio foi como um pai para mim, já que não conheci o meu papai de verdade, mas eu o amo mesmo tendo nos abandonado.

Voltando do passeio, estávamos na Kombi, meu tio desceu para ajudar outros passageiros com as compras. Abracei minha mamãe, quando ouvi a sirene da viatura. Então, falei a ela:

- Hoje foi o melhor dia da minha vida! Eu te amo, mamãe!

Quando acabei de falar isso, senti uma dor muito forte nas minhas costas, junto com o som de um disparo. Fechei os olhos, ouvindo minha mãe me chamando, desesperada.

Acordei no hospital, mas logo vi uma luz forte e quatro crianças me chamando. Decidi ir junto com elas e ouvi o som de uma máquina apitando. Não liguei e continuei indo em direção às crianças.

- Onde estou? Por que não estou sentindo dor?

E uma delas respondeu:

- Você está no paraíso, Ágatha! Aqui não há dor ou sofrimento...

Autoras: Giovanna Lima dos Santos e Biara Cristina de Sousa Barbosa, minhas queridas alunas do 7º ano C, da E. M. E. F. Sargento Sebastião José Monteiro, situada no município de Vargem-SP.

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