Não se podem negar os fatos

Nessa semana, Bragança Paulista voltou a vivenciar uma noite de violência. Na verdade, em diversos pontos do Brasil e do mundo, a semana foi marcada por fatos violentos.

Isso não é algo típico no município, que possui índices satisfatórios na área de segurança pública.

Após os incêndios frustrados em três ônibus e um mercado ser alvo de tiros, as autoridades policiais locais trataram o assunto como “atos isolados de vandalismo”.

Ora, em que outra ocasião três coletivos foram incendiados em Bragança na mesma noite? Serão mesmo atos isolados, ocorrências cotidianas, praticadas individualmente por pequenos delinquentes, coincidentemente na mesma noite? Ou foi uma ação orquestrada por um grupo organizado, uma facção?

Vale ressaltar que uma noite de violência não muda o perfil do município, de uma cidade relativamente segura, mas, também não devemos acreditar que três ataques a ônibus e um ataque a um mercado sejam ocorrências normais.

Bragança Paulista não está e nem deve se acostumar a esse tipo de ocorrência policial. Isso não é corriqueiro e é no mínimo ingênuo pensar que foram atos isolados.

Basta ter contato com os policiais militares que estão na linha de frente do patrulhamento para notar a preocupação que pairou no ar nos últimos dias.

Voltando um pouco no tempo, no ano de 2006, todo o estado de São Paulo vivenciou uma onda de ataques contra instituições e policiais.

Violência essa que não foi por acaso, foi um contra-ataque do crime organizado à Secretaria de Administração Penitenciária que, na ocasião, havia isolado em presídios de segurança máxima líderes de uma facção. Na onda de ataques de 2006, cerca de 30 policiais civis e militares, além de agentes prisionais perderam suas vidas, vítimas desses atentados.

Já agora, em 2012, embora o assunto não tenha tido o mesmo destaque midiático de 2006, somente entre janeiro e agosto, 48 policiais foram mortos em todo o estado de São Paulo, fora de horário de serviço. Recentemente, em Atibaia, um militar à paisana foi alvo de tiros e felizmente conseguiu sobreviver.

Os fatos ocorridos nessa semana em Bragança certamente tiveram uma motivação. Assim como a polícia de Bragança não é isolada da polícia do estado, a criminalidade também não é. Portanto, por mais que estejamos num município relativamente seguro, podemos presenciar aqui reflexos de ações realizadas em outras cidades, principalmente da região.

A sensação de segurança foi abalada e prova disso são mensagens expedidas pela PM, solicitando atenção redobrada aos oficiais, principalmente no horário de folga e inclusive sugerindo a eles que evitem frequentar regiões com altos índices de criminalidade.

Tamanha cautela seria para se precaver apenas de vândalos?

É preciso admitir que Bragança foi alvo, sim, de uma ação orquestrada pelo crime organizado. Não para aumentar a sensação de insegurança ou desestabilizar a ordem. Mas para que a cidade e suas competentes forças de segurança estejam preparadas para enfrentá-lo, caso necessário, e continuar protegendo a população.

Aliás, o que tem sido feito com exímia competência desde a noite da última terça-feira, 11. Desde a primeira ocorrência, equipes que estavam no estádio do Bragantino foram deslocadas para a rua, policiais que estavam de folga foram acionados para aumentar o efetivo de patrulhamento ostensivo, folgas foram cortadas e turnos foram estendidos.

Isso, sim, trouxe à população a necessária sensação de segurança num momento de insegurança.

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