Foto: Arquivo pessoal
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Cultura

Na semana em que se comemora o Dia Nacional do Livro, Jornal Em Dia entrevista o escritor bragantino Antônio Sonsin

No dia 29 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Livro. Para homenagear essa data tão importante, o Jornal Em Dia entrevistou o autor bragantino Antônio Sonsin, que já escreveu dezenas de livros, entre eles, “Bragança Paulista 250 anos” e “José de Lima: uma história de sucesso”, sobre o ex-prefeito da cidade.

A reportagem iniciou a entrevista perguntando a Antônio desde quando vem sua paixão pela escrita. “Sempre gostei de escrever. Com 12 anos, apaixonado por teatro, escrevi uma peça, que encenei com amigos. Entre os 15 e 22 anos, participei de vários festivais de música, sempre escrevendo as letras. Claro, que nada tão bom que merecesse um destaque, mas essas eram as atividades que eu gostava”, disse.

Questionado como foi Antônio Sonsin na escola, ele se diverte. “(Risos). Na escola nunca fui um bom leitor e ainda hoje tenho dúvidas sobre os grandes romancistas indicados por professores, às crianças de 9, 10, 11 anos. Eu, por exemplo, não entendia nada do que Machado de Assis escrevia. Acho que a literatura deveria estar mais próxima do povo, de sua linguagem rotineira, de acordo com seu tempo. Isso não significa que hoje não gosto do Machado de Assis, mas apenas que aquilo não era para a minha idade. Posteriormente, conheci Jorge Amado e adorei, aquilo era uma viagem a um Brasil pouco conhecido, mas ele escrevia de um jeito simples, ainda que usasse termos regionais”, relatou.

Sonsin falou também da época em que conheceu Chico Experiência. “Ele foi nosso professor de história e se tornou um amigo, disponibilizando uma imensa quantidade de livros, romances, política, filosofia, história, teatro etc, e abrindo nossa mente para o mundo”.

Após essa fase, que, de acordo com o escritor, se encerrou aos 20 anos de idade, a literatura foi apenas uma questão de consumo, como espectador e leitor dos grandes escritores mundiais. Por volta dos 45 anos, ele conta que resolveu escrever sobre Bragança e esse foi seu primeiro livro lançado.

“Lançar um livro não é fácil no Brasil. É caro. Hoje um escritor para ter sucesso precisa de um editor, um assessor de imprensa, um promoter, além do interesse de uma editora. Coisa difícil!”, defendeu.

O primeiro romance que ele escreveu foi uma história baseada na guerra do Paraguai. Segundo Sonsin, foi preciso enviar cópias para várias editoras, mas nenhuma delas se interessou. Ele contou também que chegou a enviar cópias com páginas coladas. Em resposta, as editoras diziam que o tema da obra não era interessante. “O interessante é que esse livro sobre a guerra do Paraguai é o que mais vendo até hoje”, contou o escritor.  

Antônio Sonsin afirma que, nos dias de hoje, há várias editoras que trabalham sobre demanda, fato que facilita as vendas da publicação, já que o mesmo livro acaba sendo vendido em várias plataformas, tais como: Livraria Cultura, Americanas.com, Mercado Livre, Submarino, Ponto Frio, etc. “Livrarias como a Amazon colocam seus livros nos principais países do mundo. É interessante que mesmo eu não sendo conhecido, vendo meus livros no Japão, e bastante por sinal, também em lugares como Ucrânia, Irã, e outros países que eu jamais imaginaria vender. Sempre penso que deve ter algum brasileiro perdido em algum lugar, querendo ler qualquer coisa”, observou. 

Em seguida, o autor falou sobre o livro “Rainhas da Noite”, uma trama policial baseada em prostituição, tráfico de drogas e corrupção. O livro fez com que ele ficasse por vários meses nas ruas durante a madrugada no ano de 2004. “Eu precisava aprender o linguajar, conhecer histórias e saber como as coisas funcionavam no submundo, e aprendi também que muitas vezes nossos personagens criam vida própria e mudam o rumo das histórias que imaginamos”, explicou.

O entrevistado falou que, depois disso, começou a escrever sem parar. Então, veio o livro “36 horas”, história que ele imaginou a partir de uma frase de Mussolini, dita por um amigo, num banco da praça. Segundo Sonsin, ele foi para casa nesse mesmo dia e, em uma noite, o livro estava pronto.

Depois do lançamento de “36 horas”, o escritor bragantino voltou a falar de história. Foi aí que veio a ideia de contar a história de Zé de Lima, que foi prefeito de Bragança Paulista por três vezes e fez três sucessores. “Foi um romance biográfico bom de fazer, pois me levou a rever a história da minha cidade e a rever também dados eleitorais e acordos ainda hoje em vigor, que se tornaram mantenedores do poder local nas mãos de dois grupos, que se revezavam quando necessário. E vai continuar”, desabafou.

Em seguida, veio o livro “Terra do amanhã, a minha revolução dos bichos”, com cara de nordeste e pesquisado após um tempo em uma plantação de cacau na cidade de Santa Luzia, na Bahia.

“Alguns livros que escrevemos se formos nós mesmos fazer a revisão, acabamos achando uma droga e jogamos no lixo. Quando escrevi ‘Minhas vidas virtuais’, tentei dar a ele um jeitão de conversa em chats, pois ele foi criado nos chats. Assim decidi mantê-lo com todos os erros gramaticais que se vê na internet. O resultado foi desastroso (risos)”, relembrou.

Antônio Sonsin também participou de uma experiência de um escritor argentino, que resolveu criar uma história, com 48 autores, em que cada um escrevia um capítulo a partir de um tema e continuando o capítulo anterior.

O livro foi um romance biográfico sobre Olympio Guilherme, um bragantino pouco conhecido em sua terra. Essa experiência levou Sonsin a outro patamar - foi nessa época que ele escreveu o livro “Holly-wood, uma história do Brasil”, baseado na vida de Olympio Guilherme, um jornalista, que foi o primeiro amor de Pagu e, influenciado por ela, participou de um concurso para substituir Rodolfo Valentino na Fox, mas acabou chegando ao fim do cinema mudo e não foi aproveitado por falar português. Participou do primeiro filme falado, produziu “A fome”, filme proibido pelo congresso americano, considerado o primeiro filme realista do cinema, e por Serguei Eisenstein, como um grande diretor e pai do conceito do realismo em Holly-wood. De volta ao Brasil, nos anos 30, se tornou membro do DIP (Departamento de Imprensa), como diretor de propaganda de Getúlio Vargas, em que colaborou com a reforma cultural e educacional de Capanema. Ele também foi escritor, economista e é um grande personagem, responsável pela construção da Escola Cásper Líbero em Bragança.

“Tudo o que escrevo sempre tem uma base em algo que li, fato, estudo, coincidência. Foi assim que surgiram, em 1918, as “Cartas de amor na guerra”. São mais de 500 cartas, em italiano, que encontrei ao acaso. Precisei da ajuda da prefeitura da cidade de Senigallia, na Itália, para descobrir os personagens principais e, a partir de então, saber como essas cartas vieram parar no Brasil. Depois disso, a tradução e a narrativa de uma bela história, que vai de 1916 ao fim dos anos 70. Ao escrever um livro, aprendemos muito sobre tudo o que envolve uma história e seus personagens periféricos. Em 1918, conheci Rodolfo Mandolfo, um dos principais filósofos italianos. Tive o prazer também de ter um prefácio feito por uma das diretoras da universidade de Milão, assim como em Hollywood o prefácio foi de um senador do primeiro senado do mundo”, ponderou.

O escritor bragantino mencionou, ainda, o envolvimento de amigos, muitos dos quais se tornam prefaciadores de suas obras. Ele citou alguns deles, como Gilberto Santana, Marcus Valle, José Aguirre, Oswaldo Zago, Álvaro Cintra e Alexandre Reginato.

Sonsin também revelou que escreveu um livro juvenil: “O menino esquisito”, que só é encontrado no site da Livraria Cultura.

A reportagem do Jornal Em Dia perguntou ao entrevistado sua opinião sobre os escritores bragantinos, e ele respondeu: “Em Bragança, tivemos grandes escritores, com livros no mundo, como é o caso de Olympio Guilherme e José Luiz Del Roio. Temos um grande escritor de histórias infantis, que só é conhecido aqui como pintor, que é o Élvio Santiago. Um verdadeiro batalhador das artes. Mas não podemos nos esquecer dos membros da Ases (Associação dos Escritores), abnegados lutadores das letras. A Ases faz um grande trabalho para o surgimento de novos escritores e seus autores colecionam prêmios pelo Brasil”, defendeu.

Questionado sobre seus próximos objetivos na literatura, ele afirmou que, no momento, está se dedicando à área dos livros de ficção cientifica. “Estou há mais de um ano estudando teorias da relatividade, física quântica, química, histórias fantásticas, principalmente da Amazônia, de onde tirei relatos de pilotos da Varig, contrabandistas, índios e até um escritor alemão. Essas histórias de realismo fantástico são baseadas em contos e adequadas às leis de física e ocorrências políticas atuais”. Segundo Sonsin, serão quatro livros com os mesmos personagens e aventuras diferentes. Dois deles foram lançados recentemente, “Akanis, a solução final” e “Aztlán, a refundação da América”, que estão à venda nos melhores sites de Marketplace (Americanas, Livraria Cultura, Amazon BR, Extra, Mercado Livre, etc).

Antônio Sonsin finalizou a entrevista respondendo uma pergunta que muitas pessoas o fazem: “Dá pra ganhar bem escrevendo livros?”. Eu respondo: “Normalmente, não, no máximo dá para sobreviver. Escrever é um prazer. O Brasil de hoje não tem nenhum interesse em leitura. Não dá para ser otimista. São poucos os jovens que se interessam por livros, físicos ou digitais. Para cada livraria que fecha, abrem 20 academias. O exercício cultuado é só o físico mesmo. Aí temos um país que não pensa e nem sonha”, finalizou.

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