Outubro está chegando ao fim e, com isso, também se encerra uma das maiores campanhas de prevenção e combate ao câncer de mama: o Outubro Rosa, que mobiliza anualmente sociedade civil, organizações e poder público com o intuito de diminuir os números da doença e de mortalidade em decorrência dela em todo o mundo.
De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de mama é o segundo tipo que mais acomete brasileiras, depois do câncer de pele não melanoma, representando em torno de 25% de todos os cânceres que afetam o sexo feminino. Para o Brasil, foram estimados 59.700 casos novos de câncer de mama em 2019, com risco estimado de 56 casos a cada 100 mil mulheres.
Além de alertar para a importância de cuidados preventivos, a campanha busca incentivar o diagnóstico precoce da doença, já que, com ele, as chances de cura são maiores. E, para dar mais visibilidade à causa, o Jornal Em Dia traz uma matéria justamente sobre cura, contando a história de três mulheres que superaram ou estão muito próximas de vencer o câncer de mama e hoje inspiram outras a seguirem firmes no tratamento e enfrentarem as adversidades da doença. Confira.
REGINA CÉLIA MOORE BRITO, 47 ANOS

Em 2018, o Jornal Em Dia produziu uma matéria especial sobre o Outubro Rosa e conversou com mulheres que travavam batalhas contra o câncer de mama. Uma delas foi a pedagoga Regina Célia Moore Brito, hoje com 47 anos, que à época enfrentava um tratamento bastante intenso contra a doença. Neste ano, praticamente curada (o termo “cura”, segundo ela, só pode ser usado após cinco anos do término do tratamento), ela conta como foi esse processo e dá dicas para mulheres que estão passando pela mesma delicada situação que ela vivenciou.
Regina descobriu o câncer de mama no início de julho de 2018, após constatar um caroço duro e irregular em autoexame na mama direita. Felizmente, foi diagnosticada em fase inicial. O diagnóstico, como é de se esperar, foi bastante duro, mas não veio sozinho. “Primeiramente é um choque, você perde o chão, mas depois de alguns dias encarei com fé e coragem, pois 50% é o tratamento médico e 50% é a nossa mente. A família me apoiou muito, alguns amigos me ajudaram muito. Outros se afastaram por preconceito ou medo da palavra câncer”, relembra.
Regina revela que, em sua família, já tinham sido registrados casos, por parte paterna, de câncer de próstata e de mama.
Seu tratamento consistiu em várias etapas. “No dia 31 de julho de 2018, fiz a cirurgia do quadrante de mama onde foi extraído um carcinoma de mama e um linfonodo sentinela. Após 15 dias da cirurgia implantei um port-a-cath (cateter para tratamento oncológico), que facilitou as sessões de quimioterapia. Em 20 de agosto, comecei a primeira sessão de quimioterapia vermelha, foram quatro ao todo. E 12 das quimioterapias brancas, no total de 16 sessões. Por fim, 25 sessões de radioterapia em Campinas, além de diversas de imunoterapia”, explica.
A quimioterapia, de acordo com Regina, trouxe vários efeitos indesejados. “Uma das fases mais complexas foram os efeitos colaterais da quimioterapia, onde o corpo debilita-se muito e a imunidade muito baixa. Não há força para nada”, diz, acrescentando que sua autoestima também foi afetada. “Após a segunda sessão de quimioterapia, meus cabelos caíram, sobrancelhas, cílios e pelos do corpo, mas tentei amenizar esse sofrimento com maquiagem alternativa, peruca e tentei classificar tudo como passageiro”. Quando questionada sobre quais os fatores que a encorajaram nesse processo, ela pontua. “A vontade de continuar vivendo e aprendendo, conhecendo o novo e sendo feliz”.
Durante o tratamento, ela conheceu outras mulheres que estavam passando pela mesma situação, o que a motivou. “Conheci muitas que tiveram a doença e estiveram tratando comigo. Ajudou a ver que eu não estava sozinha e que há casos piores que o meu, como por exemplo, a de uma senhora que me impressionou muito, que estava com câncer no cérebro, cega e debilitada, mas que tinha uma forte fé que conseguiria ser curada”, conta.
As dificuldades foram, de fato, passageiras, pois em maio deste ano, concluiu o tratamento, seus exames normalizaram e, apesar de continuar em acompanhamento médico por cinco anos, já se considera curada. “Saber disso é muito gratificante e um alívio”, fala.
Mais do que desafios, o câncer a trouxe muitas lições de vida. “Aprendi que pessoas que eu encarava como amigos verdadeiros me abandonaram, e outros que nem pensava serem amigos se mostraram ser. Além de ter sido essencial o apoio da família. Mudanças? Como encarar a vida de outra forma, valorizar cada momento, pensar que o trabalho não é tudo e que o dinheiro não compra a saúde. Quando se perde a saúde nada mais tem graça”, revela.
Sobre a campanha Outubro Rosa, Regina comenta: “Conhecia, mas não a valorizava, não me imaginava fazendo parte da causa. A iniciativa é ainda desvalorizada, as mulheres deixam passar pequenos sintomas que podem fazer a diferença”. É justamente pensando em fazer a diferença que ela faz questão de contar sua história e inspirar outras mulheres. Ela inclusive já doou à outra paciente a peruca que usou quando fazia quimioterapia. “Custa tão pouco fazer o bem!”, declara. A essas mulheres, que enfrentam a árdua batalha do câncer, ela deixa uma mensagem de apoio e otimismo. “O câncer não é o fim, quando tratado a tempo, há cura! Não é uma sentença de morte, você aprende a valorizar a vida”.
Àqueles que a ajudaram a passar – e a vencer! – essa fase, a pedagoga faz questão de expressar sua gratidão. “Agradeço primeiramente ao bom Deus, que me concedeu a recuperação da saúde, aos familiares que me apoiaram, amigos que muitos fizeram por mim e aos que oraram pela minha recuperação. Ao excelente corpo clínico oncológico da Santa Casa de Bragança Paulista (Dra. Eliana Araújo, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e ao provedor Sr. João José Marques, que muito me apoiou), bem como ao Instituto do Radium de Campinas”.
O que a cura do câncer representou em sua vida? Ela responde: “Novas expectativas e uma visão mais ampla da vida. Há muitos sonhos e projetos a realizar”, finaliza.
PATRÍCIA CATARINA MOSCA DINIZ, 50 ANOS

Patrícia Catarina Mosca Diniz, administradora de 50 anos, está radiante por ter vencido o câncer de mama. Ela descobriu a doença logo na fase inicial, em junho de 2018, fazendo o autoexame. No caso dela, a surpresa foi ainda maior, pois não havia casos da doença em sua família registrados até então.
“Não foi fácil, mais enfrentei da melhor maneira. Dei a notícia à família e aos amigos mais de um mês depois, pois nos preparamos (meu marido e eu). Fiz um vídeo explicando tudo e como seria o tratamento para os parentes mais distantes e para meus pais, irmão e sobrinhos, fiz uma reunião e demos a notícia. Todos ficaram a abalados, porém a segurança que passamos foi fundamental”, relata.
Após o diagnóstico, veio um tratamento bastante intensivo. “Fiz a cirurgia em julho de 2018, com a retirada total das mamas, fiz 16 sessões de quimioterapia após a recuperação da cirurgia e 25 sessões de radioterapia. Continuo com a medicação por dez anos, que me deixa extremamente cansada”, conta.
De todas as fases enfrentadas, uma em especial foi mais desafiadora. “Cada fase foi adaptada, porém o pós-cirúrgico foi a pior. Fiquei com dificuldade em respirar por um bom tempo e com dores por conta da adaptação das próteses”, entrega, acrescentando que viu sua autoestima diminuir durante o tratamento. “Logo após a primeira sessão de quimioterapia os cabelos, sobrancelhas e cílios caíram... Não foi fácil”. No entanto, um fator em especial a deu forças para superar as adversidades: “Minha vontade de viver e fazer coisas que tinha idealizado”, revela.
E tamanha perseverança deu certo, pois a tão aguardada cura veio recentemente. “Descobri quando os exames pós-tratamento deram todos negativos, faz duas semanas... Eba! Foi um momento único”, descreve, comentando quais aprendizados e mudanças a doença trouxe. “Que tudo tem jeito e passa. Me deixou mais calma diante das dificuldades”.
Conhecer outras mulheres que estavam enfrentando a mesma situação, segundo ela, foi muito importante. “Dividir experiências, dividir a dor alivia muito”, diz.
Patrícia considera a iniciativa do Outubro Rosa “fantástica”, sobretudo, para incentivar outras mulheres a realizarem o autoexame e a fazerem acompanhamento médico. “O autoexame salvou minha vida. Descobri na fase inicial, conhecia bem meu corpo. A consulta ao ginecologista e mastologista é fundamental para um resultado positivo no tratamento”, declara, agradecendo pessoas fundamentais que considera para o sucesso de seu tratamento. “Meus pais, meu marido, meus sobrinhos, irmão e cunhada. As pessoas que participaram de todo este processo comigo. Minhas tias... Dra. Eliana, Dr. Anastásio, as enfermeiras da Oncologia, enfim, a todos que direta ou indiretamente acreditam na cura”.
Segundo a administradora, o câncer representou em sua vida “aprendizado e superação”, principalmente porque não enfrentou essa batalha sozinha. “Quero dizer que a força para enfrentar a situação aparece de uma maneira espetacular e que somos capazes de coisas incríveis. Perdi meu pai faz quatro meses com câncer de pâncreas e não sabíamos que ele tinha. E estou aqui... Lutando e querendo viver cada dia”. A fim de inspirar outras mulheres em situação semelhante à que viveu, ela finaliza deixando uma mensagem de otimismo. “Que a esperança jamais seja deixada de lado. Que existe solução, que existe saída para tudo”.
CLÁUDIA REGINA BARBIERI LA SÁLVIA, 63 ANOS

A aposentada Cláudia Regina Baribieri La Sálvia, de 63 anos, ainda está em tratamento contra o câncer de mama, mas acredita estar muito próxima de vencer completamente a doença. Ela descobriu o câncer por meio de exames médicos preventivos, em fase inicial moderada. Apesar de ter dois casos da doença em primas de primeiro grau, uma de parte materna e outra de parte paterna, não imaginava que viria a ter esse diagnóstico. “No primeiro momento, foi um desespero total para todos”, relembra.
O tratamento, desde a descoberta, tem sido bastante intenso. “Inicialmente, fiz cirurgia em junho de 2018, seis meses de quimioterapia com início em agosto de 2018, dois meses de radioterapia com início em março de 2019, e um ano de imunoterapia com término previsto para dezembro de 2019”, conta. Agora, faltam apenas três sessões de imunoterapia para o fim do tratamento e a realização dos exames finais. “Eu tenho certeza de que estarei curada”, fala.
Para ela, todas as etapas trouxeram dificuldades: “A descoberta, a cirurgia e as quimioterapias”, pontua, ressaltando que preservar a autoestima também é um desafio durante esse processo. “Consegui mantê-la com muito apoio e carinho da família e dos amigos”, conta.
Outras mulheres que ela conheceu durante esse período também a fortaleceram. “Saber que não é a única passando pela situação, poder compartilhar e dividir sentimentos faz com que tudo fique mais leve e positivo”, comenta.
Justamente para ajudar a prevenir a doença e criar uma rede de apoio às mulheres, ela considera a campanha Outubro Rosa fundamental. “É primordial para a conscientização das mulheres em aprender a realizar o autoexame e os exames médicos preventivos anualmente”, observa.
Às mulheres que receberam o mesmo difícil diagnóstico que ela e passam pelo complexo tratamento, ela deixa um conselho. “Não desanimar em hipótese alguma, sei que é difícil, mas dias melhores virão, com Deus tudo é possível, confiança e força, sempre!”.
Para Cláudia, vencer uma batalha como essa tem sido muito mais fácil com o apoio de pessoas queridas, a quem demonstra profunda gratidão. “Agradeço a Deus por tudo, pelos momentos difíceis que ele me mostrar os presentes que tenho na vida, que são minha família e meus amigos, agradeço também a toda equipe médica pela dedicação, carinho e paciência durante todo o período”, pontua.
Apesar dos obstáculos, a doença também trouxe para a aposentada muitos aprendizados. “Levar a vida com mais leveza, ter muita fé em Deus e acreditar que tudo vai dar certo”, enumera, revelando o que o câncer trouxe de positivo para sua vida. “Acredito que a doença veio para me acrescentar de alguma forma, a lidar melhor com a ansiedade, por exemplo, o câncer de mama é uma condição que trabalha isso o tempo todo, uma vez que é preciso ter paciência com todos os processos. Na vida, perdemos a oportunidade de fazer algo bom por nós mesmas devido à correria do dia a dia, seja você o seu maior compromisso e previna-se sempre”, conclui.
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