Organização sem fins lucrativos oferece vagas para crianças, jovens e adultos
“Fazer o bem sem ver a quem” – o lema, dado pela conselheira e voluntária Carina Sperendio, define o objetivo da ONG Viva Vila, que atua em Bragança Paulista desde 2001, promovendo aulas de música e dança à população bragantina.
Em entrevista ao Jornal Em Dia, ocorrida nesse sábado, 28, Carina explicou como o trabalho da ONG ajuda a incentivar a formação artística de crianças e jovens. “A Viva Vila foi criada para dar acessibilidade a pessoas que não têm condições de pagar cursos de música e dança”, disse.
A organização tem dois polos na cidade: na Vila Aparecida e na zona norte. A sede fica no mesmo local onde ocorrem as aulas de violão, teclado, saxofone, trompete, trombone, clarinete, violino, viola clássica, cello, baixo acústico, percussão, cavaquinho, viola caipira, canto e coral, baixo elétrico e bateria.
As aulas de balé e jazz ocorrem na Igreja Nossa Senhora de Aparecida e na Igreja Nossa Senhora da Esperança, por meio de uma parceria firmada com essas instituições. Também há uma turma recente de dança de salão, com aulas no galpão da Escola de Samba Acadêmicos da Vila.
De segunda a sexta-feira, os 12 professores e seis voluntários da Viva Vila atendem mais de mil crianças, jovens e adultos – por volta de 640 atendidos nas aulas de dança e 400 nos cursos de música.
Mesmo com tantos alunos, as portas da ONG estão abertas a novos interessados. “Sempre aceitamos e damos um jeito de atender a todos que nos procuram”, afirmou.
A idade mínima para participar é de três anos para balé e sete anos para música, sem limite de idade máxima. “Temos famílias inteiras que fazem aula aqui, pai, mãe e filhos”, contou Carina. Não é necessário ser morador dos bairros onde a ONG está localizada.
PONTE DE NOVAS OPORTUNIDADES
Por meio dos cursos, a Viva Vila não só incentiva a cultura como permite que os jovens tenham outras oportunidades na vida. Segundo Carina, há alunos que se profissionalizaram e viraram professores na própria entidade.
Ela também disse que há jovens que foram para a Orquestra Sinfônica de Bragança Paulista ou montaram bandas musicais. “No balé, tem academias de dança da cidade que buscam alunas aqui para conceder bolsa e levá-las a competições”, afirmou.
A organização também promove a inclusão social. Atualmente, possui quatro alunos com Síndrome de Down, além de outros com deficiências.
PEQUENAS CONTRIBUIÇÕES
“Nosso objetivo principal sempre foi atender quem não tem condições financeiras de pagar. Mas, como os professores são capacitados e os cursos são de qualidade, pessoas com melhores condições financeiras também começaram a nos procurar. Nós não negamos, as portas estão abertas, não importa se a pessoa tem dinheiro ou não”, explicou Carina.
Durante muitos anos, todas as aulas eram gratuitas. Desde 2012, no entanto, a entidade não recebe mais verba da Prefeitura, após denúncias de supostas irregularidades na prestação de contas e no funcionamento da organização.
Como o trabalho com os alunos não poderia ficar prejudicado e a ONG tem gastos para funcionar (conta de luz, aluguel do imóvel, materiais de limpeza, pagamentos aos professores e as duas secretárias, entre outros), Carina disse que uma alternativa foi pensada para que a Viva Vila sobrevivesse sem dinheiro público: criar um quadro associativo.
“Por meio desse quadro, todos os que querem participar se associam à ONG, ou seja, ela é de todos, como se fosse uma cooperativa”, contou Carina. Esses associados podem dar uma contribuição espontânea, de acordo com o quanto puderem e quiserem colaborar.
A contribuição mínima é de R$15,00, mas a conselheira deixou claro que ninguém é obrigado a pagar. “Assim como há pessoas que contribuem com mais de R$ 30,00, tem família inteira que colabora com R$15,00 e tem pessoas que não pagam nada”, afirmou Carina, que disse que quase metade das pessoas do polo da Vila Aparecida continua tendo aulas gratuitamente.
Ela também disse que os professores são trabalhadores autônomos – não voluntários – porque, como são muitos alunos, a dedicação é praticamente exclusiva aos trabalhos da ONG.
Outro ponto frisado pela entrevistada é de que não há fins lucrativos na organização. O balancete de todos os meses, que Carina mostrou durante a entrevista, fica à disposição de qualquer um que tiver interesse em verificar como o dinheiro arrecadado está sendo usado.
VENCENDO DIFICULDADES
A maior dificuldade, como Carina salienta, é a parte financeira. “Tem professor que recebe dia 5 e tem professor que só recebe dia 30, quando conseguimos juntar as contribuições e dar o salário a ele. Mas quem atua aqui também faz por prazer e sabe que nosso trabalho é sério”, afirmou.
Carina faz parte do quadro do estatuto da ONG, que tem por volta de 20 componentes. No entanto, segundo a conselheira, só cinco dessas pessoas são realmente atuantes, já que é uma atividade voluntária e que exige muito tempo de dedicação.
“Hoje, sábado, estamos aqui, para ajudar. Sabemos que, se fizéssemos isso de outra forma, poderíamos ter muito lucro, mas não haveria a emoção de poder ajudar e dar oportunidades a diferentes pessoas. A hora que você vê o festival acontecendo, vê tudo o que significa para as famílias envolvidas e sabe que você faz parte dessa conquista, pensa: ‘está aí o que a gente ganha, não tem preço’”, comentou.
FESTIVAL ANUAL
Os festivais com apresentação dos alunos ocorrem todo fim de ano. Nos próximos dias 15 e 22 de dezembro, haverá apresentações de dança e, no dia 19 do mesmo mês, de música, todas na Casa da Cultura.
“O festival de balé traz mais de mil pessoas na plateia em cada polo. Por isso, temos de fazer mais de uma apresentação”, explicou Carina. Ela também disse que, como este ano a ONG está pagando a locação da Casa da Cultura, um valor simbólico será cobrado na entrada para ajudar no pagamento.
VAGAS ABERTAS
Todos os cursos da organização estão disponíveis para a população. Os interessados devem ir à sede, localizada na Rua Coronel Luiz Leme, nº 7. O telefone para contato é (11) 4035-1474.
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