A trabalhosa tarefa da Câmara Municipal de organizar audiências públicas, coletar sugestões, inclusive pela Internet, analisá-las uma a uma e transformar as propostas em emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) parece não ter mais sentido em Bragança Paulista. Ao menos isso é o que leva a subentender a atitude do prefeito João Afonso Sólis (Jango) ao vetar todas as emendas feitas pelo Legislativo. 61 ao todo.
Na explicação dada por Jango fica evidente que a nuvem da falta de diálogo entre Executivo e Legislativo, que há tempos paira sobre o município, é a responsável por algumas posturas e atrapalha o desenvolvimento da cidade.
Das 61 propostas, o prefeito diz que parte já está em andamento e que outra parte é financeiramente inviável. Será mesmo que, no ano que vem, Bragança Paulista não terá dinheiro para fazer nenhuma obra das sugeridas pela Câmara? E será que os vereadores não se atentaram para o fato de que algumas obras já estão em andamento e, portanto, não havia a necessidade de constá-las na LDO?
Vetando todas as emendas referentes a obras, como construção de escolas, unidades de saúde e implantação de asfalto, o prefeito praticamente joga no lixo todo o trabalho dos vereadores e funcionários da Câmara em torno da elaboração das emendas à LDO. E joga no lixo também o tempo que membros da sociedade gastaram participando das audiências públicas para sugerir melhorias ou enviando as sugestões pela internet, mecanismo que foi implantado pela Câmara a fim de facilitar a participação da população.
Além disso, põe fim à esperança dos contribuintes de ver o dinheiro arrecadado pelo município, por meio de impostos, ser aplicado em benefícios almejados.
Vale ressaltar que uma desculpa usada pelo prefeito várias vezes para explicar o porquê de não fazer determinadas obras foi a que elas não constavam na LDO, no orçamento elaborado no ano anterior. Foi assim, por exemplo, com a construção da Casa da Mulher Vitimada, que a vereadora Beth Chedid solicitou por inúmeras vezes.
Aliás, não só com o veto às emendas, o Executivo demonstra desdém para com a Câmara. Por não raras vezes, os vereadores reclamaram e cobraram que leis já em vigor não eram cumpridas pelo Executivo, mas nada mudou.
Nota-se que não há a mínima vontade de dialogar. Nem por parte do Executivo e nem do Legislativo, especialmente nessa época do ano, em que a campanha eleitoral está nas ruas e que a maioria dos vereadores é adversária do prefeito. Cabe uma ressalva que o Legislativo sempre se mostrou mais aberto ao diálogo, mas quando um não quer dois não brigam, no caso, dois não conversam, não se entendem.
Enfim, a administração de Jango está no fim e esperar que as coisas melhorem é pura utopia. Isso somente pode ser desejado para o ano que vem, quando teremos novos comandantes e novos legisladores. Mas se os eleitos corresponderão a nossas expectativas dependerá da consciência na hora do voto. E isso é com você, eleitor!
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