Paralisação nacional será por tempo indeterminado
Em assembleia realizada na noite de quarta-feira, 12, os bancários da base do Sindicato dos Bancários de Bragança Paulista e Região rejeitaram a proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), que ofereceu, dentre outras coisas, 6% de reajuste.
O índice é considerado insuficiente pela categoria, que pede reajuste de 10,25%. Diante disso, os bancários decidiram, a exemplo do que já ocorreu nos últimos anos, seguir a orientação do Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT, e deflagar greve, a partir do dia 18, próxima terça-feira, por tempo indeterminado.
A mesma decisão foi tomada por sindicatos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Florianópolis, Pernambuco, Ceará, Bahia, Pará, Paraíba, Alagoas, Piauí, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Amapá, Sergipe, Londrina e Campinas.
Nesta segunda-feira, 17, será realizada uma assembleia organizativa, na sede do sindicato de Bragança, que fica na Rua Coronel Teófilo Leme, 790.
A argumentação do Comando Nacional dos Bancários é que o reajuste de 6% representa apenas 0,58% de aumento real, o que é menor que o índice da quase totalidade dos acordos feitos por outras categorias no primeiro semestre deste ano, que obtiveram ganhos superiores a 5% acima da inflação.
“Os seis maiores bancos, que empregam mais de 90% da categoria, lucraram R$ 25,2 bilhões no primeiro semestre deste ano, mas fizeram uma proposta que não valoriza os salários dos trabalhadores, enquanto pagam milhões de reais por ano para os altos executivos”, critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.
Os bancários apontam ainda que os bancos lançaram R$ 39,15 bilhões em provisões para devedores duvidosos (PDD) no primeiro semestre, 64,3% a mais que o lucro líquido. “É um truque contábil para uma inadimplência que cresceu apenas 0,7 pontos percentuais no mesmo período e que acaba reduzindo a participação dos trabalhadores nos lucros”, aponta Cordeiro, que completa: “Por isso, os bancários reivindicam uma nova regra de PLR, equivalente a três salários mais R$ 4.961,00 fixos”.
Outro ponto questionado pelos bancários é a rotatividade. “Os bancos nada apresentaram para gerar empregos e acabar com a rotatividade, que reduz a massa salarial da categoria, muito menos para melhorar as condições de trabalho, como o fim das metas abusivas para a venda de produtos”, acrescentou Carlos Cordeiro.
Além do reajuste de 10,25%, os bancários reivindicam: piso salarial de R$ 2.416,38, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de três salários mais R$ 4.961,25 fixos, Plano de Cargos e Salários para todos os bancários e elevação para R$ 622,00 dos valores do auxílio-refeição, da cesta-alimentação, do auxílio-creche/babá e da 13ª cesta-alimentação, além da criação do 13º auxílio-refeição; mais contratações, proteção contra demissões imotivadas e fim da rotatividade; fim das metas abusivas e combate ao assédio moral; mais segurança; e igualdade de oportunidades.
0 Comentários