Exoneração de comissionados e possibilidade de fechamento do IML são discutidos em rápida sessão

Exoneração de comissionados e possibilidade de fechamento do IML de Bragança Paulista foram alguns dos temas debatidos

Após as convenções realizadas no dia 30 de junho, que homologaram os candidatos a prefeito, a vice-prefeito e a vereadores para as Eleições 2012, a sessão ordinária realizada pela Câmara Municipal na última terça-feira, 3, mostrou que a campanha eleitoral que se aproxima já está provocando mudanças de hábitos no Legislativo.

Os trabalhos começaram com a ausência de quatro vereadores. O presidente João Carlos Carvalho, candidato a prefeito pelo PSDB; Mário B. Silva, Régis Lemos e Miguel Lopes, candidatos à reeleição como vereadores.

Miguel, porém, compareceu alguns minutos depois que a sessão havia começado.

Considerando a decisão do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), que determinou a perda do mandato de vereador de Régis Lemos por infidelidade partidária, ele não deve voltar a ocupar assento na Câmara a não ser que consiga reverter a decisão. A suplente Maria de Lima ainda não foi convocada, mas isso deve ocorrer nos próximos dias.

Em seus pronunciamentos, os vereadores foram objetivos e não ultrapassaram o tempo estabelecido em regimento, seguindo orientação do Jurídico da Câmara.

Marcus Valle contou que fez pedido de informação à Sabesp para saber qual a destinação do lodo que é gerado na Estação de Tratamento de Água. Ele explicou que é possível usá-lo em diversas coisas, como na indústria de cerâmica, no fechamento de valas e até em pet shops. Já o lodo que é gerado nas Estações de Tratamento de Esgoto só pode ser usado na plantação de eucaliptos, segundo o vereador.

Marcus denunciou ainda que, passando pelo Tanque do Moinho, encontrou uma capivara morta a tiros, o que indica que está havendo caça de animais no local. Ele alertou a Polícia Ambiental sobre o fato.

Depois, Marcus comentou as 22 exonerações de comissionados feitas pela Prefeitura em Atos Oficiais dessa terça-feira, 3. Ele disse que entende que algumas demissões se devem à necessidade de desincompatibilização, porque as pessoas vão disputar a eleição, mas outras, de acordo com o vereador, foram demissões por questões políticas. Ele lamentou a exoneração do secretário José Carlos Furlan. “Uma perda para a administração. No meu entender, ele exerceu um bom trabalho, um trabalho razoável com parcas condições”, declarou Marcus.

Miguel Lopes e Beth Chedid também expressaram sua solidariedade a Furlan e a outros funcionários demitidos.

“A gente lamenta essa guilhotina que foi acionada. É com essas coisas que a gente não compactua”, disse Beth.

“Perseguição terrível, não esperava isso”, afirmou Miguel.

O vereador José Gabriel Cintra Gonçalves também falou sobre a demissão dos comissionados, contando que até concursados afirmam estar sofrendo pressão nos corredores da Prefeitura.

Arnaldo de Carvalho Pinto observou que a cidade não pode parar por causa da eleição e demonstrou preocupação com a desestruturação da administração que as exonerações podem causar.

Outro assunto discutido foi quanto ao suposto fechamento do IML (Instituto Médico Legal) de Bragança Paulista, que atende 15 municípios da região. José Gabriel contou que a Comissão de Saúde tentou contato com os órgãos competentes para saber da veracidade da informação. A chefia de Campinas teria confirmado a possibilidade de fechamento do instituto enquanto médicos concursados não forem chamados. O vereador disse, então, que participaria de uma reunião nessa quarta-feira, 4, para discutir a questão.

Miguel Lopes opinou que o caso foi uma situação criada e que o médico Rafael deveria ter informado seu afastamento com mais antecedência. “Não adianta vir fazer palanque de uma situação como essa”, disse.

Toninho Monteiro contou que assim que tomou conhecimento da situação, comunicou o deputado estadual Edmir Chedid, pedindo-lhe apoio para resolver a questão, já que a direção do IML é ligada ao governo estadual. Segundo Toninho, ninguém sabia do problema há seis meses e o IML não é mais ligado à SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Marcus Valle disse que o esquema de funcionamento do órgão está todo errado e questionou o que aconteceria se um funcionário do local morresse. Ele alertou que imprevistos acontecem e que há que se estar preparado para tudo. “Uma desorganização total do governo do estado”, considerou.

“Tem administradores públicos que não têm consciência”, encerrou Toninho.

Em seguida, foram votados os projetos que estavam na pauta. A proposta de alteração organizacional e denominações de cargos da Secretaria Municipal de Saúde, de autoria do Executivo, foi retirada da pauta.

O projeto de autoria do vereador Régis Lemos, que diz respeito a denominação de vias públicas no Jardim Flamboyan, sugerindo os nomes de “Normando Muzzetti”; “Maria Ignez Leme Suppioni” e “Leonor Carone” foi aprovado por unanimidade, assim como a moção do vereador João Carlos Carvalho, manifestando apoio da Câmara à solicitação feita pela deputada federal Janete Rocha Pietá, que pede a criação da universidade pública da Região Bragantina.

Algumas discussões se deram em torno do projeto proposto pelo vereador Toninho Monteiro sobre a proibição do uso de aparelhos de celular, games, ipod, mp3 em salas de aula. Por fim, o projeto também foi aprovado de forma unânime, com uma emenda, em primeiro turno.

O vereador Marcus Valle ainda usou o espaço destinado a manifestações de interesse pessoal para lamentar o fato de a vereadora Beth Chedid não concorrer à reeleição. Ele confessou que tinha certo preconceito e antipatia em relação a ela, até por serem de lados opostos na política, mas que convivendo com a vereadora conheceu suas qualidades e agora nutre uma profunda admiração por ela.

Rasgando elogios, como “bem intencionada, ética, excelente vereadora e excelente política”, Marcus considerou que ele e Beth têm grande afinidade e que sua ausência no próximo pleito será uma perda para Bragança.

Beth agradeceu e disse que teria chances inclusive de participar em chapas majoritárias nas eleições, mas que as pretensões foram reavaliadas. “Foi uma briga da emoção com a razão”, disse, afirmando que vai continuar trabalhando na política, que ela adora, e que no ano que vem pretende traçar outros caminhos, no próprio PTB e talvez até em outros partidos políticos. “O interesse público acima de tudo, pensando em fazer por Bragança sempre um caminho melhor”, declarou a vereadora.

Arnaldo também se manifestou quanto ao assunto, dizendo que insistência por parte dele e de outros colegas não faltou para que Beth se candidatasse. “É uma grande perda para a comunidade bragantina, mas ela não vai conseguir ficar de fora, especialmente da parte social, que ela sempre fez com ou sem cargo público”, registrou o vereador.

A sessão durou pouco mais de uma hora, tendo começado com 30 minutos de atraso e terminado às 21h20.

 

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