27º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Naquele tempo, os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé! ”O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?’ Será que vai agradecer ao empregado porque fez o que lhe havia mandado? Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”. Palavra da Salvação.
Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”
O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: Arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria”.
Mas o que é a fé para dar tanto poder? Os apóstolos seguiam Jesus porque acreditavam nele. A fé, contudo, não é um simples acreditar. É algo mais profundo, cuja definição nos parece difícil fora da Palavra de Deus e da orientação da Igreja.
Por isso, vamos nos servir do Catecismo da Igreja Católica e da Bíblia para chegarmos à compreensão da fé. Só pode ter fé em Jesus Cristo quem o conhece. E, conhecendo-o, torna-se então necessário anunciá-lo a todos, como Ele mesmo mandou: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura”. E este anúncio já é um testemunho de fé.
A Igreja afirma que a fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele (CIC 153). E Jesus declara: “Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 16,16). Portanto, a fé é necessária para a salvação (CIC 183). E por isso todos recebem de Deus o dom da fé para poderem salvar-se e gozar da presença beatífica do Senhor.
Por que, então, os apóstolos pedem a Jesus para aumentar-lhes a fé? Por causa das fraquezas humanas. Alguns seguiam Jesus buscando interesse próprio (veja o caso dos apóstolos que queriam sentar-se um à direita e outro à esquerda do Mestre – Mc 10,37). As fraquezas humanas, não raras vezes, debilitam a fé no Senhor e conduzem o fiel por caminhos perigosos como o da dúvida e do egoísmo. Por isso, “para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la com a Palavra de Deus; devemos implorar ao Senhor que a aumente (Mc 9,24); ela deve agir pela caridade (Gl 5,6), ser carregada pela esperança (Rm 15,13) e estar enraizada na fé da Igreja” (CIC 162).
São Tiago nos adverte de que existe uma fé que não pode salvar: é a fé morta, porque não se vive conforme se crê (Tg 2,17). A vida de fé deve ser coerente com a vida diária. Existe também uma fé adormecida, que se expressa num modo frouxo e fraco de viver como cristão. Essas pessoas limitam-se, muitas vezes, a cumprir ao pé da letra os dez mandamentos da Lei de Deus e os cinco da Igreja. Costumam se expressar assim: não roubo, não mato, não vivo em concubinato, assisto à missa todos os domingos, me confesso e comungo uma vez por ano, na época da Páscoa. Que pena! Elas seguem direitinho a Lei por medo do fogo do inferno e ignoram que os mandamentos, tanto os da Lei de Deus como os da Igreja, servem como guia e caminho de conduta correta. Jesus deve estar dizendo: “Que decepção! Eu só quero que as pessoas sigam os mandamentos por amor a mim e aos irmãos. Só por amor!” Nossa fé precisa ser firme e forte, testemunhada na comunidade e vivida, em cada dia, como se fosse o último, “pois não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25,13). A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se veem (Hb 11,1; CIC 146). Por isso, como na pequenina semente se encerra a potencialidade de uma árvore, na fé em Jesus Cristo se encerram potencialidades que não se podem medir, pois “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13). A fé é, primeiramente, uma adesão pessoal do homem a Deus; é o consentimento livre a toda verdade que Deus revelou (CIC 150). Quem põe sua fé no Senhor nunca será desamparado e verá o impossível acontecer.
Paulo Trujillo Moreno - Professor licenciado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para Leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito, em Bragança Paulista.
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