Um acontecimento nos bastidores do Carnaval repercutiu nesta semana em Bragança Paulista: o então presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Cleber Centini, anunciou a sua renúncia do cargo nessa sexta-feira, 21, após a 2ª Vara Cível da Comarca determinar a suspensão de novos repasses de recursos públicos à entidade para a realização do evento. O então vice-presidente Noy Camilo, presidente da Unidos do Lavapés, passou a assumir a frente da Liga.

No início do mês, a Administração anunciou a transferência da organização do Carnaval para a Liesb, realizando, para tal, um repasse de verba à Liga. Posteriormente, divulgou um Extrato de Termo de Colaboração do Processo Administrativo com a entidade no valor de R$ 1,7 milhão.
No dia 17 de fevereiro, o advogado Jean Maurício Menezes de Aguiar entrou com uma ação popular solicitando à Justiça que cancelasse o repasse de dinheiro público à entidade, argumentando que a Prefeitura não deveria gastar tanto com as festividades carnavalescas e sim dar atenção a questões mais urgentes, como projetos esportivos que foram cortados após o cancelamento do contrato com a Ades (Agência de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo o prefeito Edmir Chedid, a parceria era muito onerosa para o município.
O advogado ressaltou, também, que Cleber Centini foi condenado por improbidade administrativa, tendo os direitos políticos suspensos até outubro deste ano e estando proibido de ser contratado pelo poder público ou receber incentivos até outubro de 2027. Em resposta, o juiz Frederico Lopes Azevedo determinou a suspensão de novos repasses devido “à gravidade dos fatos expostos”.
Agora, a Prefeitura e as demais partes envolvidas devem apresentar explicações à Justiça. Em entrevista a 102 FM, Cleber afirmou que a ação popular que determinou a suspensão do repasse da verba da Prefeitura à Liesb se trata de uma perseguição política e sua renúncia ao cargo visa a não prejudicar o andamento do Carnaval na cidade.
“A repercussão foi negativa, é claro, pois atrapalha o bom andamento de todos. O trabalho das escolas de samba é muito dificultoso. Ainda bem que temos o apoio do prefeito e da Prefeitura que nos ajuda muito. Embora em nenhum momento tenha se falado do cancelamento do Carnaval, a falta de repasse atrapalha muito”, disse, no Programa Manhã Total, ressaltando que reuniu os presidentes das escolas de samba e as diretorias para entregar sua carta de renúncia ao cargo.
“Eu consegui refletir que o problema não é com a Liga e nem com o Carnaval, é comigo, por se tratar de uma perseguição política de pessoas que não gostam do Carnaval e não gostam de mim. Tenho certeza de que o juiz está cumprindo com sua obrigação pois trata-se de um projeto legal, tenho certeza da legalidade desse projeto e que o tempo vai provar que estamos corretos”, afirmou.
Ele finalizou dizendo que a Liga deve continuar seu trabalho com tranquilidade e que permanecerá ativo no Carnaval Bragantino, porém, fora da diretoria. “Decidi renunciar para que o Carnaval continue no ritmo que está e para que as escolas continuem motivadas. O Carnaval precisa ser realizado com tranquilidade para que o povo possa curtir com tranquilidade”.
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