Ele está aqui!

A esses que fazem dessa época maravilhosamente significativa e feliz apenas mais um pretexto para saciar sua sede insaciável de consumir, meu desagrado. A esses que ainda esperam pela chegada triunfante de um deus triunfante, minha boa-nova: Ele está aqui! Mas não veio como vocês supunham.

Talvez estejam mesmo desapontados, desculpem-me, mas este de quem falo é infinitamente superior à ideia que faziam dele. Agora, se realmente esperam por ostentação, poder e prosperidade, extravagâncias e malabarismos, não, vocês nunca o conhecerão.

Não, vocês nunca o compreenderão. Não haverá espaço nessa sua lógica tresloucada para a insanidade do Deus que se faz carne e se permite viver fraco, suscetível, impotente, humano. O Deus cuja palavra tão somente gerou tudo o que há e em quem todas as coisas existem e se manifestam ousou repousar seu corpo humano e frágil num cocho de uma estrebaria em Belém.

E vocês esperavam por um rei, e por acaso ele não o é?

Foi um rei humilhado pela condição que seu próprio amor lhe impunha. Foi um rei morto, apaixonado. Rei eterno, visto que a morte não pôde vencê-lo.  Rei, sempre rei, eterno rei, governando com cetro justo e amável por toda a eternidade. Um rei cujos passos não foram marcados por riqueza ou ostentação, mas antes, pela renúncia de uma vida em amor. O rei que os judeus esperavam é chegado, mas não da forma como o esperavam. O menino-Deus que mudaria para sempre os rumos da História escolheu escandalizar os mais exigentes e presunçosos com sua humildade e fragilidade.

E escandaliza até hoje... Religiosos exigentes de um Deus triunfante jamais compreenderão a graça do menino deitado sob a luz da estrela. Estarão sempre tão preocupados em encontrar um deus mais suntuoso, que perderão o melhor da festa: contemplar o menino que dorme tranquilo, e em cujas batidas do coração ressoam todas as almas viventes da Terra.

A simplicidade do seu amor me constrange. A loucura de seu amor me cativa a amá-lo também. Sua renúncia é um convite a que amemos uns aos outros e de forma intensa e integral, sem reservas, sem grandes e extravagantes espetáculos, mas em pequenas doses de amor infindável, e sem muito alarde, que é para não acordar o neném que dorme. Que sejamos meninos e meninas em amor, crianças que pouco ou nada esperam, que nada exigem, que se contentam e se fazem felizes com o aconchego dos braços do Pai.

Não há o que temer, Ele está aqui! Nada mais pode separar-nos do amor d’Ele!

E sob essas condições, desejar Feliz Natal é quase um pleonasmo vicioso...

Feliz Natal!

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

Isaías 9:6

 

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