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Política

Doria abre fogo contra Bolsonaro após ataques em teleconferência

Durante teleconferência realizada com os governadores do Sudeste, o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), pediu ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que não confisque os respiradores que estavam destinados a São Paulo e acrescentou que caso isso ocorra levará o caso à Justiça. “Vocês precisam entender que São Paulo é o epicentro dessa grave crise de saúde”.

Bolsonaro rebateu o governador de São Paulo e o acusou de fazer política com o momento. “Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente do Brasil. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal”.

Durante coletiva de imprensa, o governador classificou como um equívoco a manifestação de Bolsonaro, e chamou de “Gabinete do Ódio” sua equipe de governo. “Ele insiste em permanecer contra a Organização Mundial da Saúde e vai contra o trabalho do ministro Luís Henrique Man-detta. “Ele perdeu a oportunidade de fazer um pronunciamento sereno, demonstrando preocupação à vida, não se pode desprezar nenhuma pessoa, são seres humanos. Peço que você, Bolsonaro, respeite as pessoas idosas, portadoras de deficiência e com comor-bidades. Não admitiremos o confisco de respiradores dos fabricantes produzidos em São Paulo. Se necessário iremos ao STF, em São Paulo não se confisca medicamentos e respiradores, aqui é o epicentro dessa crise”, afirmou.

Ele falou da boa relação que tem mantido com o Ministro de Saúde, que o Secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann está sempre alinhado e em contato com o ministro. Após o pronunciamento de terça-feira, Doria disse que ligou para o ministro Mandetta e não obteve retorno, mas compreendeu o momento de tensão, uma vez que o pronunciamento do presidente não foi compartilhado com o Ministro da Saúde.

Para o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann, o pronunciamento foi preocupante. A pasta emitiu uma carta no sentido de reverter esta situação diante da possibilidade de confisco de respiradores. “Temos que atender um número extremamente grande de pacientes para combater esta pandemia. Não é possível nós trabalharmos sem o respirador na maioria dos leitos de UTI”, alertou.

Doria destacou que os governadores estão articulados, possuem grupos de trabalho que se reúnem constantemente e citou que está sempre em contato com o Consórcio Sul-Sudeste para enfrentamento da crise. “Os governadores do Nordeste e Centro-Oeste também têm se reunido diariamente através da internet, estamos todos unidos e sintonizados na nossa missão de defender vidas. Vejo os governadores absolutamente comprometidos”, defendeu.

Doria reforçou que continuará a seguir com o protocolo internacional e manterá a quarentena. “São Paulo está à frente da luta pela vida, não é uma luta política. Espero que ele recue deste comportamento belicoso, não há necessidade disso. Todos os governadores do Brasil estão sensatamente trabalhando para proteger vidas, espero que presidente compreenda a importância, a economia não pode se sobrepor à vida”.

O governador afirmou que vai apoiar decisões dos prefeitos municipais para restringir a circulação de idosos nas ruas e outras medidas para garantir a saúde da população.

Germann chamou a atenção das famílias que cuidam de idosos. “Dos 40 óbitos em São Paulo (até quarta-feira, 25), somente três tinham menos de 60 anos. São 37 em 40. Gostaria que as famílias refletissem sobre isso, então todo cuidado, protejam seus idosos. São 6,8 milhões de idosos somente no estado de São Paulo”, pediu.

Durante espaço aberto a perguntas da imprensa, Doria foi questionado quanto a apoio ao impeachment do presidente. “Sobre o impeachment cabe ao Congresso avaliar esta questão e a opinião pública, se o presidente está atrapalhando ou ajudando. Segundo o Datafolha, o presidente mais atrapalha do que ajuda”.

Na quinta-feira, 26, em nova coletiva de imprensa, o governador afirmou que as medidas de isolamento estão fazendo efeito e citou ainda a possibilidade de lockdown, quando há restrição de circulação dos idosos usando a força policial.

Segundo Doria, a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal seriam usadas para recomendar que as pessoas com mais de 60 anos fiquem em casa.

O secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann disse que São Paulo tem 862 casos de 2.433 no país. “O que gostaria de observar se vocês se lembram bem nós éramos praticamente 90% dos casos do Brasil; agora, nós somos 30% dos casos, o que significa que existe uma expansão da epidemia de forma acelerada”.

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