Tema deste ano será “Fraternidade e Juventude” e o lema, “Eis-me aqui, envia-me!”
Teve início, nessa Quarta-feira de Cinzas, 13, o tempo da quaresma para a Igreja Católica. Como de costume, o bispo diocesano Dom Sérgio Aparecido Colombo recebeu representantes da imprensa para uma coletiva sobre a Campanha da Fraternidade 2013.
Neste ano, o tema a ser trabalhado será a juventude. Assim, Dom Sérgio afirmou que o objetivo geral da iniciativa é o acolhimento dos jovens na igreja, num contexto de mudança de época e não de época de mudanças.
O bispo ressaltou que a Campanha da Fraternidade é uma iniciativa da Igreja Católica, mas que ultrapassa a igreja para chegar à sociedade como um todo, até mesmo a outras igrejas, porque trata de temas de interesse geral.
A intenção da campanha deste ano, segundo Dom Sérgio, é propiciar caminhos para que os jovens sejam protagonistas dentro da igreja, para que eles possam usar de sua jovialidade para colaborar com a igreja na construção de um mundo novo, de uma sociedade mais fraterna, fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz.
Dom Sérgio também citou números referentes à violência que afeta os jovens. De acordo com ele, a taxa de mortalidade mundial caiu, mas na faixa etária dos jovens o índice teve alta. Ele ressaltou que o índice da mortalidade entre jovens negros é quase o dobro do que o de jovens brancos. “Para cada jovem branco morto, morrem dois negros”, disse.
O bispo apontou que uma das causas das altas taxas de mortalidade entre os jovens é o envolvimento deles com o tráfico e as drogas.
Diante desses dados concretos, a igreja vai procurar acolher os jovens e mostrar-lhes valores do evangelho para que façam uma reflexão nesse tempo de quaresma, que também é tempo de conversão.
Também participaram da coletiva Wálter Lara, coordenador da Cáritas; monsenhor José Correa, padre Marcelo Falsarella, Júnior Silva, assessor de Comunicação, e padre Orestes de Oliveira Preto, coordenador da Ação Pastoral e Evangelizadora.
Padre Orestes ressaltou que no mês de julho, quando ocorre a Jornada Mundial da Juventude, a Diocese de Bragança Paulista vai acolher 200 jovens da França. Ele considerou que este será um grande movimento da juventude, que terá a oportunidade de ter momentos de retiro espiritual e de troca de experiências, já que jovens do mundo todo se encontrarão no evento, que acontecerá de 11 a 20 de julho, no Rio de Janeiro. O coordenador da Ação Pastoral e Evangelizadora da diocese acrescentou que o tema da Campanha da Fraternidade está em sintonia com o tema da Jornada Mundial da Juventude.
Monsenhor José Correa disse que a campanha terá início no interior das paróquias e opinou que o tema deste ano tem de ser permanente, ressaltando a importância de a igreja entender e cuidar dos jovens. “Os jovens precisam ser fermentados com o evangelho”, observou.
Wálter Lara contou que a ONU (Organização das Nações Unidas) considera jovens as pessoas na faixa etária de 14 a 24 anos. No Brasil, os jovens são aqueles que têm entre 15 e 29 anos. O coordenador da Cáritas acrescentou que o papa João Paulo II orientou, certa vez, que a igreja deveria dar opção preferencial pelos jovens e os pobres. Assim, ele afirmou que é importante cuidar dos jovens, mas, especialmente, dos jovens mais carentes.
Padre Marcelo apontou que uma das preocupações da igreja com relação à juventude é a discussão sobre a redução da maioridade penal. Ele lembrou que a maioria das pessoas que se encontram nos presídios são jovens e questionou se seria uma boa opção enviar mais jovens aos presídios que já estão superlotados.
Júnior Silva relatou que será lançado um projeto de formação integral dos discípulos. Acrescentou que o site da Diocese, www.diocesede braganca.org.br, será alimentado com informações sobre a Campanha da Fraternidade e a Jornada Mundial da Juventude frequentemente. Sobre a Jornada, Júnior disse que cinco milhões de jovens de todo o mundo são esperados e que é muito bom saber que o Brasil está sendo protagonista de um movimento desse porte.
No site da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), www.cnbb.org. br/site/campanhas/fraternidade, há mais informações sobre a iniciativa da Igreja Católica, e uma apresentação detalhada de Dom Eduardo Pinheiro sobre a campanha.
RENÚNCIA DO PAPA BENTO XVI
A renúncia do Papa Bento XVI, cujo anúncio ocorreu no dia 11, última segunda-feira, também foi comentada pelo bispo Dom Sérgio. Ele afirmou que o fato não altera nada para a igreja, que tudo continua como vinha caminhando.
Dom Sérgio considerou a renúncia um gesto muito nobre por parte do papa. “Ele revelou coragem e humildade”, opinou.
Sobre os procedimentos para a escolha do novo papa, Dom Sérgio contou que, no dia 27 de fevereiro, haverá uma grande celebração para a saída de Bento XVI. Após, terá início o conclave, que é a reunião entre cardeais para a escolha do novo chefe da Igreja Católica. “Antes da Páscoa conheceremos o novo pa-pa”, garantiu o bispo.
Dom Sérgio disse que apesar de ser uma renúncia, o afastamento do papa deixa um sentimento de perda, mas também de gratidão, por tudo que ele realizou. O bispo ressaltou ainda que quem conduz a igreja é o Espírito Santo e que é por isso que ela tem mais de dois mil anos. “Nós somos apenas servidores. O dono da igreja é Deus, não é o papa, não são os cardeais, não são os bispos ou os padres”, declarou.
A renúncia do Papa Bento XVI causou surpresa, mas, de acordo com Dom Sérgio, já era previsível, a julgar pelo estado de saúde dele.
Monsenhor José Correa disse que é importante ler nas entrelinhas dos fatos. Ele chamou atenção para a data escolhida pelo papa para anunciar a renúncia. Dia 11 de fevereiro é o Dia Mundial dos Doentes e Dia de Nossa Senhora de Lourdes, padroeira dos enfermos.
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