E eu, que sempre gostei de vermelho, maldisse os homens naquele dia; no primeiro dia em que constatei o vermelho do sol em função da fumaça que tomava conta do ar, dos nossos pulmões, do país inteiro.
Cheguei a ir ao médico, depois que todas as minhas tentativas de aplacar a dor de garganta mostraram-se inúteis: inalação, acupuntura...
O mundo anda doente, a ambição e a ganância desenfreadas é que o deixaram assim. “Deixem passar a boiada!”, que quem “pasta” somos nós, sobrevivendo à base de antialérgicos e o pouco sarcasmo que nos resta.
Nosso egocentrismo foi capaz de mudar o clima, uma vez que nos desconectou de nossa essência. Somos parte da natureza, dependemos dela,e não o contrário.
Temos vivido dias odiosos, que tal como a fuligem que invade nossas casas, são difíceis de engolir. O ódio não me desce goela abaixo. O ódio é denso demais para penetrar meus alvéolos e fazer parte do meu sagrado rito de respirar. Daí minha frustração: são dias odiosos os que vivemos!
O ódio, quando assume a força do fogo, devasta a mata, violenta seus habitantes, polui o ar e gera prejuízos de ordem humana e econômica.
O ódio, quando, sob a forma de um homem, é capaz de dar fim à vida de sua companheirapormeio de estrangulamento, e não satisfeito em sua gana de fazer o mal, desmembrá-la e bater suas partes num liquidificador. Pasmem, foi a notícia que li essa semana, referindo-se a um crime acontecido em fevereiro, na Suíça, e que só agora teve seu desfecho.
O ódio, quando aliado à ignorância e à falta de caráter, pode criar candidatos a cargos políticos, inclusive. E estes podem agredir-se, e não apenas verbalmente, em cadeia nacional. Ambos ridículos, diga-se de passagem. Sinto pena mesmo da cadeira, que quando não arremessada contra o oponente, serve ao papel de assento para os poderosos senhores engravatados, enquanto estes tramam estratégias de controle e manutenção da desigualdade, sempre convertida em benefício próprio.
O ódio, por tão forte e vil não pode ser ocultado, nem mesmo pela mais “inteligente” I.A.Aliás, até mesmo essa inteligência toda me assusta, ou melhor, o uso que farão dela, os poderosos que a detêm.
Mas o ódio, o ódio, de tão absurdamente escancarado não pode mesmo ser escondido, não passa jamais despercebido, porque o ódio, o ódio cheira mal, o ódio fede: à fumaça e a sangue.
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