A palavra democracia tem origem no grego "demokratía”, composta por demos (que significa “povo”) e kratos (que significa “poder” ou “forma de governo”). Em nosso sistema político, fica resguardado aos cidadãos o direito à participação, à escolha daqueles que melhor representam nossos anseios e necessidades.
A cada quatro anos, o povo brasileiro tem o direito e a responsabilidade de ir às urnas para expressar o que deseja para si, seus pais, filhos, amigos – para toda uma nação, complexa, plural, gigante e desigual pela própria natureza.
Somos o país da miscigenação, do acolhimento – conhecidos em todo o mundo por abraçar aqueles que escolhem nossa pátria para viver e depositar seus sonhos; somos feitos de luta, de trabalho, de suor, de sorrisos, mas também de lágrimas.
Nos últimos anos, enfrentamos muitas batalhas. Uma pandemia que dizimou milhares de vidas; uma crise moral, política e econômica sem precedentes que assolou brasileiros novamente com o fantasma da fome; um sucateamento da cultura e da ciência – cada vez mais desacreditada – e, sobretudo, discursos cada vez mais frequentes de incitação ao ódio e à violência.
Ódio pelo diferente, pela diversidade, pelos direitos humanos. Desrespeito à cidadania, à nossa pátria mãe gentil, à nossa bandeira que sempre pertenceu ao nosso povo – e nunca a um partido ou ideologia política. Ataques e ameaças à nossa democracia, que apesar de ter sido conquistada a duras penas, hoje está acuada, fragilizada.
Por isso, este domingo, 30 de outubro de 2022, é um marco decisório em nossa história. A partir deste dia, (re)definiremos o futuro de nosso Brasil. É normal que, com a insatisfação, surjam o cansaço, o desânimo, o desalento, o pessimismo. Mas amanhã, não podemos deixarmo-nos abater por esses sentimentos.
É preciso que nos levantemos, com a nossa força característica, aquela que move as engrenagens desse país diariamente, e depositemos toda a nossa confiança nas urnas eletrônicas – sim, as urnas, um sistema considerado referência em todo o mundo por sua confiabilidade e lisura – e nelas, coloquemos a nossa fé em dias melhores.
O nosso voto, neste domingo, é indispensável – quase sagrado. E junto dele, devemos pôr os nossos desejos mais íntimos e todo o amor que temos por aqueles que nos acompanham nesta jornada. É por nós, por eles, pelas próximas gerações que devemos encher o peito de afeto, respirar fundo e vislumbrar um amanhã diferente.
Não podemos exercer um ato tão sublime como a democracia munidos de ódio, de destemperança e, principalmente, de egoísmo. Falar de mudança é falar de generosidade. E aqui, precisamos pensar novamente em nossas proporções continentais e lembrar dos nossos irmãos que padecem todos os dias com as mazelas sociais dessa nação.
Lembremos dos negros, das mulheres, dos índios, da população LGBTQIA+, dos retirantes, dos filhos das empregadas domésticas que sonham em ser médicos, das crianças mais pobres que nós. Daqueles que não têm acesso a escolas, a saneamento básico ou que não sabem qual será a sua próxima refeição no dia.
Lembremo-nos da nossa humanidade. E ansiamos que nenhum salvador da pátria ou sentimento antipartidário possa tirá-la de nós. Lembremos da nossa liberdade, que é a nossa maior riqueza, de nossa soberania enquanto povo, do poder que nos foi concedido para escolher o nosso futuro.
Lembremo-nos dos tempos sombrios que vivemos, das ditaduras, de todos os silenciamentos. Mas também, de todos os passos que demos, os avanços que tivemos, os sonhos que sonhamos – a saída do mapa da fome, a alçada para uma das maiores economias do mundo, o estudo para todos, as condições para viver em dignidade.
A escolha está em nossas mãos. Que amanhã, ao levantarmos, nos apeguemos a verdade, a esperança, reflitamos e nos dirijamos às nossas sessões eleitorais com mais consciência do que nunca e que façamos a melhor e mais lúcida decisão que pudermos.
Que pensemos num Brasil cheio de vida, de educação, saúde, emprego, comida boa e farta para todos; de direitos iguais, de alegria transcendental. O Brasil multicolorido, do carnaval, da paz e da fraternidade. O Brasil que nós queremos e podemos ser.
Por fim, como nos disse Belchior, que acreditemos que “Deus é brasileiro e anda ao nosso lado”. E que, como sempre ouvimos na palavra d’Ele: Deus não está acima de todos. Ele está no meio de nós. E que assim permaneça, nos iluminando e guiando para o caminho do bem.
Boa votação a todos!
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