Na data de hoje, 07 de junho, é comemorado o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. A data ressalta o direito que jornalistas e profissionais de mídia têm de exercer a profissão.
É pelo trabalho de cobertura e apuração de fatos que as notícias chegam até a população. E é pelo livre acesso às informações que é possível medir o quão democrática é uma sociedade. Qualquer coisa diferente disso, é censura. Coibir o trabalho de profissionais da imprensa é coibir o direito à informação. Qualquer ataque ao trabalho de jornalistas é, consequentemente, um ataque à democracia.
De acordo com a Repórteres sem Fronteiras (RSF), organização internacional não-governamental independente, que tem status consultivo na Organização das Nações Unidas (ONU), na Unesco, no Conselho da Europa e na Organização Internacional da Francofonia (OIF), entre 2011 e 2020 houve 139 assassinatos de jornalistas ocorridos no Brasil, Honduras, México e Colômbia. Metade deles já havia recebido ameaças por exercer seu trabalho.
Esses países ocupam, respectivamente, as posições 111, 134, 143 e 151 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa publicado pela RSF.
Segundo levantamento da RSF, a América Latina foi, em 2020, a região com o maior número de jornalistas mortos em função do exercício da profissão e esses quatro países foram palco de 80% dessas mortes na última década.
Ainda segundo a RSF, a metade dos jornalistas assassinados exercia funções de repórter ou de repórter fotográfico/cinematográfico. A análise dos dados mostra que 39% deles cobriam temas relacionados à política e que o foco é o jornalista que está nas ruas, que denuncia e critica ilegalidades em suas localidades.
O estudo também mostra que os jornalistas que atuam em cidades menores correm mais risco. Entre aqueles que perderam a vida, 56% viviam em localidades com menos de 100 mil habitantes. E ao menos 54% dos jornalistas assassinados em cidades com população entre 100 mil e 500 mil habitantes – consideradas como médias no Brasil, México e Colômbia – já haviam recebido ameaças antes de serem executados.
Pelo menos 45% das vítimas já haviam recebido ameaças e as registrado publicamente, para os veículos para os quais trabalhavam, pelas redes sociais, ou para forças de segurança nas cidades em que viviam.
A Repórteres sem Fronteiras salienta que “quando um país é palco de uma situação estrutural de violência contra a imprensa, não é apenas a liberdade de expressão individual desses jornalistas que é afetada, mas também o direito coletivo à informação de toda uma sociedade” e destaca que, para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, “o exercício do jornalismo só pode acontecer livremente quando as pessoas que o realizam não são vítimas de ameaças ou de agressões físicas, psíquicas ou morais, ou de outros atos de hostilidade”
Na noite de sábado, 5, o jornalista e repórter fotográfico Filipe Granado, do jornal Bragança Em Pauta, foi agredido enquanto acompanhava uma fiscalização feita pela Visa (Vigilância Sanitária) e a GCM (Guarda Civil Municipal) após denúncia de aglomeração.
De acordo com a jornalista Ana Maria Oliveira, em matéria publicada pelo jornal, o repórter foi agredido sem ter tempo de esboçar reação. A agressão partiu do promotor de eventos André Filipe da Silva do Nascimento, que também é funcionário da Prefeitura Municipal.
Com o soco Filipe caiu ao chão e ainda foi chutado pelo agressor. Ele foi atendido no Husf (Hospital Universitário São Francisco, onde precisou levar cinco pontos no supercílio esquerdo.
Também segundo o Bragança Em Pauta, o prefeito Jesus Chedid entrou em contato com a redação via whatsapp, se solidarizou aos profissionais, Filipe e Ana Maria e enfatizou que a imprensa precisa ser respeitada. O prefeito também afirmou que irá tomar providências enérgicas diante do ocorrido.
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