Depois de cinco anos, Bragantino troca de técnico, sai “Ferguson do Interior” e entra Cavalo

Por Filipe Granado

 

Na tarde de quinta-feira, 9, uma verdadeira bomba estourou no meio esportivo de Bragança. Marcelo Veiga, o treinador que estava havia mais tempo na liderança de um clube no Brasil, não era mais o comandante do Bragantino.

Pouco mais de 24 horas após sua demissão, ocorreu, no Marcelão, a apresentação de seu substituto, Roberto Cavalo.

Veiga completou na última rodada, na qual o time deu um verdadeiro vexame contra o Ipatinga, 390 jogos no comando do Braga e, por tal motivo, recebeu o apelido de “Ferguson do Interior”, em referência ao treinador escocês Alex Ferguson, que comanda o Manchester United há mais de 25 anos. Embora estivesse longe da marca para os padrões brasileiros, principalmente, de clubes do interior que trocam de treinador a cada mau resultado, Veiga se tornou uma exceção em meio à regra. Apesar de, no final do trabalho, os resultados terem sido negativos e a relação com a torcida estar conturbada, é necessário destacar e reconhecer a evolução do Bragantino nos últimos anos, sobretudo, no que abrange sua área estrutural.

O ex-técnico do Braga chegou a Bragança Paulista no final de 2004. No Campeonato Paulista da Série A2, de 2005, levou o time ao acesso após dez anos na segunda divisão do campeonato estadual. Em 2006, foi vice-campeão da Copa Federação Paulista, acabou saindo no mesmo ano e retornou em 2007, período no qual ganhou o Brasileiro da Série C e ficou também na semifinal do Paulistão. Nesse ano, teve uma passagem rápida em outros dois clubes e acabou voltando ao Massa Bruta, onde permaneceu até essa semana.

Entre idas e vindas, foram aproximadamente oito anos e 390 jogos em um único clube. Em dezembro, Veiga completaria cinco anos e quatro meses seguidos de Bragantino e poderia se tornar o treinador que mais tempo permaneceu no comando de um time destacando o cargo no Brasil. O recorde brasileiro pertence a Telê Santana, que ficou cinco anos e três meses no São Paulo Futebol Clube.

“SAIO COM O SENTIMENTO DE DEVER CUMPRIDO”

Por meio da assessoria de imprensa do Bragantino, o ex-técnico do Braga avaliou sua saída do clube.

“Difícil tomar a decisão, mas achei ser a hora para fazer isso. Estou saindo da minha casa e tomei essa decisão para ajudar a tirar o peso de cima do Marquinho e do grupo que é muito bom, mas está sendo cobrado pelos resultados”, falou Veiga.

O técnico acredita que sai pela porta da frente. “Saio com o sentimento de dever cumprido, mas entendo que poderia ter conseguido um pouco mais. Gostaria de deixar o Bragantino na elite do futebol brasileiro”, afirmou.

“MANDO EMBORA O TIME INTEIRO, MAS O TÉCNICO NÃO”

A frase acima ficou conhecida pelos torcedores do Bragantino. Toda vez, que o clube enfrentava uma crise, o presidente Marquinho Chedid bancava o técnico e dizia que trocaria os 11 jogadores, mas não trocaria Marcelo Veiga.

Entretanto, o pensamento mudou nessa semana. Os jogadores permaneceram e o técnico acabou saindo.

A reportagem do Jornal Em Dia conversou com o presidente do clube, que explicou a decisão, que surpreendeu a muitos.

“No Brasileiro nós trocamos duas vezes o time. Chega uma hora que não dá pra trocar mais. Ano passado trocamos e houve reação. Esse ano trocamos e não teve reação. Vou trocar o time inteiro de novo? Tem alguma coisa errada aí. Detectamos e tomamos providência”, contou Marquinho.

Perguntado pela reportagem, se a política de trabalhos a longo prazo continuará, agora com Cavalo, o presidente não garantiu explicitamente isso para com o novo treinador. “Esperamos que sim, conversamos sobre o Brasileiro, com compromisso para o Paulistão, são os resultados que vão fazer acontecer isso”, declarou.

Sobre a escolha de Roberto, que estava no Oeste de Itápolis, que disputa a série C do Brasileiro, Chedid afirmou que o Bragantino exigia neste momento o perfil de um técnico vibrador, copeiro, que motive, que coloque um sistema tático no time para jogar. “Competência o Cavalo tem”, enfatizou. “O Wanderley fez sua história, o Parreira fez a sua história e agora o Marcelo fez a sua”, disse Marquinho, salientando que o ex-treinador contribuiu muito com o clube, mas “futebol é resultado, chegou o momento que o Marcelo não estava conseguindo colocar o que ele pensa em campo e converter isso em resultado, e a gente tem que tomar providência, não dava pra esperar”.

O CAVALO VEM AÍ!

Por volta das 16h de sexta-feira, 10, num carro conduzido pelo presidente Marquinho Chedid, chegou ao Marcelão o novo treinador do Bragantino, Roberto Fernando Schneiger, conhecido como Roberto Cavalo, de 49 anos.

Com uma pasta em mãos, ele cumprimentou os membros da imprensa que o esperavam, passou pelo vestiário e se dirigiu diretamente ao campo de jogo, onde os jogadores do elenco realizavam treino.

Até o final do treinamento, o técnico apenas observou os trabalhos sempre acompanhado do presidente Marquinho e do vice Domingos Alves. Após o término das atividades, ainda dentro do campo, mas distante dos microfones dos repórteres, o técnico teve uma longa conversa com seus novos comandados.

Em seguida, atendeu à imprensa que o esperava.

Ao Jornal Em Dia, Roberto Cavalo falou sobre o momento de troca de treinador, algo incomum no Bragantino. “Isso dificilmente acontece no Brasil. Parabéns a diretoria que manteve o Marcelo, que foi um treinador vencedor. Venho pensando em também fazer uma história comprida, vencer sempre”, contou.

O novo treinador do Braga disse ter brincado com o presidente Marquinho, que se ele conseguiu segurar tanto tempo um treinador, agora terá que segurar mais um.

Desde 1997, quando iniciou a carreira de técnico, Cavalo teve 28 passagens por clubes dos mais diversos estados. Agora, declarou que pretende vivenciar um novo momento na carreira. “Pra sair pra um clube grande, pra Europa, você tem que ter uma história a longo prazo. É um projeto que eu tenho e quero fazer história”, disse.

Perguntado sobre os planos no Braga, o treinador enfatizou a luta pelo acesso à Série A. “Não podemos não chegar à Série A do Brasileiro, a meta é essa”, declarou.

Um dos fatores culminantes para a saída de Veiga foi a relação conturbada com a torcida, que o acusava de ser retranqueiro e jogar com muitos zagueiros e meio-campistas. Sobre seu método de trabalho, Roberto Cavalo contou que trabalha a cada jogo visando ao adversário seguinte. “Não invento, prefiro simplificar, pra ter um time competitivo”.

Além de Roberto Cavalo, chegaram à comissão técnica do Braga seu auxiliar técnico e irmão, Robélio Cavalinho, e o treinador de goleiros, Serginho, que já trabalhou no Bragantino. Até o momento, permanecem os demais auxiliares Sérjão, Mendonça e André Gaspar e o preparador físico Benê Lima.

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