Fim das eleições. Como é bom estar de volta! Não via a hora de continuar a dividir este espaço com você, caro leitor. Temos muito a discutir, debater, fiscalizar e lutar, pois, infelizmente, as eleições não irão mudar nossas vidas e nossa sociedade de forma profunda, como precisamos. Para isso, precisamos lutar cotidianamente, pois, como gostamos de dizer: “só a luta muda a vida”.
MUITO OBRIGADO
Antes de recomeçarmos, não posso deixar de agradecer. O período eleitoral é, sim, muito importante, afinal, é nessa época que a maioria das pessoas está mais aberta a discutir e pensar sobre a política. Mas nem todo político vive de eleições. Um partido verdadeiramente de luta não pode existir em função das eleições, deve existir apesar delas. Nosso grupo político apresentou pela terceira vez consecutiva uma candidatura majoritária e pôde mostrar, ao longo de todo esse tempo, que sempre se dedicou às lutas da cidade.
Também pudemos mostrar que um partido de esquerda não existe só para “apontar o dedo”, mas também para apresentar propostas reais, bem longe das promessas fáceis de campanha que chovem nesse período a fim de iludir o povo.
“Com muito orgulho podemos dizer que os 1.502 votos foram conquistados de uma forma nunca antes vista em Bragança. Ao contrário das outras candidaturas, não buscamos incentivos milionários, não colocamos carros de som nas ruas, não poluímos a cidade com panfletos e santinhos e não pagamos para ninguém levantar nossas bandeiras, aliás, quem as levantou o fez de modo espontâneo e ideológico.
Nossa coligação foi a única que teve a participação de candidatos verdadeiramente ficha limpa, apoiados por políticos com as fichas igualmente limpas.
Agradecemos a cada pessoa que se dispôs a conversar conosco sobre uma cidade melhor e, acima de tudo, discutir nossas propostas. Propostas estas que foram construídas com participação popular, sem demagogia e sem promessas falsas.
Enquanto outras campanhas previam reduzir a passagem de ônibus com subsídio da Prefeitura, nós defendíamos a revisão de contratos com as empresas que prestam serviços públicos. Enquanto outros defendiam o meio ambiente e emporcalhavam a cidade com a campanha, nós defendíamos a punição aos responsáveis pelo assoreamento do Lago.
Radicalizamos, sim, mas não por demagogia, por necessidade”. [trecho da Carta Aberta da Frente de Esquerda]
REDUÇÃO DO PRÓPRIO SALÁRIO
A cidade de Itaocara, noroeste do Rio de Janeiro, elegeu o primeiro prefeito do PSOL da história, Gelsimar Gonzaga. Sob o ponto de vista financeiro, o candidato realizou uma campanha humilde, gastando R$ 20 mil de doações de ativistas, correligionários e amigos, mas foi o suficiente para conquistar mais de 44% dos votos dos 23 mil habitantes do município. A primeira medida como governante? Reduzir o próprio salário. Segundo Gonzaga, o piso salarial da maioria dos trabalhadores responsáveis por sua vitória é de R$ 545, como ele poderia aceitar um salário de R$ 15 mil? Ele destacou também a redução dos salários dos secretários e a garantia da participação do povo no Governo a partir da criação dos conselhos populares. A vitória de Gelsimar, as candidaturas do PSOL irem para o segundo turno em Macapá e Belém e outras expressivas votações dos partidos de esquerda nos mostram que é possível disputar eleições fazendo campanhas verdadeiramente limpas, sem recursos financeiros astronômicos e com propostas sérias, dentro da realidade orçamentária de cada município. O principal investimento do futuro governo do PSOL em Itaocara para combater o desemprego? Educação. Gelsimar Gonzaga, aí está o cara de Itaocara!
DOAÇÃO DO PRÓPRIO SALÁRIO
Enquanto isso, no Uruguai, o presidente José Pepe Mujica vive com 10% do seu salário de presidente, ou seja, cerca de 1.250 dólares ou R$ 2.500. O restante é doado para ONGs e pequenas empresas de habitação. Ele ainda anda com o mesmo fusquinha e vive no mesmo sítio que vivia antes de ser presidente. Sua esposa, a senadora Lúcia Topolansky, também doa a maior parte do salário. A moradia oficial do presidente foi oferecida por ele mesmo para abrigar moradores de rua. Nas palavras do próprio Mujica: “Este dinheiro me basta e tem que bastar, porque há outros uruguaios que vivem com menos”. Falou e disse.
REDUÇÃO DO PRÓPRIOTRABALHO
Enquanto isso, no Brasil, mais precisamente no parlamento do País do Carnaval, a Câmara Federal acabou de aprovar um projeto de resolução que “diminui” a semana dos deputados para três dias. A partir de agora, as sessões ordinárias só poderão ser realizadas às terças, quartas e quintas. Nenhum projeto poderá mais ser votado às segundas e sextas, salvo sessões extraordinárias. Agora eles podem faltar nesses dois dias sem descontos nos salários. Eles merecem.
BADERNA CULTURAL
Amanhã, 22, a partir das 19h, o Conselho Municipal de Cultura volta ao trabalho depois do período eleitoral. As reuniões são abertas ao público e essa vai ocorrer na sede da ASES (em frente ao Tibiriçá). Temos muito a fazer pela Cultura de nossa cidade e, pra começar, lutemos pelo poder deliberativo dos conselhos. Participemos!
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