O Dia das Mães é uma das datas que mais rendem ao comércio depois do Natal. A comemoração envolve as famílias para um almoço de domingo com presentes à figura materna das famílias. Este ano, muitas pessoas vão adaptar a comemoração e ressignificar a conexão emocional com seus familiares. As videoconferências e presentes enviados por meio de compras on-line ganharão espaço para a comemoração feita para “não passar em branco”.
Como alternativa, as videoconferências caíram no gosto das famílias, amigos e profissionais que estão em home office. A hora é de se reinventar e relembrar que a presença tem seu valor.
A esteticista Andresa Bueno, de 24 anos, vai experimentar a distância nesta data, mas ela entende que este foi um ano atípico e que o distanciamento é uma medida importante para conter o avanço do vírus.
Andresa nasceu em Bragança Paulista, e foi criada pela avó (já falecida), o tio e a mãe, Fabíola Vicchini. Mãe e filha experimentaram a completa separação no mês de março, quando cinco membros da família de seu padrasto contraíram o vírus e foram hospitalizados. Felizmente, Fabíola testou negativo para o coronavírus, mas ficou em quarentena por precaução e cuidando da recuperação do marido.
“Nós ficamos sem nos ver por 28 dias, para quem passou 23 anos ao lado da mãe, esses dias foram a pior coisa. Ela estava isolada com o meu padrasto e a família dele no hospital e no meio de tudo aquilo eu não podia ver ela nem do outro lado da rua. Nosso reencontro foi quando meu padrasto já tinha saído do hospital e ela estava ajudando ele a se recuperar. Fui ao supermercado para ela e foi triste não poder tocar nela, cada uma conversando de um lado do portão”, conta.
Andresa teve que trabalhar muito o psicológico para não deixar de ter fé, ainda mais quando quatro pessoas da família faleceram. “Os sepultamentos são muito rápidos, quase desumanos. Eu entrei em desespero porque minha mãe é grupo de risco e o amor da minha vida. Eu perdi pessoas que eu amava muito, mesmo não sendo do meu sangue, e a todo momento eu pensava ‘Vai acontecer alguma coisa com a minha mãe e eu não vou poder abraçá-la’, porque eu não me lembrava da última vez que eu fiz isso”, recorda-se.
Aos poucos, Andresa foi percebendo que Fabíola estava bem e hoje a relação delas mudou muito. “Hoje em dia, eu valorizo muito mais os momentos com ela, a rotina não mudou, mas eu faço muito mais planos que envolvem minha mãe e luto muito mais para cuidar melhor dela e estar com ela. Às vezes, não por maldade a gente acaba deixando de lado alguns compromissos com a nossa família. Essa experiência fez com que eu valorizasse mais minha mãe e cuidar muito mais do que já cuidava”.
No ano passado, a comemoração ocorreu com a família toda unida, com a presença da Dona Luzia, de 72 anos, que faleceu em decorrência da Covid-19. Este ano, o Dia das Mães será diferente, com os recentes acontecimentos, mãe e filha não vão se ver por muito tempo: será uma conversa do outro lado do portão.
“Eu agradeço a Deus pela vida da minha mãe. Pretendo conversar com a minha mãe, falar como ela foi uma mãe maravilhosa e que o maior presente fui eu quem ganhou, vou olhar nos olhos dela e agradecer pela vida dela”, conta Andresa.
A jovem relata que o maior aprendizado em meio a pandemia do coronavírus, ainda mais no lugar de quem enterrou familiares, é cuidar de quem se ama. “A minha mãe e o meu tio são as pessoas mais importantes da minha vida e eu percebi o tamanho do meu amor por eles. Ame, demonstre seu amor e seja feliz. O mundo parou, pessoas estão morrendo e isso serviu bastante para entendermos e para a gente fazer aquilo que nos faz felizes. Deu para filtrar muita coisa: em primeiro lugar, tem que vir a qualidade de vida e amar as pessoas que estão ao seu redor”.
A fotógrafa Patrícia Duarte, de 36 anos, também vai ter um Dia das Mães adaptado. De família grande, ela conta que todo mundo se reunia e celebrava junto com um almoço especial. “Neste ano, será cada um em sua casa, sem abraços, mas como já temos feitos nos dias dos aniversários, usaremos as chamadas de vídeo para nos reunir por alguns minutos”, entrega.
A videoconferência em família vai ficar lotada com a alegria de duas irmãs e um irmão, os cunhados e as cinco crianças.
Os quatro irmãos optaram por um presente digital, um vídeo com fotos, como uma retrospectiva, para presentear a mãe. “O presente este ano não será físico, mas será de valor emocional”, garante Patrícia.
Ela disse que o momento de isolamento social tem reforçado sentimentos e conclusões sobre a vida que já vinha sentindo antes. “Eu acho que a mim, particularmente, vem mais reforçando coisas que há um tempo já estava vivendo. Esta coisa de procurar desacelerar e focar em pequenas coisas do dia a dia para viver o presente mais leve, cuidando para não entrar em um ciclo de ansiedade por conta do que não controlamos. E, especialmente, sobre o estar com a família de forma mais presente, fazer coisas juntos. Não é só estar na mesma casa né, é estar junto”, conclui
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