Aproveitando a época eleitoral, a próxima sessão de Cineclube do Edith Cultura na ASES exibirá o filme “A culpa é do Fidel”. A sessão acontecerá na próxima terça, 02 de outubro, às 19h30. A entrada é gratuita e após a sessão haverá um debate com os participantes.
Saiba mais sobre o filme: Aos 9 anos, Anna de la Mesa (Nina Kervel-Bey) é uma perfeita lady. Adora ensinar aos primos mais novos a maneira correta de saborear uma laranja com garfo e faca, ensaia a maneira correta de segurar uma taça de champagne e recusa-se a brincar com as outras crianças no casamento do tio porque elas só querem saber de correr. Seu pequeno universo é formado pelo colégio católico habitado por várias outras pequenas damas como ela, pela escola de natação e pela linda casa ajardinada onde mora com os pais, o irmão mais novo e a babá, que fugiu de Cuba após a revolução perpetrada por Fidel. Mas toda essa harmonia é quebrada com a chegada da tia e da prima de Anna, que fugiram da Espanha após o assassinato do tio, um militante contra a ditadura de Franco. O pai, vivido por Stefano Accorsi, é um advogado espanhol que vive na França desde jovem. A morte do cunhado e a efervescência política da época (o filme se passa entre 1970 e 1971), levam-no a rever seus princípios. Ele deixa o emprego, troca a casa por um pequeno apartamento e passa a atuar como intermediário do movimento para eleger Allende presidente do Chile. A mãe, interpretada por Julie Depardieu, deixa seu posto como jornalista da revista “burguesa” Marie-Claire para escrever um livro-reportagem em prol do direito feminino à contracepção. A babá cubana, anticomunista até o último fio de cabelo, é substituída por uma série de militantes estrangeiras, que buscam abrigo na França. Elas não têm lá grande jeito para o cargo e revolucionam o cardápio das crianças com pratos gregos e sul-americanos. O novo apartamento vive cheio de pessoas estranhas: os “barbudos” chilenos amigos de seu pai e um monte de mulheres chorosas, que dão depoimentos para o livro que a mãe irá escrever. Além disso, a garota passa a dividir um beliche com o irmão François e é proibida de assistir às aulas de religião, condição colocada pelos pais para que ela pudesse permanecer no colégio católico, de onde se recusou a sair. Dividida entre a realidade conservadora da escola e a complexidade das mudanças que, acima de tudo, afastam os pais de seu dia a dia, Anna se rebela. Os pais se desdobram para mostrar à filha a importância do momento histórico, ao mesmo tempo em que tentam se convencer de estarem no caminho certo. O tempo todo, a pequena desafia as convicções dos militantes e, com a convivência, amplia sua visão de mundo. Adaptado livremente do romance Tutta Colpa di Fidel, da jornalista italiana Domitilla Calamai que, assim como a diretora do filme, cresceu num lar comunista, A Culpa é do Fidel é um filme bem-humorado, com tiradas inteligentes e engraçadíssimas. Mas o grande feito de Julie é retratar uma trajetória pessoal emocionante sem jamais ser piegas. A prova disso é a cena final, brilhante, que me obriga a admitir que, embora dura e aborrecida, a “infância comunista” tem o grande mérito de infundir em algumas de suas “vítimas” um senso de contestação para lá de bem-vindo.
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