Candidatos a prefeito respondem a questionamentos específicos

Conforme o Jornal Em Dia havia divulgado, além das entrevistas que foram feitas com os candidatos a prefeito de Bragança Paulista, nas quais foi adotado o critério de utilizar as mesmas perguntas para todos, os prefeituráveis puderam ainda fazer uma pergunta a um adversário, o que foi definido por meio de sorteio.

Assim, Fernão Dias fez sua pergunta ao candidato do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), João Carlos Carvalho. Fred Zenorini questionou Gustavo Sartori, do PSB (Partido Socialista Brasileiro). Renato Frangini indagou o candidato Fernão Dias, do PT (Partido dos Trabalhadores). Gustavo Sartori fez sua pergunta ao candidato Renato Frangini, do DEM (Democratas). E João Carlos Carvalho perguntou ao candidato Fred Zenorini, do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

Além disso, levando em consideração a história de vida de cada candidato, o Jornal Em Dia também fez duas perguntas específicas a cada um deles.

Você confere as respostas dos prefeituráveis a seguir:

 

Jornal Em Dia – O PT de Bragança é conhecido por ter apoiado o prefeito Jango na última eleição municipal, em 2008, inclusive participando da administração. O efeito inverso pode acontecer, se o senhor for eleito?

Fernão Dias – Não. Em nenhum momento, nenhum dos membros do PSDB participará de nosso governo. Não haverá a admissão em cargos de confiança de pessoas ligadas ao atual governo na nossa administração.

 

Jornal Em Dia – É de conhecimento público que o atual secretário de Governo, Sérgio Pereira, é seu amigo pessoal. Ele pode vir a integrar sua equipe de secretários?

Fernão Dias – Sérgio continuará sendo meu amigo pessoal, mas ele é o coordenador da campanha de João Carlos Carvalho, ele é do PSDB, ele é meu adversário político, ele não fará parte do meu governo em nenhuma hipótese.

 

Jornal Em Dia – Como você pretende implementar as ideias socialistas numa sociedade capitalista?

Fred Zenorini – Todos sabemos, o socialismo não está só no nome do nosso partido, diferente de alguns por aí. O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado e o Partido do Socialismo e Liberdade, isso não está só na sigla, nossos ideais e propostas carregam o socialismo junto a elas. Mas nós vivemos uma sociedade capitalista, não adianta falar que vamos ganhar a eleição e vamos municipalizar a Nossa Senhora de Fátima, vamos estatizar a Embralixo... Isso não vai dar para fazer, temos total consciência disso, esse não é o caminho. Mas a própria criação dos conselhos populares, que colocaria a população para discutir como que o dinheiro dela própria vai ser investido é uma opção. É muito diferente de falar em Orçamento Participativo, em que, nos exemplos que temos de um candidato, que vai colocar 5, 10%, que sobrou, em discussão com a população. Pretendemos colocar todo o orçamento em discussão com a população, por meio dos conselhos populares.

 

Jornal Em Dia – O PSTU e o PSOL, partidos que compõem a sua chapa, não têm grande representação popular em Bragança. Como pretende compor a sua equipe de governo diante disso?

Fred Zenorini – Nós defendemos a eleição do secretariado junto à base. São propostas que têm tudo a ver com os ideais socialistas, diferente de lotear a Prefeitura com partidos políticos. Quem vai indicar os nomes para ocupar a Secretaria da Educação são os profissionais da Educação, são eles que conhecem, mais do que ninguém, a realidade da Educação no município. Outra proposta é a redução dos cargos de confiança, hoje se gasta muito com isso. Os funcionários de carreira devem ser cada vez mais valorizados. Hoje, Bragança tem mais funcionários de confiança do que Campinas, isso é um absurdo. Usam-se os cargos públicos como moeda política e isso não vamos fazer. Como pretendemos chamar a população e os servidores concursados para governar com a gente, não temos esse receio.

 

Jornal Em Dia – A sua candidatura é apoiada pelo ex-prefeito Jesus Chedid e seu filho, o deputado Edmir Chedid. Se eleito, quem governará?

Renato Frangini – Renato Frangini, com apoio do Jesus Chedid e com o apoio inestimável do deputado Edmir Chedid.

 

Jornal Em Dia – O Democratas ficou em segundo lugar na eleição de 2008. O senhor acredita que a cassação do ex-prefeito Jesus Chedid, em 2005, atrapalhou a imagem do partido em Bragança?

Renato Frangini – Eu acredito que não, tanto é que você vê nas pesquisas hoje que a nossa candidatura está crescendo, dia a dia, melhorando o nosso posicionamento. Hoje, nós estamos à frente nas pesquisas. Se tivesse atrapalhado, esse resultado seria completamente diferente. E outra, a população ansiava pela volta do próprio Jesus Chedid, que por estratégia e por achar que deve se renovar o quadro do nosso partido, decidiu por bem apoiar outra pessoa, no caso eu, por entender que eu representava essa renovação e a possibilidade de fazer um governo sério, um governo produtivo, um governo junto ao grupo, com o nosso grupo. Então, acho que não atrapalhou em nada não. Se tivesse atrapalhado, os resultados que estão hoje nas ruas seria outro, essa nossa receptividade muito grande, que nós estamos tendo, principalmente quando nós estamos em companhia do deputado Edmir e do ex-prefeito Jesus Chedid.

 

Jornal Em Dia – Quando vereador, o senhor foi líder do prefeito Jango na Câmara. Na eleição de 2010, é de conhecimento público que o senhor apoiou a candidatura da primeira-dama Kátia Sólis para deputada estadual. Qual a sua relação com esses membros do PSDB? Está recebendo apoio deles em sua campanha?

Gustavo Sartori – Quando fui vereador, fui líder da oposição quando tinha o prefeito Chedid. Durante dez meses, naquele momento turbulento da nossa cidade, momento de cassação histórica no nosso município, não tive outra escolha e me senti obrigado de ajudar a minha cidade sendo líder do prefeito naquele momento. Fui líder, junto ao Dr. Valdir, um grande companheiro do PSB. Pude ficar por alguns meses, aproximadamente 11, 12 meses. Após nós termos pontos de vistas diferentes e eu achar que já tinha contribuído para aquele processo de mudança, de transformação da nossa cidade, segui meu caminho trabalhando, construindo junto à população, com grupos empresariais, entidades e associações. Em 2010, quando a esposa do prefeito foi candidata a deputada estadual, em dois momentos, ela fez reuniões em empresas de amigos nossos. Eu estive presente, acompanhei e ali permaneci. Foram essas as participações que eu tive. A relação que eu tenho com as pessoas do PSDB é como o cidadão comum, sou político, advogado, moro aqui, sou filho desta terra, quero ver minha cidade crescer, luto muito e peço muito aos poderes constituídos em nome da população. Vamos deixar bem claro, prefeito Jango, esposa Kátia Sólis, toda equipe de secretariado apoiam João Carlos Carvalho e Dra. Maria Amália. Esse é o grupo do João Carlos Carvalho, grupo do PSDB. O meu grupo é PSB e PSD e partidos coligados. Não tenho, em nenhum momento, nunca tive apoio dessa administração, do atual prefeito e da sua esposa neste processo eleitoral de 2012.

 

Jornal Em Dia – Comenta-se na cidade sobre sua ligação com a emissora de rádio Norte FM, localizada na zona norte. Os grupos dos ex-prefeitos Jesus Chedid e José de Lima são conhecidos por ter emissoras na cidade. Que impacto o senhor acredita que o veículo de comunicação pode ter na sua campanha?

Gustavo Sartori – Fico até contente de poder falar sobre isso e poder cumprimentar toda a direção da Norte FM, que é uma rádio que vem crescendo, que vem tendo uma audiência muito boa na região da zona norte. Mas, deixo claro que sou apenas um colaborador, um ouvinte, uma pessoa que quer ver aquela região crescer com sub-prefeitura, com incentivos fiscais para atrair empregos naquela região, podendo levar um banco, uma agência dos Correios, para ajudar aquela área que é uma nova cidade dentro de Bragança Paulista. Ali já é maior que Pinhalzinho, Pedra Bela e Tuiuti e falta muita infraestrutura. Mas, a rádio, eu pude acompanhar a formação com amigos, acho que é muito importante a pessoa poder colaborar e ajudar. Eu sou um colaborador, um ouvinte e um amigo daquelas pessoas que lá estão. Além disso, para rádios comunitárias não existe propriedade, existem associações que as comandam. Inclusive, são associações que comandam a Rádio Comunitária O Caminho e a Norte FM, as quais fazem um belo trabalho.

 

Jornal Em Dia – A sua candidatura representa a tentativa de sucessão do atual governo. Mesmo assim, não se vê a imagem do prefeito Jango, presidente do PSDB, em seu material de campanha, ou no seu programa de TV. Por quê?

João Carlos Carvalho – Primeiro que o Jango está trabalhando em nossa campanha. Temos uma estratégia que nós adotamos, que o sentido é esse, o candidato a prefeito sou eu, junto a Maria Amália. Temos o apoio forte do governador, e até em termos estratégicos, contra nossos adversários, foi adotado esse critério, em comum acordo, que está sendo usado e está dando certo.

 

Jornal Em Dia – Fala-se que a sua candidatura no PSDB foi, de certa forma, forçada, já que o partido estaria rachado. Qual a dificuldade que o senhor está enfrentando em sua campanha pelo fato de muitas pessoas que apoiavam e trabalhavam com a Administração Jango estarem na campanha de adversários?

João Carlos Carvalho – Primeiro que minha candidatura foi a única que não foi forçada. As outras todas foram impostas. Um é dono do partido X. Outro é dono do partido Y. E a minha candidatura é a única que foi feita democraticamente porque o partido colocou cinco candidatos na época: João Carlos, Sérgio Pereira, Gonzaga, Maria Amália e Jozefran. O partido fez uma pesquisa de opinião pública e o que ficasse em primeiro lugar seria o candidato do partido. Nenhum outro partido, acho que no Brasil, fez um critério de escolha tão democrático quanto foi o nosso. Não é uma candidatura imposta. Evidentemente, que você tendo cinco candidatos dentro de um partido, alguns queriam a minha candidatura, alguns queriam a do Gonzaga, outros queriam do Sérgio Pereira... Logo em seguida, que meu nome foi escolhido, muitas das pessoas que estavam com as outras candidaturas, migraram para a minha. O que há de diferente, e as pessoas não compreendem, é que nenhum dos candidatos que estão disputando a eleição são candidatos à reeleição. Quando você amarra todo mundo, ninguém sai do barco, porque é uma reeleição, é uma sequência certa de pelo menos seu emprego. Quando é uma eleição, nem todo mundo fica, isso é plenamente natural, encaro com naturalidade e não como um racha. O maior número de pessoas do PSDB ficou com a nossa candidatura. E é normal, um aqui, outro acolá, aderir a alguma outra candidatura e a gente não fica nenhum pouco ressentido.

 

ACOMPANHE AGORA AS PERGUNTAS QUE OS PRÓPRIOS CANDIDATOS FIZERAM A SEUS ADVERSÁRIOS:

 

Fernão Dias – João Carlos, quem foi melhor prefeito, Jango ou Jesus? Por quê? Quais as diferenças entre as duas administrações?

João Carlos Carvalho – Sem sombra de dúvidas, o melhor prefeito é o Jango. Nos últimos sete anos, são inegáveis os avanços pelos quais o município de Bragança Paulista passou com a administração do PSDB. Houve avanços e conquistas em todas as áreas. Na Saúde, o PSDB implantou projetos como o Remédio em Casa, Atendimento Domiciliar, Ônibus da Saúde, SAMU e CEO. Na Educação, além de construir e reformar escolas, implantamos o Orçamento Participativo e Núcleos de Apoio ao Professor e aos Alunos (NAPA- NAA- NASF). Criamos o kit de material e uniforme escolar, implantamos quadras poliesportivas e salas de informática nas escolas. Desenvolvemos projetos de capoeira, música e educação no trânsito. No Trânsito e Segurança, implantamos o Complexo Integrado de Segurança, Emergência e Mobilidade, a Cavalaria e o Canil da Guarda Municipal, a Guarda Ambiental. Elaboramos o Plano de Cargos e Carreiras dos Guardas Municipais e oferecemos a eles, além de equipamentos novos e modernos, cursos de aperfeiçoamento contínuos. Revoluções e avanços também foram feitos na área da Cultura e Turismo, em que regulamentamos, depois de anos, a Lei de Incentivo à Cultura, dando maior apoio para os produtores culturais. Investimos em um Festival de Inverno com atrações realmente para toda a população e não só apenas para um grupo elitizado. Trabalhamos para um Carnaval realmente familiar e seguro, resgatamos a Expoagro, gerando negócios e demos outra cara para a organização da Festa do Peão. Deixamos de atuar apenas de forma assistencial para ajudar as pessoas que mais necessitam. Ao invés de dar o peixe, procuramos ensinar a pescar com as milhares de vagas  oferecidas nos cursos na Secretaria de Agronegócios e também nos Centros de Geração de Renda 1 e 2. Doamos 35 terrenos para indústrias. Investimos ainda na capacitação de profissionais com a doação de terrenos para a FATEC, SESI e SENAI. Conquistamos o Instituo Federal (antigo CEFET) e a Universidade Aberta. Abaixamos os índices de mortalidade infantil, fomos considerados Cidade Amiga do Idoso, implantamos academia de ginástica a céu aberto, conquistamos a implantação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), reformamos o Jardim Público, o Mercado Municipal, e estamos com obras em andamento na Praça do Matadouro, bem como vamos iniciar as obras de reforma do Colégio São Luiz. Asfaltamos bairros como São Miguel, Águas Claras e Jardim Iguatemi, levamos água e energia para muitos lugares. Enfim, resgatamos Bragança de um atraso de 40 anos e fizemos isso e muito mais, sendo criticados por parte da mídia administrada pelo grupo do prefeito cassado, diariamente, exaustivamente, porque eles nunca se conformaram que o PSDB pudesse fazer tanto, pudesse fazer o que eles nunca fizeram: governar com respeito e amor pela população.

 

 

Fred Zenorini – Caro, Gustavo, nós, da Frente de Esquerda, defendemos que o dinheiro público deve ser, de fato, investido em Saúde, Educação, Segurança, Cultura, infra-estrutura e tudo o mais que é direito dos cidadãos que pagam seus impostos. Por outro lado, no modelo político em que vivemos, sabemos que boa parte do nosso dinheiro é gasto para pagar favores políticos, quando cargos públicos são usados como moeda de troca. Em troca de um apoio no período eleitoral, a folha de pagamento vai ficando cada vez, mais “inchada” devido à contratação dos famosos “funcionários de confiança” que, devido a fatores “politiqueiros”, muitas vezes nem têm a competência técnica necessária para cumprir a função. Além do mais, acreditamos na valorização dos funcionários de carreira. Desta forma, visando a cortar gastos que consideramos desnecessários e gerar mais recursos para serem investidos no que a população necessita, nós assumimos e assinamos em cartório o compromisso de cortar ao menos 50% dos cargos de confiança da Prefeitura de Bragança, caso nosso grupo vença as eleições. Nossa pergunta é simples: você assumiria este compromisso conosco?

Gustavo Sartori – Primeiro, vamos vencer as eleições, para depois montar a nossa equipe. Um time reduzido, competente, com técnicos para assumir funções, sem apadrinhamentos, sem imposição partidária ou esquemas de grupos políticos, e sem favores a amigos. A nossa administração não vai tolerar uma nomeação sequer de cunho eleitoreiro ou político.

Cortar cargos comissionados em 20, 30 ou 50%, essa é a nossa função. Vamos assumir este compromisso com a população, porque é fundamental gerenciarmos os recursos da Prefeitura de forma coerente, não da maneira que as últimas administrações geriram esta questão até hoje.

 

 

Renato Frangini – Fernão Dias, semanas após sua posse como seccional, você prometeu, na Câmara Municipal, que iria fortalecer as delegacias, criar um posto policial na zona norte e avaliar a criação de um posto no Cruzeiro. Após um ano da sua posse como seccional, você fechou todas as delegacias, Centro, Vila Motta, Júlio Mesquita e Parque dos Estados, além de não criar o posto policial do Cruzeiro. Por que você prometeu e não cumpriu?

Fernão Dias – A pergunta demonstra que o candidato Renato Frangini, em vez de discutir a cidade e seus problemas, quer espalhar informações falsas para atacar minha honra e minha capacidade profissional. A cidade sabe o que fiz à frente da Delegacia Seccional e, por isso, está cada dia mais me apoiando na atual campanha. De qualquer forma, faço questão de responder ponto a ponto suas falsas ilações para que os leitores tenham acesso à verdade. E espero que ele não trate as mulheres que atende com a mesma grosseria de sua pergunta. Todos os compromissos assumidos na Câmara Municipal foram cumpridos dentro do prazo de um ano e dez meses, tempo em que comandei a Polícia Civil da região. E mais, além de terem sido cumpridos, outras mudanças foram realizadas na Polícia Civil bragantina, motivando até mesmo a visita e elogios de integrantes da Secretaria de Segurança Pública do governo estadual, que aqui estiveram para conhecer a reengenharia feita na cidade e aplicá-la em todo o estado de São Paulo. A racionalidade na distribuição dos recursos materiais e de pessoas norteou essa reengenharia, tendo em vista a deficiência do número de policiais civis, de responsabilidade do governo estadual. As delegacias foram fortalecidas sim, apenas mudaram de locais, como foi o caso do 1º Distrito Policial, que abriga a Central de Polícia Judiciária, onde foram centralizados todos os inquéritos policiais, facilitando o acesso do cidadão bragantino e o acompanhamento de seus procedimentos. Antes localizado no Jardim Nova Bragança, encontra-se atualmente na Praça Nove de Julho, em prédio do estado. O 2º Distrito Policial foi fortalecido, centralizando todos os procedimentos de ocorrências de menor potencial ofensivo, gerando maior agilidade no encaminhamento dos procedimentos ao Fórum local. Antes localizado na Vila Motta, atualmente encontra-se no prédio do Plantão Policial Permanente, na Praça Nove de Julho, prédio do Estado. O 3º Distrito Policial, que abriga o NECRIM (Núcleo Especial Criminal) foi criado para acelerar e resolver delitos de menor potencial ofensivo, sem a necessidade de aguardar a intervenção do Poder Judiciário. Com 81% de acordos realizados, homologados pelo Poder Judiciário, fica demonstrado o sucesso do pioneirismo na implantação do NECRIM na região de Campinas. É importante esclarecer que nenhuma delegacia “foi fechada”, mas, sim, transferida para outros prédios, a maioria própria do Estado, gerando economia para os cofres públicos, tendo em vista que as delegacias antes instaladas na Vila Motta, Júlio Mesquita e Centro estavam sediadas em casas alugadas, em instalações improvisadas e ultrapassadas, que não atendiam às demandas da população e principalmente do corpo investigativo. As Delegacias de Entorpecentes, DIG e Centro de Inteligência foram transferidas para um único grande Centro Operacional, localizado na entrada da cidade, de fácil acesso, amplo estacionamento e reformado de acordo com as necessidades dos serviços policiais, com salas adequadas para a investigação, reconhecimento de criminosos com preservação da identidade das vítimas, guarda de objetos, instalação de equipamentos de inteligência, entre outras funcionalidades. A Delegacia que estava no Centro era a DISE, instalada em prédio alugado, uma residência mal adaptada às necessidades do serviço policial, onde havia dificuldade de acesso e estacionamento e, o que era pior, localizada em uma rua sem saída, estreita, sem mobilidade estratégica para a realização de saídas emergenciais. Foram criados o Complexo Policial Imigrantes, reunindo a Sede da Delegacia Seccional, o Posto de Identificação Civil e Criminal, o 2º DP/Plantão Policial, o 1º DP / Central de Polícia Judiciária e o Complexo Policial Dom Pedro, reunindo a Delegacia de Investigações Gerais, Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes e o Centro de Inteligência Policial. A Delegacia de Defesa da Mulher foi reformada e suas instalações foram adequadas de forma a melhorar o atendimento. Quanto ao Parque dos Estados, é de fato região carente de recursos públicos. Outrora funcionou, precária e irregularmente, naquela área da cidade, uma unidade policial, então identificada como 4º Distrito Policial, cuja criação nunca foi autorizada. Em meados de 1995 essa unidade foi desativada, porque não estava prevista no Decreto Governamental nº 40.215, de 25 de julho de 1995, que reorganizou o DEINTER. Também no Decreto nº 44.448, de 24/11/99, que revogou o de nº 40.215/95, não foi prevista a criação do 4º Distrito Policial em Bragança Paulista. Não houve fechamento de Delegacia de Polícia, até porque ali nunca houve uma Delegacia de Polícia instalada, o que somente seria possível através de um Decreto Estadual. Em minha gestão, nesse bairro foi instalado um anexo do 2º DP, em conjunto com a Prefeitura e Polícia Militar, sendo destinados um policial civil e um guarda municipal, além de policiais militares. Ocorre que, diante do baixíssimo número de ocorrências registradas naquele posto, reflexo da população ordeira e disciplinada, decidiu-se pelo encerramento das atividades e melhor aproveitamento do policial civil e do guarda municipal que lá estavam durante todo o período diurno para registrar menos de uma ocorrência por dia. Todavia, no que diz respeito à segurança pública, o que se exige e o que se necessita é a presença diuturna de policiamento ostensivo e preventivo. Uma unidade de polícia judiciária, cujo funcionamento, pelas suas próprias peculiaridades, se restringe ao horário normal de expediente dos dias úteis, não corresponde à expectativa. Essa avaliação foi seguida para o caso da instalação do posto policial do Bairro do Cruzeiro. Inicialmente, a reengenharia da Polícia Civil em Bragança Paulista foi a forma encontrada para adequar os trabalhos de polícia judiciária a uma melhor prestação de serviços à população. Infelizmente, a Região Bragantina, a cada dia que passa, exaure seus recursos humanos através de aposentadorias e exonerações. A falta de pessoal em nossa região é um problema gravíssimo e que deve ser analisado de forma primordial pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.

 

 

Gustavo Sartori – Renato, você que já foi vereador pelo grupo Chedid e está com ele há muitos anos, não se sente incomodado de participar e ser apoiado por um ex-prefeito que foi cassado por improbidade administrativa; a sua linha de conduta será a mesma que o ex-prefeito usava?

Renato Frangini – Gustavo, você que se diz uma pessoa formada em Administração Pública e advogado deveria saber que o Jesus não foi penalizado por improbidade administrativa, constituindo inclusive a sua afirmação uma calúnia passível de processo crime (art. 138 Código Penal), mas por propaganda vedada em período eleitoral, na eleição de 2004. Gustavo, sou médico, mas sei que improbidade administrativa é tratada na Lei 8429/92 e conduta vedada em período eleitoral é assunto para a Lei 9504/97. Naquele ano, a administração do Jesus Chedid era composta por pessoas que hoje estão na sua equipe e coordenando a sua campanha eleitoral e, neste caso, isso muda alguma coisa na sua conduta? Não escondo os meus apoios, temos uma excelente equipe e o melhor programa de governo para Bragança Paulista. Pontos importantes para  traçar minha linha de conduta em nosso governo, ligando Bragança Paulista ao futuro e fazendo nascer um novo dia, pois o nosso grupo é o único que não tem nenhuma ligação com a péssima administração dos últimos anos de Bragança.

 

 

João Carlos Carvalho – Como membro de um partido de esquerda, o que você acha do escândalo do mensalão? 

Fred Zenorini – Certamente, repudiamos as atitudes de todos os políticos envolvidos no caso do mensalão. Só temos a lamentar que casos assim sejam mais comuns e antigos do que a maioria das pessoas se lembra. Vejamos, por exemplo, que os casos de mensalão tiveram o primeiro destaque na mídia com o então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, do PSDB, ainda em 98. Posteriormente, veio à tona o caso do PT, envolvendo lideranças nacionais desse partido, que hoje se encontram no banco dos réus. Já em 2010, o então governador José Roberto Arruda, do DEM, também foi acusado de práticas semelhantes ao do esquema do PT, que ficou conhecido como “mensalão do DEM”. Curiosamente, os casos do “mensalão tucano” e do “mensalão petista” tinham como pivô a mesma figura: o empresário Marcos Valério. Como se vê, para muitos políticos e empresários, pouco importa a sigla partidária, mas, sim, se estes partidos têm acordo com o modus operandi da velha política corrupta. Em termos partidários, vale lembrar que o PSB, que disputa as eleições em Bragança, é base de apoio dos governos estadual, do PSDB, e federal, do PT. Enquanto isso, na nossa cidade, podemos não ter um caso de mensalão que veio à tona, mas temos os famosos “cargos de confiança” que são usados como pagamento de favores políticos, configurando o mau uso do dinheiro público. Até mesmo o PSDB, no Governo Jango, cedeu ao PT diversos cargos comissionados na Prefeitura . Dessa forma, nós, da Frente de Esquerda, defendemos a redução de no mínimo 50% dos cargos de confiança, para podermos investir o montante a ser economizado em diversos setores, como Saúde, Educação, Cultura, Segurança. Além do que, propomos que as secretarias municipais sejam preenchidas conforme as indicações de cada categoria do funcionalismo municipal de carreira. É por isso também que somos contra as campanhas políticas milionárias, pois acreditamos que são elas que abrem as portas dos governos para que casos como o mensalão corroam nossos recursos públicos.

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