Camafeu é um doce de festa antigo, do tempo em que não se usava leite condensado e nem haviam “inventado” o famoso brigadeiro, que data do ano de 1945/46, pouco depois que o ingrediente principal começou a ser fabricado no Brasil.
O camafeu tradicional tem a massa à base de nozes moídas, água e açúcar; coberto depois com a calda de glaçúcar que forma uma casca durinha, branca como a neve. Assim, são muitas etapas de preparo desse doce que fez parte do cardápio de diversas grandes comemorações de minha família, nas quais sempre fui eu quem preparou as massas dos doces (muita gente tem dificuldade em dar o ponto certo de enrolar nas massas). Tenho muitas fotos das bandejas de docinhos preparados com as delícias que aprendi muito nova com as melhores doceiras da cidade e noutra oportunidade trarei aos leitores algumas dicas e as fotos.
Vi na internet e testei no Ano Novo uma releitura do camafeu na travessa. Releitura mesmo, pois esta massa leva leite condensado e creme de leite. Claro que é sinônimo de sucesso, rende bastante, mas ainda prefiro ter todo o trabalho do tradicional, pois sou fã das bandejas de docinhos artesanais.
O que tive dificuldade de encontrar foi o glaçúcar, que é um açúcar bem fininho, que, em contato com pouquíssimo líquido, forma uma pasta. A dica de bater o açúcar refinado seco no liquidificador para deixá-lo fininho dá certo.
CAMAFEU DE TRAVESSA

- 200 g de nozes trituradas no mixer ou no liquidificador (separe antes algumas metades sem triturar para enfeitar no final)
- 2 caixas (200 ml cada) de creme de leite
- 1 lata (395ml) de leite condensado
Misture bem os ingredientes na panela e leve ao fogo até começar desgrudar do fundo da panela. Deixe alguns minutos até chegar ao ponto de doce de colher e desligue.
Despeje a massa numa travessa pequena, de modo que fique com uma espessura razoável. Não deve ficar muito fina. Deixe esfriar totalmente.
Num prato, coloque:
- 1 xícara (chá) de glaçúcar (ou açúcar refinado batido no liquidificador caso não encontre)
- 2 colheres (sopa) de caldo de limão
Comece a fazer uma pasta, que, no início, parecerá muito sólida, mas ela amolece. Não coloque mais líquido nesse momento para não desandar. Se necessário, junte mais 1 colher de água.
Espalhe essa calda sobre o doce frio cobrindo toda superfície e, com delicadeza, espalhe as nozes sobre ela para enfeitar. Leve gelar para que a calda endureça. Sirva gelado.

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau- lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
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