A Região Bragantina opera hoje com 170 servidores públicos a menos do que deveria. Segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), são 203 funcionários ativos para 373 postos preenchidos. Ainda assim, o déficit de 170 profissionais é 11% maior do que o registrado há um ano, quando faltavam 153 policiais.
Em 2018, o efetivo na cidade era composto por 33 delegados, 76 escrivães, 76 investigadores, 14 agentes policiais, 10 agentes de telecomunicações, 4 papiloscopistas e 7 auxiliares de papiloscopia.
Os últimos dados fornecidos pela assessoria do Sindpesp ao Jornal Em Dia revelam que os números atuais, de novembro de 2019, pioraram o cenário: são 28 delegados (36 é o número ideal), 65 escrivães (deveriam ser 91), 66 investigadores (o previsto em lei é 134), 24 agentes policiais (a previsão é de 82); 9 agentes de telecomunicação (a demanda é de 14), foi mantido o número de papiloscopistas (4) e houve redução nos auxiliares, que caiu de 13 para 7, quando o ideal é de 13.
Segundo a presidente do Sindpesp, Raquel Kobashi, a situação é lamentável, “Infelizmente, essa situação é a realidade do estado de São Paulo, onde temos um déficit de 13 mil policiais civis. Isso sobrecarrega os policiais, que muitas vezes cumprem a função de três ou quatro pessoas, e penaliza toda a população paulista, que vê sua segurança comprometida por um desmonte da Polícia Civil que vem sendo feito há pelo menos 20 anos e se intensificou na gestão Doria. Além da sobrecarga, os policiais trabalham em delegacias em péssimas condições de conservação, com falta de equipamentos e viaturas que quebram constantemente. Todos esses fatores prejudicam o trabalho de segurança pública, colocam a população em risco e não deveriam ocorrer em São Paulo, o estado mais rico da federação”, finalizou.
Com as mudanças no cenário da previdência do estado de São Paulo, a estimativa do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) é de que os pedidos de aposentadoria tenham aumentado 30% nos últimos meses. “Já temos uma defasagem e o cenário pode se agravar ainda mais nos próximos dois anos caso nada seja feito”, afirma Kobashi.
Desistência em concursos – O último concurso para delegado de polícia mostra o quanto a carreira se deteriorou no estado de São Paulo nos últimos anos. Dos 250 candidatos aprovados e chamados para tomar posse, 20 sequer atenderam à convocação. Dos 230 empossados que iniciaram o curso na Acadepol, 14 já pediram exoneração dos quadros antes mesmo de concluir a formação. Com isso, um alarmante total de 13,6% dos aprovados abandonou a carreira antes mesmo de iniciar o trabalho dentro de uma delegacia.
Equipamentos obsoletos ou danificados, distritos policiais com estrutura comprometida e sobrecarga desumana de trabalho também fazem parte da rotina do delegado e das demais carreiras da Polícia Judiciária paulista. “Esses 34 candidatos deixam um recado claro: cada vez mais, a sociedade está atenta e não aceita o desmonte da Polícia Civil, que se agrava agora, na gestão João Doria”, completou Raquel.
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