Atividades de aterro seguem suspensas e Bragança Paulista transporta lixo a Paulínia

Secretário contou que o município abrirá cadastramento para pessoas que trabalham com reciclagem, a fim de mapear o serviço na cidade

 

 

Parte do aterro em que o lixo coletado em Bragança Paulista é depositado, cerca de 1%, sofreu ruptura e deslizamento de terra, na tarde do dia 8 de julho. Com isso, o material coletado na cidade tem sido levado a Paulínia. O secretário municipal de Meio Ambiente, Francisco Chen de Araújo Braga, explicou ao Jornal Em Dia, na manhã de sexta-feira, 26, como está a situação.

Com a notícia do desliza-mento do aterro, que é de responsabilidade da empresa Embralixo, o secretário de Meio Ambiente contou que visitou o local, acompanhado do secretário municipal de Serviços, Moufid Bachir Doher, e de representantes da empresa. O Ministério Público e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) foram comunicados do fato. A companhia, inclusive, esteve no local, fazendo vistoria técnica, e registrou um auto de inspeção, em que relata o ocorrido.

A Embralixo solicitou uma perícia técnica no aterro, a qual está sendo elaborada. O prazo para que esse documento fique pronto é de 60 dias. Só então as causas do deslizamento poderão ser conhecidas, apontou o secretário. “Somente com esse estudo a gente pode afirmar. É uma situação muito complexa, o deslizamento pode ter ocorrido por vários motivos, então, só o estudo tem condições de apontar qual foi a causa ou causas que acarretaram nesse deslizamento”, explicou.

Questionado sobre a possibilidade de vazamento de chorume no aterro, o secretário insistiu que é mais prudente esperar o laudo técnico para considerar essa hipótese.

Por causa do deslizamento, o aterro teve suas atividades de deposição de resíduos suspensas e o lixo coletado na cidade tem sido levado a Paulínia. Conforme detalhou Francisco, o deslizamento coincidiu com o vencimento do contrato entre a Prefeitura e a empresa. Então, por dois ou três dias, a Embralixo custeou o transbordo e o transporte do lixo ao município de Paulínia. Depois, com o aditamento do contrato, por um ano, ficou definido que a Prefeitura passaria a arcar com esse custo.

Atualmente, Bragança Paulista mantém com a Embralixo contratos distintos para a coleta do lixo, destinação dos resíduos sólidos e varrição das vias públicas. O serviço de coleta custa aos cofres públicos R$ 56,17 por tonelada. A destinação é feita por R$ 48,57 a tonelada e a varrição por R$ 30,26 o quilômetro.

Com a necessidade da destinação do lixo em outro espaço, o município está pagando R$ 12,67 por tonelada para o transbordo e R$ 26,00 por tonelada para o transporte do lixo a Paulínia. O secretário Francisco disse que o transbordo consiste apenas na transferência da carga de lixo do local aonde ele vem sendo depositado para o caminhão que vai, então, transportá-lo a outro município. Esses contratos foram firmados pelo prazo de 60 dias, com possibilidade de aditamento, caso seja necessário.

A reportagem perguntou ao secretário sobre o valor dos serviços, já que rumores dão conta de que Bragança tem contratos com valores abaixo do mercado. Francisco confirmou a informação, apontando que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo tem valor de referência para a coleta de lixo, que é de R$ 70,00. O custo médio da destinação dos resíduos é de R$ 55,00 a R$ 60,00.

A destinação de lixo em Pinhalzinho custa cerca de R$ 80,00 a tonelada, exemplificou o secretário, explicando que quanto menor for a demanda, maior será o custo do serviço.

“O custo varia de acordo com o volume produzido. Se a demanda é alta, no município, então o valor abaixa. Se a demanda é menor, então, o valor aumenta. Varia muito”, disse, ressaltando que o custo do serviço na cidade realmente está abaixo do mercado.

Bragança Paulista produz entre 140 e 150 toneladas de lixo por dia atualmente.

 

 

PRÓXIMOS PASSOS

A Embralixo aguarda a perícia técnica do caso de deslizamento de parte do aterro para definir como agirá. O secretário de Meio Ambiente apontou que será necessário fazer uma readequação do local para conter outros danos. Para isso, precisará obter as licenças necessárias. “A massa que se deslocou tem que ser retaludada, para que o material não desmorone, não se disperse”, comentou Francisco.

Além disso, a empresa já deu entrada num processo de licenciamento de uma nova área, uma ampliação do aterro. De acordo com o secretário, a Embralixo conseguiu a licença prévia dessa nova área, o que permite que ela prossiga no processo de licenciamento. Ela não está autorizada, porém, a usar o novo espaço, até que obtenha a licença de instalação e a licença de operação. “O aterro já estava em processo de ampliação. Ele já tem a licença prévia para a ampliação dessa nova área. Agora, é necessária a obtenção da licença de instalação e, depois, a licença de operação. Aí, sim, os resíduos de Bragança não precisarão ser mais transbordados, poderão ser depositados nessa nova área”, contou.

 

 

CADASTRAMENTO PARA QUEM

TRABALHA COM RECICLAGEM SERÁ ABERTO

 

O secretário Francisco Chen ainda contou ao Jornal Em Dia que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente abrirá, em breve, um chamamento público para cadastrar profissionais que trabalham com coleta ou resíduos recicláveis.

A intenção é fomentar a coleta seletiva. “Por meio desse cadastramento, vamos fazer uma divulgação institucional de quem trabalha com coleta seletiva para que a população possa fazer a destinação de forma direta”, comentou o secretário.

Com o mapeamento, a população poderá levar ou solicitar a coleta dos materiais recicláveis. A Secretaria do Meio Ambiente fará essa articulação, concluiu Francisco Chen.

 

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image