Aos 22 de fevereiro de 1992, surgia em Bragança Paulista a Ases (Associação dos Escritores de Bragança Paulista), que, assim, nesta sexta-feira, completa 21 anos.
A data não poderia passar despercebida. Por isso, o Jornal Em Dia conversou, na tarde dessa quarta-feira, 20, com a atual presidente da entidade, Apparecida Moreira Pereira, e com a diretora financeira, Henriette Effenberger.
Conhecida especialmente pela realização de concursos literários e estudantis, por meio dos quais anualmente são revelados novos talentos, a Ases nasceu da iniciativa da escritora Lóla Prata.
Lóla percebeu que em Bragança havia escritores pela grande participação de bragantinos nos concursos literários promovidos pela USF (Universidade São Francisco). Assim, ela, que já havia participado da Associação dos Escritores da Baixada Santista, teve ideia de fundar uma associação de escritores em Bragança, a fim de reunir essas pessoas.
Edilberto Daólio, que na época era diretor do Departamento de Cultura da cidade, o equivalente hoje ao secretário dessa área, apoiou a ideia. A mesma atitude teve o pró-reitor comunitário da USF, Antônio Carlos de Almeida.
Os três começaram, então, a preparar a primeira reunião, convidando pessoas que poderiam se interessar pelo assunto. Esse primeiro encontro ocorreu no dia 20 de junho de 1991, no salão nobre da Prefeitura, com a presença de 19 pessoas.
Henriette contou que ela foi convidada a participar pelo pró-reitor da USF, Antônio Carlos, por ter sido classificada em um concurso promovido pela universidade.
Já Cida Moreira não participou da primeira reunião, mas recebeu o convite de Carmen Sylvia de Carvalho Penteado e logo integrou o grupo de escritores.
Cerca de oito meses se passaram do primeiro encontro à fundação da Ases. Cida e Henriette explicaram que esse tempo foi dedicado a elaborar o estatuto, definir os objetivos e escolher o nome da entidade. Havia inclusive a dúvida sobre criar uma associação ou uma academia de escritores, mas acabou se optando pela associação “para que se pudesse acolher novos membros, e para trabalhar inclusive com vanguarda, com experimentação, e uma academia não pode se dar a esse luxo”, explicou Henriette.
Até a fundação da Ases, as reuniões ocorriam no salão nobre da Prefeitura. A partir da fundação, os encontros passaram para o escritório de outro membro, Norberto de Moraes Alves, no Shopping Jaguari. Mais tarde, entre 1993 e 1998, os aseanos passaram a fazer suas reuniões no Sindicato dos Ferroviários, no Jardim Europa.
De 1998 a 2004, a Casa de Cultura passou a ceder seu espaço para reuniões e eventos da Ases. “Temos muita gratidão pela Casa de Cultura. Eles diziam que nós não éramos parceiros, éramos hóspedes”, contou Henriette.
No ano de 2000, o então prefeito José de Lima cedeu em comodato por 20 anos o prédio da atual sede da Ases, na Rua Coronel Leme, 35, próximo ao Colégio Jorge Tibiriçá. Este prédio, que já havia abrigado o SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) e alguns serviços do Sesi, estava sem uso, abandonado.
A Ases, então, reformou o local, construindo mais um piso, e pôde inaugurar sua nova sede em 2004. Cida e Henriette destacam que a reforma e ampliação do local só foi possível porque a comunidade ajudou muito, com doações em espécie e em materiais de construção.
OS CONCURSOS
Já no primeiro ano de fundação, a Ases promoveu seu primeiro concurso. Ele era destinado a adultos e crianças. O mais novo literato concorrente, conforme registrou o jornal A Voz de Bragança, na edição de 6 de junho de 1992, foi o garoto Víctor Oscar Martins Claro, que na época tinha oito anos e acabou recebendo menção honrosa no concurso. A concorrente mais idosa tinha 87 anos.
Hoje, a Ases promove anualmente o concurso estudantil e também promove o concurso literário.
O concurso estudantil, que é aberto a alunos de todas as séries do Ensino Fundamental e Ensino Médio e de todas as escolas da cidade, tanto públicas como particulares, neste ano, tratará do escotismo.
O concurso literário se tornou internacional, com a participação de escritores de todo o mundo. No ano passado, o vencedor foi um português.
Questionadas se elas imaginavam o alcance que a Ases teria, 21 anos depois da fundação, Cida e Henriette foram categóricas em afirmar que não.
“Eu não imaginava. Eu imaginava que eu estava naquele lugar porque eu gostava de literatura. Eu queria encontrar pessoas que também gostassem pra conversar, de literatura, mas não imaginava esse alcance”, disse Cida.
“Nós não imaginávamos e nem tínhamos essa pretensão”, completou Henriette.
AS REUNIÕES
Atualmente, a Ases realiza suas reuniões às segundas quintas-feiras de cada mês, às 20h. A presidente Cida Moreira ressaltou que a entidade está aberta para todos os interessados em literatura.
Além disso, também foi criada a Ases Jovem, que se reúne às quartas-feiras, às 17h30. Jovens de 11 a 17 anos podem participar.
Nas reuniões da Ases, os membros primeiramente discutem a parte administrativa. Depois, passam à parte literária, quando têm a oportunidade de mostrar suas criações. E, por fim, há sempre uma confraternização para comemorar o aniversário de algum integrante.
No momento literário, Henriette conta que Cida, como professora de português, tem ensinado conteúdo de técnica e elaboração de textos, lançando a proposta da confecção de textos do tema trabalhado. De acordo com Cida, os aseanos já trabalharam com poesia concreta, haicais, contos, microcontos, sonetos e figuras poéticas.
“Acaba sendo um aprendizado e também um exercício, motivando todo mundo a criar mais”, afirmou Cida.
A Ases também abriga em sua sede a UBT (União Brasileira dos Trovadores), seção de Bragança Paulista. A entidade se reúne nas tardes das últimas quintas-feiras de cada mês e só trata de trovas.
A IMPORTÂNCIA DA ASES NA VIDA DOS ESCRITORES E DA CIDADE
A Ases acabou despertando em muitas pessoas que moram em Bragança Paulista o gosto e a atividade literária frequente. A reportagem perguntou a Cida e a Henriette se elas acreditam que estariam onde estão hoje, na área literária, se a Ases não tivesse sido criada.
“Não. Se não houvesse a Ases, provavelmente eu não teria nem me dedicado à literatura”, declarou Henriette, contando que foi bancária a vida toda e que até tinha uma colega do banco que também escrevia, mas que só foi descobrir isso quando viu seu nome e o de sua amiga publicados na classificação de um concurso literário promovido pelo banco.
“Não, eu escrevia e guardava, ficava tudo engavetado”, contou Cida.
Os autores da Ases recebem muitos prêmios literários no Brasil e fora do país. “São prêmios importantes no cenário literário nacional. Então, é uma forma também de a Ases levar o nome de Bragança para fora da cidade”, comentou Henriette.
“Todo mês tem alguém premiado”, disse Cida, mencionando alguns prêmios conquistados por escritores aseanos.
Um fato curioso que também marca a história da entidade é que a Ases é madrinha da Abes (Associação Boqueirense de Escritores), da Paraíba.
De acordo com Henriette, uma escritora da Paraíba procurou a Ases querendo obter informações sobre as atividades da associação e então surgiu a nova entidade de escritores. Em outubro, a Abes realizará o 3º Encontro de Escritores, contaram as aseanas, acrescentando que pretendem participar do evento.
O FUTURO
Sobre os planos para o futuro, a presidente Cida disse que a Ases vai continuar lançando concursos, tanto os estudantis quanto os de adulto, e vai continuar promovendo eventos.
No dia 21 de março, por exemplo, haverá um sarau, com música e poesia, em homenagem a Vinicius de Moraes. No Dia Internacional da Poesia, a Ases registrará sua homenagem ao centenário do escritor, em parceria com o Clube Literário, que cedeu o espaço para a reunião.
Outra novidade que Cida e Henriette passaram em primeira mão para o Jornal Em Dia é sobre o tema do concurso estudantil deste ano. Será trabalhado o lema dos escoteiros: “Escotismo, sempre alerta para melhor servir”.
Cida e Henriette estão confiantes de que a participação dos estudantes será grande.
HOMENAGEM AOS MEMBROS FALECIDOS
No momento em que completa 21 anos de atividades, a ASES (Associação de Escritores de Bragança Paulista) vem a público agradecer o apoio de seus parceiros, amigos, simpatizantes e amantes da literatura e por intermédio de um soneto, composto por sua presidente Cida Moreira, reverencia a memória dos associados falecidos: Flávio Rodrigues, João Marcondes Escobar, Lida Leda Montanari Leme, Maria Siriani Del Nero, Renato de Macedo e René Zmekhol, os quais muito contribuíram para que a entidade atingisse sua maioridade cultural:
SONETO DA SAUDADE
Onde estão vocês e sua poesia,
Leda, Renato, Maria, Escobar,
Flávio, Renê, que se foram um dia,
este soneto vai homenagear.
Lida Leda da perene alegria,
Renato e Maria a pesquisar,
Flávio e Renê cujo riso se ouvia,
e João Escobar a filosofar.
A música, a farmácia, a medicina,
andando junto com a literatura,
para o corpo e a mente têm a cura.
Mas sua caminhada não termina,
pois são vocês com a sua escrita
que tornaram Bragança mais bonita!
Cida Moreira
0 Comentários