As razões do coração

Por Paulo Botelho

 

Augusto Frederico Schmidt, poeta, escritor, editor e principal assessor do presidente Juscelino Kubitschek, estava muito angustiado naquela tarde de 8 de fevereiro de 1965. Por toda a manhã ele acompanhara o presidente Juscelino em um interrogatório nas dependências de um quartel do Exército na cidade do Rio de Janeiro.

O interrogador – ou torturador – era um jovem capitão: primário, arrogante, desrespeitoso, de olhar imbecilizado. Ele queria informações sobre as “Contas na Suíça” de Juscelino. Inexistentes. JK, como era conhecido, morreu alguns anos depois em um misterioso acidente, pobre e doente. Augusto morreu de infarto naquele mesmo dia, aos 60 anos.

No final daquele circo arquitetado pelos patifes do Exército, Augusto não voltou para casa. Havia tido dores no peito durante a tarde toda. Não querendo assustar Yeda, sua mulher, pediu ao motorista que tocasse para a casa do amigo Júlio Badaró. E lá morreu ouvindo Azulão na voz de Maria Lúcia Godoy. “Vai Azulão, companheiro, vai; diz que sem ela o sertão não é mais sertão!”. Os versos são do poeta Manuel Bandeira e a música de Jaime Ovalle, pai de Yeda.

Ao diagnosticar que o coração tem razões que a própria razão desconhece, Pascal, filósofo francês, quis dizer que as emoções e sentimentos são as causas e efeitos de nossas alegrias e tristezas.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é consultor de empresas e escritor

www.paulobotelho.com.br

 

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