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Saúde

Alcoólicos Anônimos: conheça o trabalho e saiba como participar


É cada vez mais comum associar aos meses do ano um tema com a intenção de conscientizar a população sobre a importância de se atentar a ele, prevenindo doenças ou alertando para o perigo de certas práticas.

A ONG britânica Alcohol Change United Kingdom começou há alguns anos a campanha Dry January, Janeiro Seco, a fim de incentivar que as pessoas diminuam o uso de álcool e até se abstenham dele no primeiro mês do ano. A iniciativa vem ganhando adeptos no Brasil.

Pesquisadores da Universidade de Sussex, em Falmer, no Reino Unido, analisaram dados de três pesquisas on-line com pessoas que haviam aderido ao Janeiro Seco. Os resultados mostraram que a abstenção de álcool por um mês trouxe benefícios como aumento de energia, peso corporal mais saudável, mais concentração e menos necessidade de beber álcool nos meses posteriores à iniciativa.

Recentemente, a atriz Bárbara Borges, que atualmente trabalha na Rede Record, usou as redes sociais para falar do problema do alcoolismo. Conforme sua postagem, ela está há quatro meses sem beber.

O problema relatado pela atriz está sendo tratado pela Rede Globo, por meio da personagem Stella, interpretada pela atriz Vanessa Giácomo, na novela O Sétimo Guardião.

Mas seja na vida real ou na ficção, o álcool causa sérios problemas a quem dele faz uso descontrolado. E não se trata de pouca gente. O Relatório Global sobre Álcool e Saúde, divulgado em setembro de 2018 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera o alcoolismo uma doença, apontou que 43% da população bebe atualmente (prática comum nos últimos 12 meses).

No Brasil, aproximadamente 40% da população consumiu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses. Entre os brasileiros que beberam neste período, os homens são maioria (54%, enquanto as mulheres somam 27,3%).

Quem passa pelo problema ou aqueles que têm parentes ou amigos nessa situação sabe o quanto o alcoolismo pode ser prejudicial, seja na vida pessoal, profissional e até mesmo para o organismo do indivíduo.

Mas a boa notícia é que é possível se livrar do uso do álcool e uma das maneiras é frequentar grupos de apoio, como o Alcoólicos Anônimos (A.A.). 

COM O A.A. É POSSÍVEL MUDAR DE VIDA

O Jornal Em Dia recebeu a visita do coordenador do CTO (Comitê Trabalhando com os Outros) dos grupos de Bragança, Leo*, que falou um pouco sobre o trabalho que é desenvolvido.

Leo contou que o Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham, entre si, suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.

De acordo com ele, que acumula 17 anos de sobriedade, o único requisito para participar é a pessoa ter o desejo de parar de beber, não há nenhuma outra exigência e o serviço não tem vínculo com nenhuma religião ou grupo político. “Não importa o nível social, a etnia, a opção sexual, o que importa é que a pessoa está sofrendo com o alcoolismo e quer melhorar. Com o A.A., a pessoa vai conseguir uma mudança de vida”, assegurou.

O coordenador do CTO observou que o álcool está inserido na cultura brasileira. “Nasceu a criança, bebe, fez o batizado, bebe, casou, bebe, separou, bebe. Tudo está relacionado com o álcool. O A.A. vai fazer com que o cara tenha uma vida boa sem a bebida. Porque o cara também não pode ficar numa redoma de vidro, ele tem de viver, trabalhar, relacionar, pagar conta, ter responsabilidade, mas com o álcool ele não consegue. Então, aí gera o sofrimento, dele e da família, das pessoas que estão próximas”, comentou.

Os grupos de Alcoólicos Anônimos têm alto índice de recuperação, contou Leo. “É isso que o A.A. faz nesses mais de 80 anos que existe, faz com que as pessoas se transformem, faz com que o ser humano derrotado, arrebentado, que chegou lá, sem emprego, sem família, sem saúde, sem dignidade, consiga retomar sua vida de onde ele parou”, observou.

Os membros do A.A. seguem um programa que tem 12 passos. O primeiro deles é admitir a impotência perante o álcool. O segundo e o terceiro estão relacionados a um poder superior (Acreditar que um poder superior pode devolver a sanidade e entregar-se aos cuidados desse poder superior). Apesar de não ter vínculo com religiões, o Alcoólicos Anônimos reforça a parte espiritual do indivíduo, para que ele seja capaz de se recuperar. “Falar que nunca mais vai beber é muito tempo. O ideal é falar só por hoje, amanhã é outra história”, apontou.

Outra característica do A. A. é que não se cobram taxas ou mensalidades. “Também não se fala que a pessoa tem que parar de beber porque a pior coisa é falar para quem está envolvido com o alcoolismo que ele tem que parar de beber ou que ele é alcoólatra. Sou eu que falo que sou alcoólico, ninguém pode falar isso por mim”, disse Leo.

As pessoas que procuram as reuniões do A.A. pela primeira vez são chamadas de recém-chegadas. Elas são acolhidas e recebem todas as informações para que decidam se vão continuar participando ou não. De acordo com Leo, é muito comum também que as pessoas procurem o A.A. para outros indivíduos, parentes ou amigos que estão sofrendo com o alcoolismo.

Nas reuniões, os participantes fazem depoimentos e falam o que têm vontade. “Não fazemos promessas, o programa é de 24 horas, um dia de cada vez”, destacou Leo.

Há dois grupos de Alcoólicos Anônimos em Bragança Paulista: o Grupo Bragança, que tem 40 anos, e o Grupo Esperança, que tem 12 anos de existência. Além de promover encontros semanais, os membros dão palestras em escolas e empresas, apresentando vídeos e contando um pouco de sua história de vida. A intenção é disseminar informação ao máximo de pessoas possível.

Interessados em levar palestras do A.A. podem entrar em contato pelo número: (11) 9 9807-8005.

As reuniões do Grupo Bragança acontecem às terças e sextas-feiras, às 20h, na Rua Professor Luiz Nardy, 809, nos fundos da Igreja Nossa Senhora Aparecida.

O Grupo Esperança se reúne às quintas-feiras, às 20h, na Avenida Deputado Virgílio de Carvalho Pinto, 1000, Parque dos Estados, na Igreja de Nossa Senhora da Esperança.

Leo convidou todas as pessoas que têm problemas com álcool a conhecer o trabalho do A.A. “No começo é difícil. A parte da aceitação é muito difícil, porque ninguém quer admitir uma derrota, ninguém quer ser um fracasso. Mas, uma vez que o indivíduo faz isso e busca ajuda, é possível se recuperar. O mais difícil não é parar de beber, é não voltar a beber. Esse é o pulo do gato”, concluiu.

Para ter mais informações sobre o Alcoólicos Anônimos, ligue para: (11) 3315-9333, número que fica disponível 24h, ou 9 9807-8005. Há ainda o site: www.alcoolicosanonimos.org.br.

*Para manter o anonimato, o coordenador do CTO teve apenas seu apelido divulgado.

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