A história de Bragança Paulista na visão da primeira turma de cordelistas

O Jornal Em Dia dá sequência nesta quinta-feira, 3, à publicação de cordéis que contam um pouco sobre a história de Bragança Paulista, que no dia 15 de dezembro completa 252 anos.

Os autores, que representam a UBT (União Brasileira de Trovadores) – seção de Bragança Paulista e a Ases (Associação de Escritores de Bragança Paulista), são da primeira turma de poetas cordelistas do município.

Vale lembrar que de 10 a 15 de dezembro, das 14h às 17h30, na sede da Ases, haverá uma exposição com todos os textos e também fotos antigas de Bragança. O título da exposição será “Histórias da Cidade Poesia – Gente – Fatos – Memórias”.

Nesta edição, os leitores conferem as obras de Wadad Naief Kattar (Associação Bragantina de Combate ao Câncer – Tornando o fardo mais leve) e de Cristina Cacossi (Arte na Padaria Cacozzi).

 

ASSOCIAÇÃO BRAGANTINA DE COMBATE AO CÂNCER

TORNANDO O FARDO MAIS LEVE

Wadad Naief Kattar

 

Dois mil e três, mês de abril,

na família uma doença,

motivou duas irmãs

munidas de fé e crença:

fundaram ABCC*

junto a pessoas campeãs.

(*Associação Bragantina de Combate ao Câncer)

 

As irmãs Cristina Valle,

Rita e Antônio, seu marido,

Virgínia e as duas Anas,

sentiram ter atingido,

com Magda, amizade antiga, 

a equipe das soberanas. 

(Maria Cristina Valle Aschenbach, Rita de Cássia Valle, Antônio de Pádua Oliveira Melo, Virgínia Maria Ferraz Cunha, Ana Laura Acedo Menin e Ana Medeiros Maciel e Magda Lócio e Silva)

 

Esses são os fundadores,

que a partir da intenção

organizaram ações,

visitas e captação,

para cumprir a missão,

com recursos e doações.

 

Nasceu nossa Associação,

entidade relevante

sem nenhum fim lucrativo

e com missão importante: 

acolher a quem tem câncer

de modo caritativo.

 

Contando com voluntários,

e com base firme em ética,

agregou cada pessoa

quase de forma poética,

querendo bem apoiar

a quem a doença magoa.

 

Em abril, dois mil e oito

com voluntários presentes

e também o Monsenhor

junto a amigos e parentes,

a pedra fundamental

foi o marco promissor.

(Monsenhor Lélio Mendes)

 

Com vontade e com capricho,

foi a sede idealizada:

com arquiteta* e projeto,

começou abençoada.

Construção sem material...

Como fazer o concreto?

(*Ana Carla Costa Leme)

 

Surgiram então doadores,

grandes firmas ajudaram.

Esforços ninguém mediu,

materiais nunca faltaram.

O Divino acompanhou,

atendendo a quem pediu.

 

Que será filantropia?

- É o amor à humanidade,

sempre de forma abrangente

ao praticar caridade,

tornando o fardo mais leve,

qualquer que seja o doente.

 

Associação Bragantina

de Combate ao Câncer faz 

com transparência e amor,

grande trabalho eficaz

bem acolhendo o doente

em seu trajeto de dor.

Outubro, dois mil e treze,

o sonho foi coroado.

Os primeiros sonhadores

têm o  prédio inaugurado.

 - Vencemos a grande luta!

Festejam os fundadores.

 

Transcorridos tantos anos,

temos sempre realizado

nosso objetivo inicial:

acolher o adoentado

do terrível mal do século,

sustentando o emocional.

 

É muito gratificante

a cada um agregado,

saber que na Oncologia

do Hospital* é realizado 

um dever quase sagrado: 

acolher com simpatia!

(*Hospital Universitário São Francisco)

 

Temos especialidades

campeãs em oncologia:

uma assistente social

nutrição, psicologia,

também fisioterapia,

perucas pra o alto-astral.

 

De quebra, temos ainda,

voluntárias no bazar,

secretária competente,

auxiliar para limpar,

telemarketing também.

Eita equipe combatente!!!

 

Hoje estando presidente

em esta proba entidade,

sei, não é fácil a missão,

mas fortalece a vontade

e quando a doença é vencida,

aos céus, nossa gratidão!

 

E deixo aqui esta história

de gente empreendedora,

que obstáculos enfrentou,

talvez de forma amadora,

mas que firmou a bandeira

e o sonho concretizou!

 

A ABCC se sente à vontade para convidar os setores da sociedade a se juntarem a ela na luta contra o câncer. Um mundo melhor somente poderá ser construído com o apoio de todos!

 

ARTE NA PADARIA CACOZZI

Cristina Cacossi

 

Caminhando descuidada

pelo mundo da ficção

um  fato real cruzou

a minha imaginação;

faço aqui pra cada um

a seguinte narração:

 

O cordel já trouxe à tona

histórias emocionantes;

vou lhes registrar agora

uns fatos interessantes

da tradicional família

de queridos imigrantes.

 

Esta história começou

lá no século passado;

vou de modo esfuziante

gastar o palavreado

e com brio testemunhar

tudo bem entremeado.

 

Ó gente, preste atenção

quero agora lhes contar

como iniciou a padaria;

desejo também mostrar

a arte de seu dia a dia

e ancestrais apresentar.

 

Meus avós homenageio

também as tias e tios

junto com primos e primas

vou desenrolando fios

dos nossos bons ascendentes

que chegaram nos navios.

 

Do século dezenove

a bela Itália enviou:

Francisco Cacozzi veio

Maria Amato chegou;

um encontro entre o casal

o Brasil propiciou.

 

No Bairro de Pitangueiras

iniciou-se certo dia

a numerosa família;

cada filho que nascia

era muito abençoado

na modesta moradia.

 

Em meio a inúmeras virtudes:

notável honestidade,

honradez, disposição,

grande religiosidade,

Bragança os recepcionou

com muita amabilidade!

 

Em toda história há um drama

que o leitor lendo conhece:

“o maná não caiu do céu”

e uma lágrima umedece

a face do casal, mas...

sua fé não arrefece.

 

Com a queda do café

penosa a vida ficou

e aquela grande família

a São Paulo se mudou;

porém, um tempo depois

a Bragança retornou.

 

E na rua do “Comércio”

em uma manhã faceira

ocupando toda a esquina,

abre as portas, pioneira,

nossa Padaria Cacozzi,

glamorosa, alvissareira...

 

Era preciso atuar

com heroísmo e energia;

pra vencer os desafios

à igreja Rosário ia,

com fervor no coração

ajuda à Virgem pedia.

 

Com fé, santa paciência,

luta e determinação,

amor e desprendimento,

coragem, obstinação,

muita criatividade,

foi assado o primeiro pão!

Atendendo a vizinhança

ali, desde manhãzinha,

alguns filhos, já padeiros

encobertos de farinha,

cestos e cestos de pão

enchiam até a tardinha.

Um aroma de pão assado

pela casa se espalhava;

pão-nosso de cada dia

a nenhum neto faltava

também bênção dos avós,

quando a mão deles beijava.

 

Muitos vinham adquirir

variedades que lá tinha:

bolachinhas parafuso,

pão sovado, cangalhinha

e biscoitos de polvilho,

hum... a preferência minha!

 

E com o passar dos anos

tornou-se puro armazém:

espalhado por ali

tinha tudo e mais além

muito artigo variado,

num animado vaivém.

 

Para descansar da lida,

no cavaquinho, violão,

com pandeiro, bandolim

e própria composição,

esses músicos-padeiros

soltavam a inspiração...

 

Um conjunto então formaram

irmãos Cacozzi e uns parceiros

“Os Tangarás” era o nome

desses famosos festeiros

e na “Cidade Poesia”

brilharam os seresteiros!

 

Encerrando esse cordel

deixo gostosa surpresa:

uma receita italiana

que agradará com certeza

meus refinados leitores

pela atenção e sutileza:

 

CANARÍCULOS

Coloque um copo de banha

alguns anis acrescente

um copo de pinga ponha

em tigela resistente;

um pouquinho de canela

dois ou três ovos somente.

 

Uma pitada de sal

e farinha quanto baste

uma colher de fermento

a fim de que não empaste;

junte tudo com cuidado,

da mistura não se afaste.

 

Ó gente, repare agora

nesse modo de fazer:

derreta aos poucos a banha

para não enrijecer;

misture, então, toda a pinga

e ovos, farinha, acrescer.

 

Dê formato aos canarículos,

frite-os em gordura quente,

deixe-os escorrerem bem;

como último ingrediente

entorne mel à vontade

num pouco de água fervente.

 

Num vasilhame de vidro

arrume bem as camadas

despeje, pois, com esmero

todo o mel em colheradas;

torne o dia especial

sirva às suas convidadas.

 

Contemplar nossas raízes

significa se orgulhar

de humildes antepassados,

os seus feitos recordar,

demonstrando seu valor

para os imortalizar!...

 

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