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SUB-VERSÃO

Viva!

Quero ter a sorte de ser encontrada viva pela morte, quando ela finalmente chegar. Seria muito decepcionante se ela me pegasse desprevenida, sentada no sofá, assistindo aos noticiários. Quero ter a sorte de premiar minha retina com as mais belas paisagens às quais meu corpo, essa máquina incrivelmente perfeita, seja capaz de me conduzir.

Quero caminhar até morrer, quero deixar a morte cansada de me esperar e ainda mostrar-lhe a língua, quando ultrapassá-la numa subida íngreme de uma trilha qualquer.

Quero nadar para continuar mantendo o fôlego nas altitudes e a esperança das melhores vistas. E visitar sempre águas diferentes. A propósito, você já experimentou entrar numa cachoeira num dia frio de inverno? Já teve essa sensação? É como um lembrete de se estar vivo, sentindo a circulação ativa, o corpo todo respondendo ao estímulo feroz da natureza. Ah, a natureza... Linda! Impiedosa!

Quero que ela continue conduzindo meus passos e minha alma rumo a destinos antes inexplorados.

Quero poder escolher ter e viver essa vida, e não apenas existir. E quero poder fazer isso em segurança, com o mínimo de segurança que viver exige. E que o medo seja somente o necessário para minha sobrevivência e não um fator paralisante.

Quero ser a mulher viajante que sou e poder exercer esse direito com liberdade. Quero ser menos julgada por essa minha escolha também.

“Ah... Se ela estivesse quietinha em casa, isso não teria acontecido...”. Essa fala, repetida exaustivamente nos últimos dias, é cruel! E é cruel porque, além de representar um julgamento frio, ela ainda cerceia a liberdade de um ser humano, especificamente de uma mulher.

Além disso, ela isenta muita gente da responsabilidade pelo que aconteceu e culpabiliza apenas Juliana. A moça viajante, aventureira, livre!

É difícil para nós entender ao certo o que aconteceu, nós que não estávamos lá, que não sabemos nada, além daquilo que a imprensa e algumas informações desencontradas nos contam.

A montanha sabe da verdade, Juliana sabe da verdade. Ambas, Juliana e a verdade se foram com a dureza daquela montanha. Mais dura que ela só o coração de algumas pessoas.

Juízes da vida alheia julgaram e condenaram a moça, antes mesmo que a montanha e as circunstâncias se encarregassem de fazê-lo.

Repito, quero ser encontrada viva pela morte, assim como foi Juliana Marins. E pouco me importam as opiniões e os julgamentos dos juízes de sofá. Quero sorver a vida, com gana e com responsabilidade, mas não, nunca jamais com covardia.

E que venham as trilhas, as montanhas todas, as vistas deslumbrantes, a alegria e a exaustão que se segue a ela. Que a vida siga sendo essa celebração, e que nada, nada nos impeça de vivê-la com autenticidade.

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