Qualquer alteração na rotina põe em alvoroço toda a turminha do abrigo. O coro de centenas de cães latindo num só tempo abafa a turma dos miados, que passa despercebida nos minutos que duram todo o burburinho.
A turma do canil 10, que tem visão para o depósito de ração, nos avisa quando o gato do Sr. Ademir entra sorrateiramente pelo alambrado para fazer a sua refeição. Os cães ficam a latir empinados, com o olhar fixo na direção do gato. O interessante é que o alerta só é dado quando o gato chega fora do horário; do contrário, nem se abalam. Talvez estejam dizendo ao gato: e aí, Zé Mané, só, agora, por que chegou tão tarde? Ou, quem sabe, estejam reclamando que o Zé Mané veio se esconder no depósito com a intenção de passar a noite fechado se fartando de ração.
Os vizinhos que passam conversando pelo local não alteram a rotina, mas os moleques da escola municipal que ficam acocorados no barranco a observá-los, ah! esses, sim! Quando a latição está concentrada nos canis próximos ao barranco, sabemos que tem gente estranha no local. Se não for gente, é gado passando.
Quando latem e pulam numa só direção, sabemos que tem... Briga! Briga! E corremos para apartar o emaranhado de cães que se forma no canil. Às vezes, é difícil saber quem está pegando e quem é a vítima. As brigas ocorrem com frequência e é difícil prevê-las, basta uma faísca: um cão que tenha escapado, uma pessoa que esteja dando mais atenção para um deles, uma folha que cai, uma pombinha no telhado, um vento mais forte... Enfim, qualquer coisa dispara o acerto de contas. São como nós, no famoso “foi a gota d’água”.
É por isso que só acolhemos animais de rua doentes. Quando chegam, são alojados em canis de tratamento. Além da necessidade do socorro, estão com a energia baixa, por isso, aceitam o novo ambiente sem resistência. Durante a recuperação vão se adaptando ao local. O animal de rua doente tem uma chance no abrigo. Talvez a sua última chance.
Por outro lado, acolher animais sadios, só para que tenham teto, água e comida, é colocá-los em risco no abrigo. Chegam com a energia alta, querem disputar espaço e liderança ou, ficam amuados e entristecidos com a falta do lar, adoecem e se entregam ao bando.
Impedir a entrada de animais sadios no abrigo é o ponto de grandes entraves e batalhas no portão. As pessoas chegam com os animais e querem sair de mãos vazias, não aceitam argumentos e não respeitam nossa missão focada nos animais doentes. Costumo ouvir: tenho um problema... Costumo dizer: tenho 400... E, aí, começa!
Márcia Davanso,
fundadora e presidente voluntária
Faros d’Ajuda – Associação de
Proteção aos Animais
farosdajuda@farosdajuda.org
www.farosdajuda.org | www.facebook.com.br/farosdajuda
O nome da filhote SRD da foto é Frida e ela será doada com castração garantida
Em Bragança Paulista:
- Denúncias de maus-tratos
Secretaria do Meio Ambiente - Divisão de Bem-Estar Animal: 4603-1880
Guarda Municipal: 153
- Resgate de animais doentes e feridos
Secretaria Municipal de Serviços: 4035-8540 e 4035-8544
Guarda Municipal: 153
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