Na quarta-feira, 4 de outubro, foi celebrado o dia de São Francisco de Assis, patrono dos trovadores e um dos mais populares e amados santos da Igreja Católica, reconhecido como padroeiro dos animais. Ele ficou muito conhecido no Brasil e na Itália por renunciar a toda a sua riqueza e se dedicar aos mais pobres e necessitados.
Uma das maiores contribuições de São Francisco é a famosa Oração pela Paz, uma prece em que o religioso convida os fiéis a rezarem pela paz no mundo.

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido, amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...”
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Lóla Prata, escritora, trovadora e fundadora da UBT (União Brasileira de Trovadores) – seção Bragança Paulista – e também presidente da UBT Estadual de São Paulo (2022-2023), em uma de suas reflexões, escreveu uma matéria sobre a oração:
“A Oração da Paz nasceu anônima, sem nenhum alarde especial, mas seu conteúdo espiritual e o inteligente texto com antíteses marcantes foram conquistando as mentes místicas. O texto apareceu por primeira vez em 1913, numa pequena revista local da Normandia, na França, copiada de outra revista insignificante, sem registro algum. O Marquês de La Rochetulon, fundador do semanário católico Souvenir Normand enviara ao Papa Bento XV várias orações pela paz colhidas entre as que circulavam entre o povo e também umas de próprio punho, criadas nas inseguranças de quem vivia o absurdo da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Num belo dia, 20 de janeiro de 1916, essa oração foi publicada no Osservatore Romano, órgão oficioso do Vaticano. Oito dias após, publicada no conhecido diário católico francês La Croix. Pouco tempo depois, em Roma, um Visitador da Ordem Terceira Secular de Reims, França, mandou imprimir cartões, os ‘santinhos’, tendo de um lado a figura de São Francisco com a Regra da Ordem Terceira Secular na mão e do outro lado, a Oração pela Paz, com a indicação da fonte: Souvenir Normand, fechando-a com uma pequena frase no final, como um rodapé: “Essa oração resume os ideais franciscanos e representa uma resposta às urgências de nosso tempo.
Assim, os orantes atribuíram ao Poverello de Assis as letras inspiradas.
Como diríamos hoje em dia: viralizou! É recitada por budistas no Japão, monges taoístas no Tibete, por muçulmanos no Cairo, por babalorixás em Angola, por papas cristãos em Roma, por fiéis em Comunidades de Base na América Latina, conquistando corações abertos ao divino, como afirma Leonardo Boff no livro ‘A Oração de São Francisco’.
Essa comovente prece se tornou oficial na União Brasileira de Trovadores graças à escolha de Luiz Otávio que a colocou nos lábios dos que cantam a poesia em trovas! Paz e Bem!”.
Lóla Prata
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A HISTÓRIA DO RELIGIOSO
Em uma conversa com a redação do Jornal em Dia Bragança, Lóla contou um pouco sobre a história do padroeiro da UBT. Ela explica que Francisco nasceu na cidade de Assis, na Itália, em 1182. Ele era filho de um mercador de tecidos. Como a época era de Cruzadas (expedições religiosas e militares), Francisco foi criado para ser cavalheiro.
Naquele período, ter dinheiro e enriquecer era importante, sendo assim, ajudava seu pai no comércio, mesmo não sendo um trabalho que o atraia. Ele era conhecido pelos amigos como o “Rei da Juventude”, pois aproveitava ao máximo o que a vida tinha de melhor.
Depois de certo tempo, Francisco se torna membro da nobreza e participa de algumas guerras. Durante uma dessas batalhas, Jesus se manifestou para ele, que decide se desertar do exército, mas acaba sendo preso e confinado durante um ano. Ao sair, ainda tentou voltar para a vida e os costumes que tinha antes, mas estava descontente, cansado das diferenças sociais, então, certo dia, pegou os tecidos do pai e jogou todos pela janela. Ele então fugiu de casa, mas como os conflitos eram resolvidos em um julgamento aberto na praça da cidade, ambos foram até o local e a conversa foi mediada pelo bispo, que desta vez não conseguiu resolver o caso.
Francisco disse que não queria mais nada que era de seu pai, foi embora e encontrou uma capela que estava arruinada, mas havia um grande crucifixo grande no altar, ainda preservado. Ele se ajoelhou, orou e logo foi respondido por Jesus, recebendo um pedido para a renovação de sua igreja. Porém, ele entendeu que deveria reconstruir a capela em si e então, pediu para a população doar pedras para que a obra pudesse ser realizada. Seus amigos decidiram segui-lo, já que também estavam cansados das diferenças sociais – assim, uma comunidade estava sendo criada e todos auxiliaram no trabalho da capela. Dessa forma, Francisco pôde atender o pedido que lhe foi feito por Jesus, reconstruindo o real sentido da igreja – as pessoas, já que, naquela época, muitas delas estavam perdidas.
Lóla também conta como a Oração da Paz foi escolhida. “Na época da guerra, havia um bispo na França que começou a coletar todas as orações que pediam a paz e as mandou para o Papa Bento XV, que, com seus assessores, escolheram a oração de São Francisco.
SOBRE A UBT
A UBT é uma associação civil, cultural e recreativa, de âmbito nacional, que tem como finalidade o estudo, o cultivo, divulgação da trova e congraçamento dos trovadores. A entidade foi fundada por Luiz Otávio, no Rio de Janeiro, em 1966, e em pouco tempo, suas raízes foram estendidas por todo território nacional para promover concursos, reuniões de estudo, congressos, jogos florais e encontros trovadorescos. Foi Luiz quem escolheu São Francisco para ser o padroeiro da associação.
A UBT é constituída por delegacias (quando há uma pessoa interessada em trovas) e seções (um grupo de cinco ou mais pessoas), podendo ser municipais e estaduais.
A União Brasileira de Trovadores atua em Bragança Paulista há aproximadamente 25 anos. A escritora relata que, em meados de 1998, estava no Rio de Janeiro, quando participou de um evento da UBT, em Niterói. Uma de suas amigas, a qual é a princesa dos trovadores, perguntou se Lóla gostaria de ser representante de trovas na Região Bragantina. Como ela já fazia parte da Ases (Associação de Escritores de Bragança Paulista), sabia que receberia ajuda com o novo projeto para a cidade e, então, aceitou o convite. A escritora foi apresentada ao presidente estadual de São Paulo daquela época, que a elegeu como delegada da associação da região.
Muitos bragantinos não conheciam trovas e, para apresentá-los ao gênero, Lóla teve a ideia de fazer algumas de felicitação pelo Natal e colocá-las em vitrines de lojas da cidade. Ficou como delegada até 2007, quando a nova presidente estadual veio até Bragança para participar de uma reunião da UBT e, ao perceber a alegria de todos os participantes, informou à trovadora que eles já poderiam se tornar uma sessão. Depois disso, da sede do município saíram trovadores de cidades como Vinhedo, Socorro e Atibaia (onde já foi fundada uma sessão).
Ao explicar melhor como funciona a UBT, Lóla conta que cada sessão é subordinada a seu estado, ou seja, a uma presidência estadual. Os presidentes, que estão em torno de 15 estados do país, possuem comunicação direta com Andreia Motta, presidente nacional eleita para o mandato 2022/2023.
A entidade, em Bragança, é afiliada da Ases e, por depositar os talentos dos participantes a serviço da sociedade, também está ligada às secretarias municipais como a do Meio Ambiente, Cultura e Turismo. Dentre os projetos realizados pela UBT da cidade, estão as colaborações com jornais, ações como o Dia das Crianças, concursos municipais, nacionais e internacionais sobre trovas, visita aos idosos, jogos florais, entre outros.
A escritora conta que já deu aulas virtuais de trovas, a fim de atrair jovens que estão na época da criatividade. Devido à sua vasta experiência, Lóla também já foi convidada para lecionar no curso de letras da Fesb (Fundação de Ensino Superior de Bragança Paulista). A UBT possui um departamento que faz visitas aos colégios e festas sempre que recebe convite – Lóla vê como um dever para as associações divulgar a cultura literária entre os estudantes. “Um prêmio dado por uma entidade como a Ases ou a UBT é de grande valia para o jovem”, comenta a trovadora.
Além dos jovens, tanto a União Brasileira de Trovadores quanto a Ases, servem como um passatempo para idosos. Prova disso é que muitos participantes já disseram à escritora que, se não houvesse esse trabalho literário, eles não saberiam o que fazer durante sua aposentadoria.
O QUE SÃO TROVAS?
A trova é uma poesia monostrófica, ou seja, é resumida em uma única estrofe com sete sílabas poéticas em cada verso. Sua extensão deve ter apenas quatro versos. As trovas não possuem títulos e devem oferecer ao leitor o significado completo da mensagem que o escritor pretende transmitir.
Lóla explica que as trovas são, em geral, felizes, mas como o poeta também é triste, ele se baseia em todos os sentimentos e emoções. “O poeta ensina os outros a verem o mundo de uma maneira diferente, feliz. Ele vê o mesmo que uma pessoa comum, mas transforma aquilo em beleza”, conclui a escritora.
Os interessados em fazer parte da UBT ou da Ases podem entrar em contato pelo e-mail: lola@pratagarcia.com.
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