Às vezes, Deus se revela melhor e com mais veemência na vulgaridade da vida, que em templos suntuosos, onde se respira discursos de prosperidade. Na natureza, que, ao meu ver, é seu templo mais representativo.
E como é bom ouvi-lo através do silêncio de sua criação. No vento, na terra que se desprende com ele, e nos relembra o que somos, pó.
Estive recentemente na Serra da Canastra, e... ah... como foi magnífico ouvir os ecos do Eterno lá, através daquela paisagem exuberante e assustadoramente bela!
Assim como a vegetação da Canastra, sinto que também estou em transição. Estou, aos poucos, me tornando aquilo que sou, e isso é o que há de mais belo na existência, o poder de nos tornarmos aquilo que verdadeiramente somos.
É um processo dolorido e lento, mas que dá sentido à vida. É preciso despir-se das máscaras que costumamos usar, de nosso orgulho, de nosso ego inflado, e das mentiras todas que usamos para nos convencer de que já somos. Não somos ainda, essa é a verdade. Estamos em constante transformação, e ela deve culminar na plenitude dEle.
A Canastra me ensinou muitas lições... Uma delas é a do poder da persistência ao longo do tempo. Foram momentos de contemplação diante das suas majestosas quedas d’água que me fizeram refletir sobre o quão desnecessário e bobo é nosso desespero diante do tempo, toda essa nossa urgência em nos fazermos insubstituíveis e deixarmos nossa marca nele ... Ah, quanta besteira!
Aquela água cristalina que escorre por entre as brechas da pedra sólida com que é formada a Canastra, ensina-me sobre a persistência, ensina-me da minha pequenez. Ensina-me da sabedoria infinita daquele que a idealizou, sem rascunhos. Ensina-me da minha própria eternidade.
Somos seres eternos, feitos para a eternidade. Almas magnificamente construídas pelo escultor da Serra Canastra. Somos a caminhada, a terra da estrada, o frescor efêmero das gotículas de água no rosto daqueles que ousam completar a trilha. Somos centelhas do Eterno e nem nos damos conta disso.
De tudo que minhas retinas viram, e meu espírito experimentou, resta a máxima: A Canastra é infinita, assim como nós!
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