Outro dia enquanto caminhava inconsciente de se tratar do Dia da Poesia, pude, mais uma vez, e como sou privilegiada por isso, presenciá-la, ali, materializada, bem no chão à minha frente.
Um pequeno joão-de-barro agigantava-se no esforço quase cruel de retirar do solo, ainda umedecido pela chuva do dia anterior, o barro de que necessitava para construir sua morada.
E que construtor genial é esse nosso irmãozinho... E que lição ele me ensinou em sua empreitada!
Observando-o, lembrei-me do esforço e da entrega que são necessários à construção de alicerces firmes e o quanto, por vezes, os negligenciamos.
Amar é construir. E construir exige muito.
Talvez por isso haja tantos relacionamentos fadados ao fracasso hoje em dia, talvez por isso haja tanta gente infeliz, porque desaprendemos o preço do amor.
A diligência e a dedicação do pequenino joão-de-barro é que me relembraram essa santa verdade.
Amar exige abnegação e abnegação exige humildade. Humildade inclusive para se permitir aprender com os pequeninos.
Talvez fosse apenas um reparo, um pequeno conserto o que ele pretendia fazer, mas isso por si só já é infinitamente significativo, porque mostra seu esforço para manutenção daquilo que já possui. No amor, é assim também, é preciso que o reinventemos diariamente, que tenhamos sabedoria para mantê-lo vivo, fazendo os ajustes necessários em nós mesmos para promover a felicidade do outro.
Amar exige cuidado, o cuidado do pequeno joão-de-barro, que firme em seu propósito, ignora a garoa, o frio, as intempéries todas, e segue amando, em gestos e ações concretas.
Amemos!!!
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