Conviver com as diferenças pressupõe, no mínimo, respeitá-las e esse respeitar exige interesse e conhecimento. Logo, é hipócrita essa imposição legal que sugere a inclusão de alunos com necessidades especiais a qualquer custo e de qualquer maneira. Isso não é incluir, o processo se torna exatamente o oposto; acaba-se por excluir completamente aquele que deveria, supostamente, e, segundo a própria legislação sugere e exige, sentir-se bem e assistido intelectual e socialmente em suas necessidades. A sala de aula mostra que há diversas situações a serem contempladas. Há alunos sem laudo médico, cujos pais se recusam a reconhecer a existência de necessidades especiais em seus filhos, delegando-lhes, assim, um lugar à margem da educação verdadeira e das infinitas possibilidades que esta pode vir a propiciar-lhes. Há, ainda, alunos cujo laudo, quando apresentado pela equipe gestora aos docentes, sugere e implica conhecimentos e habilidades que estes ainda desconhecem e para os quais não receberam nenhuma formação e, pasmem, nem receberão se isso depender da iniciativa do governo. Sou honesta em reconhecer esses fatos e outro ainda mais urgente; ando buscando por conta própria alguns mínimos conhecimentos a fim de atender aos meus novos e mais que queridos alunos, porque simplesmente me recuso a participar de mais um deplorável faz de conta dentro da educação, porque acredito na educação como meio de transformação e liberdade, pois sou completamente apaixonada pelo Ser Humano. A lei, como sempre, quer se fazer cumprir... Eu não estou nem um pouco preocupada com ela, que o façam os gestores-ditadores, eternamente preocupados em satisfazer seu governo com números favoráveis a seus próprios interesses e mentiras. Eu quero e defendo, sim, uma educação verdadeiramente inclusiva, que contemple também a importantíssima figura do professor, dignificando-o, ao passo que este acolhe adequadamente seus alunos "especiais". E eu me pergunto: Qual unidade escolar está realmente preparada para tal situação? E me refiro aqui não somente à questão da adequada qualificação dos docentes, mas também a questões mais elementares, como as que dizem respeito a adaptações nos prédios, visando à acessibilidade, materiais específicos e vontade política, bem como projetos político-pedagógicos elaborados pensando-se nessa realidade. Meus caros, a educação dispõe de tanto dinheiro que os senhores mal podem supor e meu pesar é sempre, repetidamente vê-lo sendo empregado das maneiras mais idiotas e inúteis, quando se negligencia o essencial, como é o caso dos materiais específicos para o trabalho com os alunos "especiais". Talvez eu seja uma professora ainda idealista, mas acho mesmo que nunca vou me acostumar a algumas situações que a educação em nosso país promove; situações de injustiça explícita, mascaradas pela beleza do texto legal; situações de descaso e má utilização do dinheiro público; situações que acabam por ridicularizar por completo a figura do professor... Talvez a receita para a efetiva inclusão seja incluir a prática ao texto, o respeito ao ser humano no lugar da verborragia e ações concretas em lugar de demagogia barata. Mas esse é só mais um sonho que insisto em incluir em minha lista utópico-pedagógica.
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