BRASIL, MOSTRA A SUA CARA
A Justiça é cega? Ao menos por aqui, parece ser um pouco mais. Tirando o País do Carnaval, onde mais um morador de rua seria condenado à prisão domiciliar por furto? Brasil-sil-sil! Nélson Renato da Luz já havia sido preso duas vezes por ter roubado placas de uma estação do metrô em São Paulo (seria da Estação da Luz?). Desta vez, por ter transtornos mentais, o meliante não mais poderia ficar numa prisão comum, nem poderia ficar internado, por ser violento. A solução? Prisão domiciliar. "Mas, meritíssima, eu moro na rua". E daí?
POLÍCIA PARA QUEM PRECISA E o cara que está querendo ficar preso e não consegue? Pedro Valentin Pereira é suspeito de ter matado um homem de 27 anos, no Paraná, no ano passado. Semana passada, ele foi a uma delegacia e ao Fórum. Confessou o crime, se entregou e... não foi preso por falta de mandado de prisão! A polícia local disse que já pediu o mandado há um ano, mas ele ainda não foi expedido.
NÃO ADIANTA NEM TENTAR ME ESQUECER Detalhes tão pequenos de nós dois. São coisas muito grandes "pra não ver". É impressionante o poder feminino de observar detalhes. Coisas que passam despercebidas pelo desatento olhar masculino jamais deixam de ser vistas pelos olhos de lince de uma bela mulher. A propósito, minha mulher e eu gostamos muito de andar pelas ruas de Bragança, seja a pé ou de carro, para contemplar nossa cidade, que, infelizmente, tem cada vez menos coisas para serem admiradas. Lago assoreado, prédios históricos abandonados, ruas esburacadas, mato tomando conta de parques públicos. Só que, como já disse, não vou cair na mesmice de ficar culpando somente a atual administração. Precisamos de soluções. E não é que, nos últimos dias, ela vem chamando a minha atenção para o aumento do número de "desocupados" pelas ruas bragantinas? No Centro, no Lago, nas avenidas, como a Pires Pimentel e a José Gomes. Na maioria das vezes, eu dizia que ela estava exagerando, mas de uns dias pra cá, confesso que tive que concordar com ela. Em cidades de grande porte, o grande número de desabrigados, desempregados, desocupados e usuários de drogas pelas ruas já é um problema crônico. São consequências do sistema excludente em que vivemos? É claro que sim. Mas fato é que a Terra da Linguiça (que nem é tão grande assim), a olhos vistos, vem ganhando novos habitantes que estão ficando pelas ruas. Recentemente, São Paulo varreu todos da cracolândia "pra debaixo do tapete", numa pretensa atitude de resolver o problema. Se por aqui a situação ainda é controlável, não seria a hora de uma ação conjunta do Poder Público? Ação Social, Saúde, Segurança, Educação, Cultura... Esse tipo de situação requer uma força-tarefa. E aí?
INDECENTE É VOCÊ TER QUE FICAR DESPIDO DE CULTURA A barriga pelada deixou de ser a vergonha nacional. Cultura pouca é bobagem. Nesta segunda, o Conselho Municipal de Cultura estará reunido às 20h no auditório do andar superior da Câmara Municipal para discutir o orçamento, a agenda e os rumos da pasta no ano eleitoral de 2012. Reunião importantíssima e aberta à participação de qualquer cidadão bragantino. Só é uma pena ela acontecer tão tarde, afinal, praticamente um quarto do ano já se foi e o evento que consome a maior parte do dinheiro destinado à Cultura Bragantina já ocorreu. Tudo bem, antes tarde do que nunca? Pode ser, mas precisávamos ter discutido isso muito antes. Quem sabe assim não ficaríamos com a sensação de que tudo na Cultura acontece "na última hora". Não se trata, novamente, de uma questão de se encontrar culpados e inocentes. Precisamos de soluções. Participe.
BOM CONSELHO Ouça um bom conselho que eu te dou de graça: os conselhos municipais precisam funcionar. O da Cultura, posso dizer, pois faço parte, ainda não funciona. Já conversei com alguns membros de outros conselhos municipais e todos eles mostraram a mesma decepção com o (não) funcionamento dos seus conselhos. Se os conselhos funcionassem, discutindo orçamentos, decidindo os rumos da cidade, certamente teríamos muito menos a reclamar, afinal, teríamos mais participação do povo. É pra isso que eles deveriam servir. Vamos cobrar, vamos participar. Ainda é tempo.
PRA FINALIZAR "Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes". (Rubem Alves)
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