Texto e foto: Joel R. Castilho
Na manhã desta quarta-feira, 28, a atual diretoria da LIESB (Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança Paulista) realizou uma coletiva de imprensa na quadra de ensaios da Unidos do Lavapés para anunciar que não haverá desfile oficial das escolas de samba no Carnaval 2026.
De acordo com a entidade, a decisão foi motivada pela impossibilidade de repasse de verbas por parte da Prefeitura de Bragança Paulista. O Poder Executivo alegou que não pode transferir recursos nem para a Liga nem para as escolas de samba devido a pendências jurídicas envolvendo ambas.
A LIESB enfrenta problemas relacionados à prestação de contas dos valores recebidos no ano passado, além de estar impedida de receber novos repasses por força de uma liminar concedida pelo Judiciário.
Já as escolas de samba, de acordo com a vice-presidente da Liga e presidente da Acadêmicos da Vila Fran Calazans, possuem ação judicial desde o governo Fernão Dias, período em que as prestações de contas não foram aprovadas. O processo segue em andamento até hoje e, por conta disso, as entidades carnavalescas estão proibidas de receber recursos do poder público, conforme decisão do Tribunal de Contas.
Fran Calazans lamentou profundamente o cancelamento do desfile e destacou que as três agremiações — Unidos do Lavapés, Acadêmicos da Vila e Dragão Imperial — já tinham cerca de 60% do Carnaval prontos para apresentação na avenida.
“O momento agora é de ter os pés no chão e trabalhar para tentar resgatar e não deixar o Carnaval de rua de Bragança morrer”, afirmou.
Questionados sobre a possibilidade de realizar os desfiles sem o apoio financeiro da Prefeitura, os representantes das três escolas foram categóricos ao afirmar que isso é inviável, principalmente pela ausência de competição e pelos altos custos envolvidos.
“Se colocarmos nossas fantasias e alegorias no desfile deste ano, no ano que vem, caso haja desfile valendo pontuação, esse material não servirá, pois, o enredo escolhido será outro. Isso geraria ainda mais prejuízo, já que os fornecedores de materiais para a confecção de fantasias e alegorias precisam receber”, explicaram os dirigentes.
Para encerrar, Fran Calazans informou que está agendada para o fim de semana uma reunião entre as escolas de samba e a diretoria da LIESB, com o objetivo de definir os próximos passos diante desse cenário. A presidente da Acadêmicos da Vila não descartou a possibilidade de sua escola realizar um desfile simbólico na Avenida Santa Isabel.
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