No sábado 23, gestores, funcionários, professores e estudantes da Escola Estadual Dr. Fernando Amos Siriani, localizada no Jardim da Fraternidade, se reuniram para celebrar o sucesso alcançado pela instituição em concursos literários e estudantis disputados dentro e fora dos muros da escola no decorrer do ano letivo.

Renan Rocha, Eric Ribeiro e Josué Ribeiro trouxeram música clássica para o evento
O evento premiou os estudantes vencedores do concurso realizado pela ASES - Associação dos Escritores de Bragança Paulista, que este ano teve como tema Defesa do Meio Ambiente e dos Povos Originários, no qual a escola ficou em primeiro lugar nas categorias 2ª e 3ª séries do Ensino Médio, além conquistar o segundo lugar e duas menções honrosas na categoria 1ª série do Ensino Médio.

Estudantes premiados em diversos concursos estudantis
Nos Jogos Florais, realizados numa parceria entre a ASES e a UBT - União Brasileira de Trovadores, os alunos da Fernando Amos emplacaram toda a premiação com suas trovas versando sobre o tema Felicidade, conquistando o primeiro, segundo e terceiro lugar, cinco menções honrosas e cinco menções especiais.

Numa competição interna, realizada com o intuito de desenvolver o Projeto Movimento Cultura da Paz, os estudantes dos nonos anos e Ensino Médio escreveram artigos de opinião discorrendo e argumentando sobre por que é tão importante promover a cultura da paz nos dias atuais.

Profa. Ana Cláudia Nascimento e Geovanna Torres Barbosa, aluna triplamente premiada no evento
Entre as atrações, o sarau contou com a leitura de poemas, exposição de projetos desenvolvidos por professores e alunos da Edudação Especial e apresentação musical da aluna Lívia Araújo Leocádio e do aluno Pedro Henrique Galvão Góes Munhoz que encantaram o público, cantando Kell Smith, Raul Seixas e Legião Urbana. Outro ponto alto do evento foi a apresentação da banda São Roque, com os professores Wander e Jefferson, o miniconcerto de música clássica com Renan Rocha Araújo e os irmãos Eric e Josué Ribeiro da Silva, e o show de cultura proporcionado pelo professor João Felipe Gomes Carvalho, que tocou muita viola e berimbau imergindo literalmente os presentes na cultura afrobrasileira.

Lívia Leocádio e Pedro Galvão encantaram o público com suas apresentações
Confira mais dois textos vencedores e o poema do professor Nathan Bruno de Lima, elaborado especialmente para a ocasião:
DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DOS POVOS ORIGINÁRIOS - ASES
Carta aberta: Meu pedido de perdão
Meu nome é Ricardo, tenho 17 anos, e estou aqui para pedir desculpas ao povo Yanomami pelos garimpeiros ilegais em suas terras, pela fome, pelas doenças, pela contaminação. Pelo descaso do “ex-presidente” que nunca esteve nem aí para sua nação.
Pedir desculpas aos Pataxós pela quase extinção de sua cultura no século 20 e pelo fogo de 51. Aos Charruas, aos Xavantes, Cariris, Yanomamis, Tupis, Guaranis, Carajás, Pankararus, Carijós, Tupinajés, Potiguares, Caetés, Fulniôs, Tupinambás e povos do Xingu por terem sido escravizados, perseguidos, humilhados, por terem suas casas queimadas, mulheres estupradas, homens e crianças assassinados. Pedir desculpas pela maioria dos nossos deputados terem votado sim ao Marco Temporal. Pedir desculpas pelas bombas de gás lacrimogêneo disparadas pelo meu estado. Pedir desculpas aos nativos do mundo inteiro pelo mal que o “homem branco” há séculos lhes tem causado.
Pedir desculpas à Floresta Amazônica pelas inúmeras queimadas, pelas milhares de árvores covardemente derrubadas, pelas intensas mudanças climáticas que os “civilizados” têm provocado. Pedir desculpas à Mata Atlântica. Ao Pantanal e ao Cerrado.
Pedir desculpas pelo “Vale da Morte”, em 1980, pelo vazamento de óleo na Baía de Guanabara, em 2000, pelo acidente com césio-137, em 1987, em Goiânia, e por todos os desmatamentos, poluição do ar e contaminação das águas.
Pedir desculpas pela lama podre da Samarco e da Vale em Mariana e Bento Rodrigues, em 2015, e Brumadinho, em 2019. Pedir desculpas pelo incêndio da Ultracargo no Porto de Santos em 2015 e da Vila Socó em 1984.
Pedir desculpas pela exploração excessiva dos solos, pelos venenos do Agro, pela devastação das barragens. Pedir desculpas à Mãe Natureza, aos jacarés, capivaras, peixes, sapos e lontras, jiboias, macacos, joaninhas, preguiças, louva-a-deus, bichos-pau, formigas, abelhas, araras, periquitos, papagaios, cervos, borboletas e onças-pintadas.
Pedir desculpas às famílias do indigenista Bruno Pereira, do jornalista D. Phillips, à família de Chico Mendes, à família de Dorothy Stang. Pedir desculpas por estarmos destruindo a Terra e a nossa humanidade.
E, por último, venho pedir desculpas também pela minha ignorância e falta de sensibilidade até aqui diante de todas essas atrocidades, pois só agora percebi o quanto precisamos lutar para mudar essa inaceitável realidade.
Ricardo Willian Muniz Paulino - 1º lugar na categoria 3ª série do EM

Ricardo Willian e a diretora Sirla Cristina
CURUMIM
Vai, Curumim, corre pela mata
Buscando o que se oculta
Buscando o que não se acha
E achando tamanha desgraça
Corre, Curumim, avisa tua gente
O que estava a tua frente
Aquilo que fez com que se despedaçasse a sua vida presente
Aquilo que fez sua vida mudar de repente
Pobre Curumim, tão pequeno e desprotegido
Já sabia o que era a maldade e o que havia perdido
O mundo que ele conhecia, agora está destruído
Sua infância acabou, agora é um menino de coração partido
Se lembra, Curumim, de suas caçadas e brincadeiras
As árvores cheias de frutos que te alimentavam e eram suas companheiras
Agora, aquele espaço se resume a um terreno com premissas derradeiras
Com homens tolos que não se contentam em fazer suas idiotas besteiras
A floresta não é a mesma, não se existe mais seu ecossistema
O que resta ao povo do curumim é a tristeza suprema
O objetivo do homem branco é a riqueza extrema
Hectare por hectare vai destruindo e expandindo seu corrupto esquema
Curumim agora sonha, mesmo doente e cansado
Com alguém que esteja preparado
Para mudar enfim esse pesadelo em que vive acordado
E possa viver um futuro tão sonhado.
Somos todos parte de um grande ciclo
A Natureza é nossa Mãe e quer viver em um mundo pacífico
Em que devemos cuidar dela com todo amor e respeito de nosso físico
Extinguindo todo desmatamento e mantendo o meio ambiente florido, saudável e rico.
Maria Vitória Hespanhol Ferreira - 1º lugar na categoria 2ª série do EM

Maria Vitória Hespanhol, autora do poema Curumim, e a Profa. Edilene Souza
Fugindo da prisão
Estamos presos.
Presos às amarras sociais impostas desde a
nossa colonização.
Presos a ideias vazias, de que existem
diferenças entre humanos irmãos.
Presos a uma falsa concepção de liberdade
ilusoriamente conquistada.
Presos a palavras ditas sem pudor,
para diminuir aquele que nasceu belo e carismático apenas por sua cor.
Precisamos de verdadeira liberdade,
A mesma que há mais de 300 anos lutou Zumbi.
Ainda continuamos presos e agora, com toda tecnologia e informação,
parece que voltamos a lutar pelo fim da escravidão.
Escravidão não dos pretos, mas escravidão
do pensamento daqueles que não
conseguem enxergar a inferioridade que
existe em uma ideia vazia
de que alguém é melhor ou pior por sua cor, gênero ou religião.
No final, somos todos irmãos.
Estamos presos, mas eu não!
Amo o gingado e toda a malemolência que
tenho por ser negão.
Eu sou livre!
Livre na mente, sei amar gente, sei ser diferente.
Afinal, sempre fui.
0 neguinho do cabelo enroladinho, diferente de tudo e de todos,
lutando para ser livre, lutando pelos meus irmãos,
lutando para ser negão.
Nathan Bruno de Lima

Professores e a diretora Sirla Cristina Alves de Macedo

Kauan Gomes, Francislaine e o filho Tiago prestigiaram o evento
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